para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

me lembro um dia

Talvez um dia de cada vez...no auge de minha inquietude procuro resquícios e "possibilidades mais" para se pensar o que mais sei fazer nessa vida: jogar capoeira. É um vício de treinar! não existe feriado ou tempo ruim; faz-se de chinelo, de sapato ou descalço; na lama, no barranco,no mato. Tudo isso porque o tempo insiste, este sim nos atormenta, alertando sobre nossa finitude, mas ao mesmo tempo nos prepara e transforma para o infinito. No mundo da capoeira é assim, o uno deve se dar conta do múltiplo dialogando com o passado, presente e futuro; é a vontade de fugir do reducionismo; a capoeira busca pensar o que todos vivem com todo o tipo de experiência: o jogo falado, jogado, treinado, balanceado dá conta de tudo. Meus alunos compõem esta história; acho que já tenho alguns discípulos nessa maneira de pensar. Estes entendem bem essa sede que cede aos encantos do berimbau; valentes reprovam no canto de olho e passam rasteira no calendário apertado. Nesta altura da vida, descobri que choro de olhos fechados por conviver com as belas pessoas; as menos belas e decepcionantes  também  provocam a lágrima seca. Foi, e está sendo assim, o escritor recorre à própria memória para relembrar o dia em que a capoeira oferecia um lugar seguro para a gente interpretar nossos cantos, como se fosse um palco. Ela ainda oferece, basta estar com os olhos sedentos de curiosidade, feito crianças, atentos às histórias que se contam por aí.

4 comentários:

  1. "O tempo não pára...", como poeticamente canta Cazuza. E ainda, para não cair na armadilha da vida, do tempo perdido, é que se faz necessária a busca pelo que se gosta de fazer. Sim, a esta altura da vida a busca é mais seletiva, e as "idéias correspondem aos fatos". Dia desses, em uma discussão na mídia, um parlamentar diz ao outro: "Respeitar o tempo alheio é uma cortesia que se impõe!". E eu complemento: respeitar o próprio tempo é um compromisso que se impõe, é lei!!!

    Adorei o texto!
    Bjo

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  2. Talvez um dia...
    ou muitos
    encontrar-se-ão
    Tempo e Espaço
    numa roda astral
    em que sedentos
    de berimbau
    jogam e cantam
    esquecendo-se
    da finitude...
    das lágrimas...
    dos compromissos...
    Aflorando apenas
    ginga, brincadeiras...
    Amigos

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  3. Ahhhhh...eu tive vários desses dias, de esquecer a finitude, as lágrimas,compromissos...deixando-me livre para saborear os prazeres da roda, do berimbau, das "gentes". Creio que a roda astral acontece sempre, porém, os efeitos dela é para poucos...os que se entregam por inteiro, e fazem do mal, o menor mal.

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  4. Bom pra quem sente, esses são velas e não lâmpadas, como diz Rubem Alves!!!

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