para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 22 de janeiro de 2011

ímpeto

Enquanto houver a roda de capoeira  tudo teima em se alterar: os atores que nela se constituem prorrogam-se em alternâncias de sentido e humor;  o de dentro quer sair e o de fora quer entrar. Mas não seria isso "ser hum-mano"?Todo dia raro, todo dia novo: assim alimento-me de seus significados. Há tempos tudo se instala no lugar: uns para os outros, uns mais que os outros. É dali que um músculo chamado vulgarmente de músculo as coisas se entornam. Dali passaram-se a transcrever os barulhos de seus peitos porque era preciso sentarem a cabeça sobre o colo um do outro. D´então passara a não chamar de nome porque virara costela, cotovelo, encosta, riacho. Aquele músculo que chamava todas as almas de colheita e toda fartura chamava-se d´alma. Dali, daquele vulgarmente coração chamado de músculo atravessou todo o revestimento de osso e pele. E tem certos dias, como hoje, preenche a imensidão do horizonte. Nessas alternâncias de entradas e saídas o convite espreita o leitor ausente: E se dissesse: fica...fulgura ainda a vontade de jogar, tocar, cantar? A quantas anda a secura da capoeira? Sei que não trairia esse gosto mesmo se quisesse. Não sobra espaço entre as mãos que se apertam!

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