É importante destacar que o termo "mediação" encontra significados em vários estudiosos do assunto. Para alguns autores o termo se apresenta em seu sentido genérico como a ação de relacionar duas ou mais coisas, é "ponte" ou intermediário, mas também passagem de uma coisa à outra. Na tradição filosófica clássica, a noção de mediação está na necessidade de explicar a relação ente duas coisas, sobretudo entre duas naturezas distintas. Os autores contemporâneos apontam a mediação como um tipo especial de interação entre alguém que ensina (o mediador) e alguém que aprende (o mediado). De forma intencional e planejada o mediador age entre as formas externas de estímulo e o aprendiz. Capoeiristicamente falando, este pensamento sempre existiu na prática da capoeira, mas poucos tem a noção do que acontece. Portanto, é importante que estudemos nossas análises e esquemas para que possamos melhorar nossa prática no ensino da capoeira . Neste sentido a ação do mediador deve selecionar, dar forma, focalizar, intensificar os estímulos e retroalimentar o aprendiz em relação às suas experiências a fim de produzir aprendizagem apropriada intensificando as mudanças no sujeito. As contribuições de FEUERSTEIN apud Meier&Garcia (2008) nos ajuda entender alguns critérios para que haja mediação. Para este autor há três critérios que são universais:
1. Mediação da intencionalidade e da reciprocidade: "O mediador precisa ter o objetivo de ensinar e, por meio das suas ações, garantir que o que está sendo ensinado realmente seja aprendido (...)". Este critério na capoeira deve ser permanente pois se objetiva sempre que o aluno evolua através das estratégias à sua disposição e promova um salto qualitativo na forma de jogar com base sólida. A reciprocidade é parte integrante dos ensinamentos pois de nada adianta os esforços contínuos do professor se o sujeito não quer aprender: o mediado precisa querer aprender.
2. Mediação da transcedência: " É a orientação consciente do mediador em ensinar olhando para o futuro, para outros contextos, para situações do além aqui-e-agora". Em todo momento fazemos a relação da capoeira com a própria vida, em outros contextos. O ensinamento não é pontual, restrito a única situação: é aplicável, útil e integrável a outros saberes. Uma capoeira que é eficaz e de qualidade tem o poder de autoperpetuar-se,é um processo de "aprender a aprender".
3. Mediação do significado: "O significado cria uma nova dimensão para o ato de aprender, levando a um envolvimento ativo e emocional no desenvolvimento da tarefa". Mais do que tudo é preciso que o aluno (aprendiz, mediado) aprenda a buscar significado naquilo que faz. O profissional da capoeira deve mediar significado apondo-se a uma descontextualização, ao que manda memorizar ao invés de compreender.
Fonte: Meier e Garcia, Marcos e Sandra. Mediação da Aprendizagem: contribuições de Feuertein e de Vygotsky.Curitiba: Edição do autor, 2008.
UFA!!! me empolguei...prometo que o próximo vai ser mai enxuto. Um grande abraço aos meus leitores!
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