Talvez um dia de cada vez...no auge de minha inquietude procuro resquícios e "possibilidades mais" para se pensar o que mais sei fazer nessa vida: jogar capoeira. É um vício de treinar! não existe feriado ou tempo ruim; faz-se de chinelo, de sapato ou descalço; na lama, no barranco,no mato. Tudo isso porque o tempo insiste, este sim nos atormenta, alertando sobre nossa finitude, mas ao mesmo tempo nos prepara e transforma para o infinito. No mundo da capoeira é assim, o uno deve se dar conta do múltiplo dialogando com o passado, presente e futuro; é a vontade de fugir do reducionismo; a capoeira busca pensar o que todos vivem com todo o tipo de experiência: o jogo falado, jogado, treinado, balanceado dá conta de tudo. Meus alunos compõem esta história; acho que já tenho alguns discípulos nessa maneira de pensar. Estes entendem bem essa sede que cede aos encantos do berimbau; valentes reprovam no canto de olho e passam rasteira no calendário apertado. Nesta altura da vida, descobri que choro de olhos fechados por conviver com as belas pessoas; as menos belas e decepcionantes também provocam a lágrima seca. Foi, e está sendo assim, o escritor recorre à própria memória para relembrar o dia em que a capoeira oferecia um lugar seguro para a gente interpretar nossos cantos, como se fosse um palco. Ela ainda oferece, basta estar com os olhos sedentos de curiosidade, feito crianças, atentos às histórias que se contam por aí.
"O tempo não pára...", como poeticamente canta Cazuza. E ainda, para não cair na armadilha da vida, do tempo perdido, é que se faz necessária a busca pelo que se gosta de fazer. Sim, a esta altura da vida a busca é mais seletiva, e as "idéias correspondem aos fatos". Dia desses, em uma discussão na mídia, um parlamentar diz ao outro: "Respeitar o tempo alheio é uma cortesia que se impõe!". E eu complemento: respeitar o próprio tempo é um compromisso que se impõe, é lei!!!
ResponderExcluirAdorei o texto!
Bjo
Talvez um dia...
ResponderExcluirou muitos
encontrar-se-ão
Tempo e Espaço
numa roda astral
em que sedentos
de berimbau
jogam e cantam
esquecendo-se
da finitude...
das lágrimas...
dos compromissos...
Aflorando apenas
ginga, brincadeiras...
Amigos
Ahhhhh...eu tive vários desses dias, de esquecer a finitude, as lágrimas,compromissos...deixando-me livre para saborear os prazeres da roda, do berimbau, das "gentes". Creio que a roda astral acontece sempre, porém, os efeitos dela é para poucos...os que se entregam por inteiro, e fazem do mal, o menor mal.
ResponderExcluirBom pra quem sente, esses são velas e não lâmpadas, como diz Rubem Alves!!!
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