para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

envelheço na cidade-3.7

Todo santo dia sem tardança, alunos de vários pontos da cidade gingam sob mãos e (pés tesos) contrastando com o canto solto do capoeira que bate seus "cambitos" e esmiuça vidas no atendimento de seus serviços de professor de capoeira (essas coisas). É o seu oficio; desune as pernas com ligeireza em simetria com o tanger das mãos debaixo da quentura ou do frio das academias de Curitiba. Sem falta o berimbau dá o seu acorde até altas horas da noite. Bambeia feito equilibrista não só na capoeira, mas na lida diária desviando dos paralelepípedos e "busão" abarrotados. No entanto, ele pensa o quanto é múltiplo e gigantesco o legado dos capoeiras que dão e deram a vida pela arte da capoeira. Para este operário da arte, existe um rigor na sua prática; não aprecia uma obra que não seja o máximo, exige excelência e qualidade nas escolhas. E aprendeu que sobre as coisas não explicadas restam as palavras para dizer o possível. ÉH! Os movimentos da capoeira se sobrepõem uns aos outros, a imagem mental se transforma em imagem escrita e o capoeira transcreve o enigma das imagens em produto da criação. Ele entende mais do que ninguém que o ato da espera torna-se elemento de eficácia e efeitos (alguns pensam que é acomodação!), pois há um "enchimento" na espera. A espera é um estado de vigília constante; assim ele envelhece na cidade.

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