Enquanto houver a roda de capoeira tudo teima em se alterar: os atores que nela se constituem prorrogam-se em alternâncias de sentido e humor; o de dentro quer sair e o de fora quer entrar. Mas não seria isso "ser hum-mano"?Todo dia raro, todo dia novo: assim alimento-me de seus significados. Há tempos tudo se instala no lugar: uns para os outros, uns mais que os outros. É dali que um músculo chamado vulgarmente de músculo as coisas se entornam. Dali passaram-se a transcrever os barulhos de seus peitos porque era preciso sentarem a cabeça sobre o colo um do outro. D´então passara a não chamar de nome porque virara costela, cotovelo, encosta, riacho. Aquele músculo que chamava todas as almas de colheita e toda fartura chamava-se d´alma. Dali, daquele vulgarmente coração chamado de músculo atravessou todo o revestimento de osso e pele. E tem certos dias, como hoje, preenche a imensidão do horizonte. Nessas alternâncias de entradas e saídas o convite espreita o leitor ausente: E se dissesse: fica...fulgura ainda a vontade de jogar, tocar, cantar? A quantas anda a secura da capoeira? Sei que não trairia esse gosto mesmo se quisesse. Não sobra espaço entre as mãos que se apertam!
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