para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

20:00 h

Os gestos estão todos lá trancados na memória de cada capoeirista,  atrás de janelas que desnudam o universo da roda de capoeira. Embora essa hora seja semelhante a todas as outras em que houveram uma roda de capoeira , guardo a impressão do nascimento de tudo. O absoluto renasce toda vez que se agacha ao pé do berimbau, e foram tantas que os joelhos falam por si. Mas é deste modo que tudo começa a fazer sentido. Mesmo que permaneça eternamente na caderneta o esboço de um novo capoeira,  percorro a roda olhando para minhas mãos e meus pés e devo dizer que enxergo novas arestas em tudo. Imagino que a capoeira traz dentro de si outras coisas completamente imperceptíveis e que só faz sentido no jogo jogado. Vejam quanto consolo, imprecação, desespero, pacificação, enfim quantas vidas cabem em um jogo-também quantas mortes! Portanto, deixem que a roda de capoeira trafegue por dentro de suas almas, há um cenário de berimbaus e capoeiras que se esparramam e voam sob o chão. A presença na roda significa trafegar em outras estações, em meio à estas existe uma educada maneira de viver.
 Será que podemos dizer para a roda de capoeira que não há nada que nos separe??
Valeu Tica, Chinchila, Sagui, Pigueto e Cigano que somente deu uma passada na roda.

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