Pode-se dizer,mesmo, que na posição de capoeiristas da antiga e nova geração,nos descobrimos "ser políticos". Compreendemos a significação coletiva de nossos atos, e temos consciência de que, através deles, podemos modificar a realidade social, vale dizer, a nossa situação no mundo. Para tornar mais claro o que afirmo, estabeleço um paralelo entre a redescoberta hoje que fazemos na "roda de rua". O contexto dessas rodas a céu aberto, localizados em lugares específicos da cidade promoveu intensa transformação desde os anos noventa até agora: correrias, estranhamento, divulgação até chegar em uma relação dialética entre os " sobreviventes" daquela época até agora. Realmente os tempos são outros. Naquele tempo fazia capoeira pela auto-afirmação individual e coletiva, era a lei do mais forte. Mas a vontade de pensar uma capoeira que soma e agrega já tinha seus fluídos, estava na mão de poucos porém bons articuladores que não sucumbiram ao pior comportamento capoeirístico. A partir disso, a vontade pensar por conta própria de alguns mestres não encontrava incentivo nas rodas: aquela pancadaria que acontecia não ia chegar a lugar nenhum.Muitos desistiram ou não existem mais para contar a história. Aos sobreviventes restou o movimento, a dinâmica, as possibilidades que a capoeira apresenta atualmente. É hora de captar outra imagem da arte, a capoeira é uma realidade geográfica, étnica, lendária. E no fazer e ser político, tão natural para o capoeira no seu dia-dia, torna-se claro o fenômeno cultural que faz o mundo gingar; os capoeiristas do mundo cotemporâneo fazem consideráveis transformações. E é claro que não se afirmará que só tem função social a roda que contiver formulação política explícita. A capoeira é complexa e dinâmica para que possa se sustentar somente em uma perspectiva. Os críticos aceitam a participação política do capoeira, na verdade ele o é,no entanto temem naturalmente o sobrepor em termos absolutos o problema ideológico, partidário. Especificamente a roda de rua é engajada politicamente, o que não é mais que a expressão de ponto de vista do seu entorno por ventura justo. O capoeira reflete e atua na sua realidade. Se, entendemos a capoeira como um dos vários campos em que se formulam e exprimem as experiências humanas em toda a sua amplitude, aberto portanto à realidade dos fatos e dos problemas dos homens,então teremos mais facilidade em compreender os próprios fenômenos: culturais, sociais e políticos.
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