Conheci este camarada da maneira mais difícil na roda de capoeira: fazendo um jogo perigoso...trocando "porrada". Mas diz o ditado que "há males que vêm para o bem", e, daquele dia em diante passamos a nos respeitar, valorizar a capoeira de cada um. Ele, tem um grande jogo de capoeira: não é um capoeira pula-pula; ele tem fundamento, estilo, visão e uma maneira de jogar como poucos por aí, e continua evoluindo.... Hoje em dia o professor "URSO" é um capoeirão das rodas, além disso pude comprovar o seu alto grau de humanidade e preocupação com o andamento do evento de seu mestre, ontem no Centro de Convenções de Curitiba. Eu me identifico com este "cara" porque nossas histórias na capoeira são parecidas: momentos de tristeza e decepção, porém a luta, os amigos, a família, o mestre não o deixou parar com a capoeira. Todo este caldeirão de sentimentos faz parte da vida de muitos capoeiristas que fazem sua história a muito custo. As formaturas que existem na capoeira são importantes, seria bom que não perdêssemos nenhuma, pois as histórias de vida de cada capoeirista que se forma nessa roda da vida é fenomenal. É isso aí camarada URSO, concordo com as palavras dos mestres: se você parar, a roda de capoeira fica mais vazia de qualidade, destreza e de um capoeirista de mão cheia. Você conseguiu vencer mais uma, pela sua força física, intelectual e principalmente espiritual nas rodas de capoeira. Parabéns pela nova graduação, estamos juntos nessa caminhada. Quando precisar é só me chamar! e obrigado pela amizade sincera.
para um bom leitor
...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Depois de nós!!
Analisando todo o caminho percorrido até aqui, a capoeira me traz um balanço geral: três (3) gerações de capoeiristas passaram por minhas mãos e meus pés. Levo em conta o tempo (5 anos) para graduar um aluno (corda-laranja) e o contexto histórico das gerações que sucederam nos locais onde trabalho, em especial as academias Hot Center (15 nos de trabalho) e Corpus (12 anos de trabalho). Nestes lugares, trabalho até hoje. Naquele tempo, éramos todos principiantes no ensino da arte; a capoeira, ainda carregada de preconceitos começava adentrar nas poucas academias de Curitiba. No entanto foi uma grande novidade, mesmo sem darmos conta de que a capoeira era tida de forma reducionista como uma "modalidade de ginástica", tínhamos em mãos um grande instrumento de educação e interação para todo o tipo de pessoa. Desta forma foram chegando os alunos, desconfiados ou sem intenção muitos ficaram por longos anos ao meu lado, outros nem tanto. É a prática da vida, ganhar ou perder faz parte do itinerário. Ensinei muitos à gingar, construí amizades que são eternas. Cada geração é marcada por um compasso, tem sua especificidade, tem um modo de agir e pensar. É com este aprendizado que continuo me estruturando como pessoa; algumas imagens, pessoas, momentos são vibrações que hora ou outra remetem à saudade. Mas chegamos até aqui, e pretendo estar sempre em consonância com o tempo e as pessoas a medida que vou caminhando, e, pensando bem, os ventos sopram em outras direções. Sob outros olhares a história se refaz com a nova geração que está chegando; juntos preparamos o terreno para perpetuar novos saberes, olhares, atitudes...mas jamais será como antes!! como será...depois de nós?
sábado, 6 de novembro de 2010
cadinho de cada cousa
Às vezes são histórias tacanhas, triviais, inúteis talvez, infantis; amontoado de cenas do cotidiano, de insatisfação, de amor, de demência, de ordem e desordem. Lixo.Lixo!Lixo? Devo escrever? Já li textos extremamente açucarados para o gosto da crítica e gostei. Ser ou não ser lixo é questão de ponto de vista! Agradeço por deixarem passar "alguma coisinha" em nome da democratização. De fato são sempre as mesmas interrogativas, cantam as mesmas "cousas" de sua época: política, censuras, sentimentos, frustrações e por aí...Entretanto posso ficar horas deleitando-se em palavras, é talvez o meu triunfo debruçar sobre os teclados ou papéis; é um dos meus estados criativos. Não é possível ficar sem...É sempre um caso de abertura, de possível, de devir. Esta experiência me arranca do mundo e me coloca novamente nele como o eterno retorno, assegurando o inevitável rompimento das verdades e das certezas. No lugar do usual, cavar e inventar realidades abertas ao vento dos acontecimentos. O texto, no instante em que é lido, torna-se soberano, edifica o seu próprio tempo. Mas, paradoxalmente, à medida que lê, afasta-se dele forjando seus próprios pensamentos, como diz Barthes: "Nunca lhe ocorreu ao ler um livro, interromper com frequência a leitura, não por desinteresse, mas ao contrário, por fluxo de idéias, excitações, associações?Numa palavra, nunca lhe ocorreu ler levantando a cabeça? É essa leitura, ao mesmo tempo inrrespeitosa, pois que corta o texto, e apaixonada, pois que a ele volta e dele se nutre, que tentei escrever" (p.26). E nesse cadinho das cousas é preciso ler de cabeça erguida.
a compreensão do erro como possibilidade de acerto
A existência de um ambiente de confiança entre educador e educando para que ousem trazer seus não-saberes pode e deve ser vivido na prática da capoeira. Isto se dá pela postura de fazer perguntas, o que não é prática comum entre nós.Na verdade, o que acontece com muitos de nós é justamente o contrário: nos tornamos especialistas em dar respostas. E quando perguntamos, é somente para confirmar nosso saber e conferir o saber do outro; assim o ato de perguntar se dá de forma isolada. As perguntas surgem em momentos de dúvida, de reconhecimento, de readequação de nosso discurso. Aprendo a perguntar mediante o aprendizado de aprender a falar; está ancorado em outras vivências. O ato de perguntar é a possibilidade de criar, ao mesmo tempo entrelaçar os fios de tecido da minha/nossa prática na capoeira. Penso que, aquele que educa/ensina, vive na prática a compreensão do erro como possibilidade de acerto. Então, será que quando damos respostas prontas e mastigadas aos nossos alunos não estamos anunciando/denunciando que não queremos que eles entrem em contato com os nossos não saberes? Fica a indagação...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
me lembro um dia
Talvez um dia de cada vez...no auge de minha inquietude procuro resquícios e "possibilidades mais" para se pensar o que mais sei fazer nessa vida: jogar capoeira. É um vício de treinar! não existe feriado ou tempo ruim; faz-se de chinelo, de sapato ou descalço; na lama, no barranco,no mato. Tudo isso porque o tempo insiste, este sim nos atormenta, alertando sobre nossa finitude, mas ao mesmo tempo nos prepara e transforma para o infinito. No mundo da capoeira é assim, o uno deve se dar conta do múltiplo dialogando com o passado, presente e futuro; é a vontade de fugir do reducionismo; a capoeira busca pensar o que todos vivem com todo o tipo de experiência: o jogo falado, jogado, treinado, balanceado dá conta de tudo. Meus alunos compõem esta história; acho que já tenho alguns discípulos nessa maneira de pensar. Estes entendem bem essa sede que cede aos encantos do berimbau; valentes reprovam no canto de olho e passam rasteira no calendário apertado. Nesta altura da vida, descobri que choro de olhos fechados por conviver com as belas pessoas; as menos belas e decepcionantes também provocam a lágrima seca. Foi, e está sendo assim, o escritor recorre à própria memória para relembrar o dia em que a capoeira oferecia um lugar seguro para a gente interpretar nossos cantos, como se fosse um palco. Ela ainda oferece, basta estar com os olhos sedentos de curiosidade, feito crianças, atentos às histórias que se contam por aí.
Assinar:
Postagens (Atom)