para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 1 de maio de 2010

impressões da roda II

Ali no espaço Muffato está acontecendo uma boa roda de capoeira toda a última sexta-feira do mês.
As impressões que este tipo de roda causa em nós que estamos envolvidos com a capoeira a tantos anos ainda surpreende: ainda tem desafios mas dá satisfação. É impossível, depois de vinte e tantos anos, mensurar o número de rodas de capoeira que estas " pernas" trilharam...AHH! se minhas pernas falassem!! e permanece a sede de jogar, jogar e jogar.
A diversidade é um dos aspectos importantes, pois os Grupos de outros locais entram nesta dança universal fazendo que os ingredientes de uma boa roda torne o "caldeirão efervescente". As trocas são muito boas, a individualidade prevalece onde cada capoeirista ali presente, diante de uma profusão de sentimentos, faz sua entrega aos preceitos da arte-luta-dança.
Diante de tantos anos na capoeira, vivendo-a intensamente, percebi que, neste rito de passagem onde impera a coletividade  os sentimentos vêm a tona. E mesmo que a gente consiga canalizar forças ou fazer da roda um escape, estamos todos vulneráveis. É neste exato momento que uma carga de valores, responsabilidades e sentimentos ditam as regras do jogo: para a maioria é uma ressocialização. Assim que o tempo passa é preciso assumir outra postura, outros valores, trocar a roupa, mudar de cor. E isso causa angústia, dor.
É isso mesmo, quem ficou procura e tenta mudar; outros desistiram da caminhada.Sim,a capoeira é pra todo mundo, mas nem todo o mundo é pra capoeira.Talvez a roda de capoeira faça sua seleção natural.
Aos alunos Tica,Jeitoso,Sagui,Mosca,Chinchila,Cadeado,Sanfona,Cigano e Delicada obrigado pela companhia na roda ontem. Abraço à todos!!

2 comentários:

  1. Minhas impressões da roda: um bom axé, boa companhia e boa diversão. Citando Mestre Pastinha, "tudo que a boca come". E se dizer que Mestre Bimba 'desceu' pra roda pode parecer presunção, digamos então que ele estava de olho. Pois ali, a árvore da capoeira dá e continuará dando muitos frutos.

    Salve!

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  2. Sem dúvida participar da roda é sempre uma entrega...seja da forma que for (canto, jogo, organização,etc.), e nos dispomos a "dançar conforme a música", seja do berimbau ou do embalo da batida do coração, porque há sem dúvida a profusão de sentimentos, como bem coloca o professor, e o bailado da vida se materializa na dança-luta capoeira. Impossível nos desprendermos dos sentimentos...por isso ficamos vulneráveis. Tá aí...ainda que se jogue no mesmo local, com as mesmas pessoas, as impressões da roda serão sempre diversas por conta da instabilidade, imprevisibilidade,e a busca subjetiva do capoeirista...ora mais racional, ora mais sentimental, fazendo cada roda somar mais um aprendizado (maior ou menor), mas sempre significativo!
    "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião...o tempo rodou num instante, nas rodas do meu coração!".

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