para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

domingo, 3 de outubro de 2010

Summertime

Parou para sentir o que sentia. E sentiu tudo de uma vez. Agora as cortinas estavam abertas: é a jaguatirica da capoeira que se apresenta para o mundo, hurra!! A luz que vinha de fora, podia agora entrar pela sala  e iluminá-la do centro ao fundo e lá está ela a debruçar-se ao som percutido de seu berimbau que dizia-lhe: sempre estive por aqui!! Esta mulher, serena com um tom leve qualquer é minha aluna; melhor dizer somos aprendentes e ensinantes. Temos coisas em comum na difícil arte de ensinar e aprender. A capoeira chegou para ela na hora certa, nem antes nem depois! A luz da arte jogada e percutida encostou-se nela, depois a atravessou e aninhou-se a ela como para esquentá-la. Será prazer isso? E eu aqui achando que é felicidade?Ah, tanto faz, os dois moram bem perto. Talvez a jaguatirica (Deisi) mantinha-se tão reta na sua forma de pensar e agir a vida que não imaginava que era curva, que era linha redonda, que era barriga, que era círculo do começo ao fim...A CAPOEIRA. Estava mesmo abrindo as cortinas para a jaguatirica, espreguiçava-se nesta hora...tinha vida o mundo afora. " a hora é essa, a hora é essa..." cantava ao som de seu instrumento monocórdio. Silêncio. É o que vive esta mulher. Silêncio de batidas no peito, atabaque e caxixis. E o corpo chegando aonde se deseja. Desejos sem medidas ainda permanecem e insistem em pernadas que sobem e descem, vão e vêm despreocupadas com o tempo. O seu silêncio não era solidão, era só um vazio bem cheio de ser. Sabia que tinha histórias para contar: não é que tinha entendido a capoeira! A jaguatirica que ronda entre ipês, cantigas, berimbaus, atabaques, e porquês  sorri e fecha os olhos  " ela tem direito à doze segundos". Para a Deisi, a capoeira é e sempre será.
Parabéns pelo seu níver...felicidades sempre.

Um comentário:

  1. Idade?
    Simplesmente um complemento à felicIDADE

    Capoeira me chamava.
    Corria em minhas veias.
    Sem saber, sem ver...
    Eu a sentia.
    Meu coração tem o ritmo do atabaque.
    Berimbau não cohecia, voz não saía.
    Rato,
    mestre em ver o que não vemos,
    percebeu meu vazio
    pronto a encher-se de histórias e cantigas.
    E quando preencheu meu ser...
    Cantei à vida!!!!

    Obrigada Rato, suas palavras foram um presente e tanto.
    Jaguatirica

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