Juntamente com prostitutas,malandros, boêmios,estivadores, e policiais,os capoeiras faziam parte da buliçosa "fauna" das ruas da Corte Imperial do Rio de Janeiro nos últimos anos do século XIX.As " maltas de capoeira", grupos de negros ou homens pobres de todas as origens,portando facas e navalhas, atravessando as ruas em "correrias",assustavam as camadas médias e as elites, sendo igualmente temidos pelos hábeis golpes de corpo.Na metade do século XIX a capoeira era quase exclusiva dos escravos e da população negra urbana em geral.Com o correr das décadas,porém,ela incorporaria homens brancos e imigrantes europeus de várias nacionalidades,mostrando a riqueza e a complexidade da cultura urbana construída por africanos e "crioulos"em terra carioca.Os capoeiras e suas maltas também tiveram papel decisivo no jogo político na Corte durante as últimas décadas da monarquia,em atuação interrompida pelo novo regime republicano.Somente nos anos 1930 e 40 a capoeira voltaria ao cenário, mas agora como "esporte popular"e símbolo da nacionalidade brasileira.
É todo este mundo,desafiador e desconhecido, que o livro de Carlos Eugênio Líbano Soares nos revela.
A negregada instituição: os capoeiras na Corte Imperial 1850-1890 Rio de Janeiro:Access,1999.

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