para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Capoeira e literatura infantil

É um grande contentamento, enquanto Educadores, percebermos o quanto de possibilidades temos para dar  forma e sentido ao ensino da capoeira na Escola.Tanto sabemos da importância da literatura infantil para o desenvolvimento dos nossos pequenos e o caminho que leva à formação do hábito da leitura, contação de histórias, desenvolvimento cognitivo bem como a imaginação, sentimentos e emoções.

 


No caso da capoeira, larga é a escala de contextualizações que tratam de diversos assuntos pertinentes, tais como africanidades, cultura popular, gênero etc.Penso que uma boa contação de história, a partir de um bom livro infantil, leva nossos pequenos ouvintes a humanizar até mesmo um conjunto de "cabaça, arame e um pedaço de pau",por exemplo.Basta uma prática pedagógica embebida de sensibilidade e conhecimento na lida com o livro infantil que possibilita uma troca social.

 

 

Assim como tantos brinquedos existentes no espaço escolar, o livro é instrumento motivador que pode despertar o interesse e enriquecer as aulas de capoeira.Levantar questionamentos, possibilitar outras interpretações, descobrir outros lugares, outros jeitos de agir e ser são aspectos relevantes ao tema da CAPOEIRA nos processos de ensino-aprendizagem das crianças.Por fim, convém permanecermos em alerta ao estimular a prática de leitura para as crianças.Para superar fins conteúdistas, moralismo e decodificação de símbolos, um livro pode e deve despertar a fruição, o prazer no leitor acima de tudo.

Leia para uma criança !!!



 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Enquanto passageiros

 Enquanto os platôs timidamente determinam a queda dos casos e mortes pela COVID-19 seguimos sentindo nossas lembranças daquilo que poderia ser mas não foi e vice/versa.Nossas ações nos condenam, embora seres pensantes, seguimos aprendendo pela dor da experiência e da existência.Em compensação a notável capacidade de se reinventar tirou de nosso âmago as ferramentas que temos disponível ou tivemos que inventar, sem dó.Quanto desespero em meio às turbulências econômicas, sociais, políticas e nossa pretensa saúde.

A velocidade que nos acometia no mundo contemporâneo agora torna-se nosso algoz para que instantaneamente demos conta sem preparo nas telas de celulares e computadores das coisas da vida- se vira, camarada!Pera aí!Coisas?Coisificamos nossas relações humanas sob o mando de um mundo mercadológico e nossa mesquinhez.Falando poeticamente, nosso girassol ficou sem sol.

Mas que paradoxo, antigamente sabíamos o que fazer e agora, em que temos as tecnologias como determinantes do nossas vidas, como nos humanizar se até o humor está na tela à minha frente.O ambiente on-line nos aproximou da família mas também nos deu a clara evidência de nossa falta de solidariedade e alargamento da desigualdade social, ainda que pelas telas.O ricos sofrem do tédio e o pobres tem fome e desemprego.Portanto, enquanto passageiros desse planeta, nossa humana compreensão e o tamanho de nossa insignificância estão atreladas ao vírus e o verme por um longo período!

Fé e força 

Esperança sempre !!

domingo, 22 de março de 2020

SOMOS PASSAGEIROS

Em tempos de Corona vírus (COVID-19) temos a impressão de que habitamos em linhas duras , engessadas e constantes que navegam em nuvens dirigíveis por plataformas digitais, startups, mindsets quando não fakenews!A totalização desses saberes não dá conta de pensar em um ativo para a coletividade com missão salvadora do nosso planeta.Somos irresponsáveis, pois desrespeitamos até um toque de recolher para nos salvar de um tragédia.A ideia fixa do superhomem que chega ao topo do mundo mas despenca como uma rocha atingida por um..."resfriado"é colocada em xeque para os dirigentes e " donos do mundo.Quando sairmos dessa vamos ser creditados pelo nosso pretenso esforço ( de quê?).Porém a constança e totalização de nossos pensamentos engessados disparam ao menor sinal de fumaça em detrimento do aprendizado e crescimento que vamos adquirir para efeito de nossa história pessoal e do  mundo que nos cerca.Contudo, temos a certeza de que uma criatividade advém da dificuldade ancorada em pensamentos e ações que, distanciados de ideias fixas, podemos aceitar nossas deficiências e colocar-se na lida novamente quando as coisas faltarem trazendo um saldo de crescimento e positividade. 
                                  TMJ

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O que faz, por que faz...?

A capoeira, enquanto grupo popular, é atravessada pela experiência de seus praticantes.É uma mútua passagem em que a cotidianidade é atravessada por uma via de mão dupla.Nela há um acúmulo de conhecimento, mas será que seus praticantes alcançam a razão desse conhecimento?Ao tomarmos distância colocamos a mão/pé no objeto que nos desafia a conhecê-lo.Sendo assim, podemos superar uma  inocência  da roda de capoeira partindo do senso comum,passando pelo bom senso e compreender a sua realidade.Para elucidar nossa prática capoeirística poderíamos desmontar as dicotomias saber popular/saber acadêmico, Angola/Regional, luta/dança etc., e reconstruir em uma forma de diálogo na busca de compreender a razão de ser da capoeira.


Este tipo de trabalho dá trabalho, é o corpo que oscila entre a coragem e o medo de arriscar.Nós precisamos assumir essa responsabilidade, lidar com ela, tratá-la.É exatamente este corpo de relações diferenciadas que se pronuncia na travessia das experiências para alcançar o que ainda não sabe o saber sabido, parafraseando Paulo Freire.Na medida que o capoeirista possa desvelar e  apoderar de sua cultura,possibilita que brigue melhor conosco na busca de reconhecimento e valorização.Mas só querer não é suficiente!É preciso cumplicidade sem medo do nivelamento.Significa lidar com diferença de forma respeitosa.De fato a capoeira não é boa nem má em si.Depende à que serviço ela está no mundo.Precisa saber o que faz e por que faz ?

Bora !

domingo, 22 de dezembro de 2019

A gente aprende e cresce...

Chegou o verão!!!
Há um período cosmológico em que vem à tona grandes transformações na vida e nas pessoas.Grandes estruturas são abaladas e/ou tem que ser desconstruídas;pessoas e coisas deixam de existir para dar espaço ao novo, à reflexão.Reinventar nossa experiência humana está na proporção daquilo que aprendemos e tomamos consciência, a nossa incompletude conta ainda com a generosidade do ciclo vital de nossa espécie.

Entre a aldeia da diversidade e a aldeia militar começar de novo faz-se necessário, por vezes urgente.O tempo é valioso e caro.No entremeio de polarizações e frases de efeito há um espaço para a identidade, um quefazer que nos lança novamente na caminhada munidos de inteligência e experiência de vida.O fio da esperança é latente e nos aquece frente às batalhas;desmitificar o que nos causa medo é uma pretensa batalha, mostrar o que somos e pra que viemos ao mundo são grandes armas e desistir de qualquer empreitada está fora de cogitação.

A capoeira é processo contínuo de transformação na vida daqueles que a praticam nas suas mais diversas modalidades;é absorção e resistência frente às conspirações do mundo.Percebê-la na sua mais profunda integridade e viver a alteridade e gratuidade sob o comando do berimbau por vezes nos tirou da cova dos leões.A volta que o mundo dá é a experiência mais concreta da capoeira.O que não era está sendo, o que é deixou de ser!Nela uma ancestralidade bate forte e fundo nos corações dos mais afortunados e desencadeia em visões de mundo naqueles que tem a coragem da mudança.Multiplique o que  te faz bem, a gente cresce e aprende...
Feliz Novo Ciclo !!!


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

NOSSO OFÍCIO

As dimensões da capoeira são amplas e significativas; não passamos despercebidos por ela,mas sua decodificação permanece em um processo de transformação e adequação as mais diversas realidades; capoeira é constança e contiguidade.É um rizoma, diria na teoria deleuziana.Não é raiz nem tronco, está no meio, entre.Difícil defini-la ou falar somente sobre um aspecto das multiplicidades dessa arte-luta-dança...


Uma provocação ou desconcerto desautomatiza qualquer durão que se defronta coma criança na capoeira;um jovem nos tira o tédio e nos desafia à vitalidade no toque do berimbau;o idoso singulariza nosso viver e dignifica nossa curta existência tão somente no gingar; a mulher e o deficiente sensibilizam, provocam reflexões e nos humanizam.


As trocas, vivências, experiências e o compartilhamento de conhecimento não dão conta de trafegar na totalidade da capoeira.À que se propõe a capoeira,portanto?Há uma carga de experiência e uma profunda resistência no seu fazer;sinaliza para áreas do conhecimento afins;é possível percebê-la entre; no meio  dos estratos sociais vantajosos ou não!


Outro dia, minha aluna de dois (2) anos me trouxe uma maçã!Porque era o dia da capoeira na escola,dizia o pai dela.Que leitura fazemos disso?Os significados e significâncias estão no bojo de competências  que são atribuídos na prática constante de profissionais da capoeira que se destinam ao ofício de ensino-aprendizagem.As possibilidades são infinitas!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

BEBÊS NA CAPOEIRA

Os primeiros anos de vida da criança representam a fase de maior abertura e absorção para aprender coisas novas a respeito do mundo que a cerca.Sendo assim, as experiências promovidas em um berçário na Educação Infantil podem estimular aproveitamento na aprendizagem.



A plasticidade do cérebro é altamente influenciada pelas relações socioafetivas nas interações dos bebês com seus cuidadores através de estímulos de diferentes funções ( cognitivas e emocionais) em que os pequenos podem assimilar muita informação de maneira tão rápida.É uma fase de desafios e oportunidades de ambos os lados tendo a CAPOEIRA como ferramenta nos processos educativos e formativos  na Educação Infantil, o Educador  carrega em sua prática a experiência lúdica capaz engendrar poder de interação e significado para competências futuras dos pequenos.




A liberdade de brincar e experimentar permite desenvolver a imaginação sem tolher a autonomia do bebê.Um berimbau no berçário, enquanto brinquedo novo, propicia uma gama de interações e reações por meio das cores, texturas, acessórios e maneiras de produzir som compondo um rico repertório para estimular a musicalidade e  desenvolver o cérebro auxiliado pela visão, olfato, audição, paladar e tato que se apropria da informação por meio de um estímulo que veio de um  ambiente adequado.



As cantigas de capoeira trazem acalanto e sossego bem como estímulos que reverberam nos gestos e olhares curiosos dos pequenos.Destaca-se nesta fase a prática do Educador  que pode ser enriquecida de mímicas, caretas, vozes e gestos na fala com o bebê que estimula a aproximação da linguagem oral sem perder as características da capoeira.Portanto sabemos que o aprendizado se estenderá e fará parte das próximas etapas.