Os gestos estão todos lá trancados na memória de cada capoeirista, atrás de janelas que desnudam o universo da roda de capoeira. Embora essa hora seja semelhante a todas as outras em que houveram uma roda de capoeira , guardo a impressão do nascimento de tudo. O absoluto renasce toda vez que se agacha ao pé do berimbau, e foram tantas que os joelhos falam por si. Mas é deste modo que tudo começa a fazer sentido. Mesmo que permaneça eternamente na caderneta o esboço de um novo capoeira, percorro a roda olhando para minhas mãos e meus pés e devo dizer que enxergo novas arestas em tudo. Imagino que a capoeira traz dentro de si outras coisas completamente imperceptíveis e que só faz sentido no jogo jogado. Vejam quanto consolo, imprecação, desespero, pacificação, enfim quantas vidas cabem em um jogo-também quantas mortes! Portanto, deixem que a roda de capoeira trafegue por dentro de suas almas, há um cenário de berimbaus e capoeiras que se esparramam e voam sob o chão. A presença na roda significa trafegar em outras estações, em meio à estas existe uma educada maneira de viver.
Será que podemos dizer para a roda de capoeira que não há nada que nos separe??
Valeu Tica, Chinchila, Sagui, Pigueto e Cigano que somente deu uma passada na roda.
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