para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

quarta-feira, 17 de março de 2010

OS CAPOEIRAS NA CORTE IMPERIAL 1850-1890

     Juntamente com prostitutas,malandros, boêmios,estivadores, e policiais,os capoeiras faziam parte da buliçosa "fauna" das ruas da Corte Imperial do Rio de Janeiro nos últimos anos do século XIX.As " maltas de capoeira", grupos de negros ou homens pobres de todas as origens,portando facas e navalhas, atravessando as ruas em "correrias",assustavam as camadas médias e as elites, sendo igualmente temidos pelos hábeis golpes de corpo.Na metade do século XIX a capoeira era quase exclusiva dos escravos e da população negra urbana em geral.Com o correr das décadas,porém,ela incorporaria homens brancos e imigrantes europeus de várias nacionalidades,mostrando a riqueza e a complexidade da cultura urbana construída por africanos e "crioulos"em terra carioca.Os capoeiras e suas maltas também tiveram papel decisivo no jogo político na Corte durante as últimas décadas da monarquia,em atuação interrompida pelo novo regime republicano.Somente nos anos 1930 e 40 a capoeira voltaria ao cenário, mas agora como "esporte popular"e símbolo da nacionalidade brasileira.
    É todo este mundo,desafiador e desconhecido, que o livro de Carlos Eugênio Líbano Soares nos revela.

A negregada instituição: os capoeiras na Corte Imperial 1850-1890  Rio de Janeiro:Access,1999.

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