"Capoeira é tudo que a boca come" (Mestre Pastinha). Esta consagrada frase nos coloca diante de um ato divino: diante da "comida" estamos perante um "recebimento". Isso demonstra que além da cultura e a religião, não apenas indicam o que pode e o que não pode ser ingerido, pois estabelece prescrições e proibições, além de distinções entre o que é considerado bom e ruim, cujas classificações, apontam para hierarquias culturais e merecimento. Aqui, a narrativa da memória do gosto atem-se por meio da comida ingerida: o que a boca come expressa alegrias, tristezas, frustrações, lembranças, dúvidas e buscas, talvez um jogo contínuo de troca de confidências e aceitação. Se a capoeira é tudo que a boca come,o próprio capoeira opta por não comer tudo, pois há uma escolha, uma seleção do que é considerado comida.Isto acontece em qualquer cultura. A história dos alimentos remete a ideia das origens reais ou simbólicas das civilizações humanas. O banquete cultural é mais simbolizado pelo ritual de compartilhamento do que consumo em si, mas façamos o seguinte: jogamos tudo numa mesma panela (comida, literatura, idéias e significados). Nem é preciso cozir muito para perceber que é dessa mistura que se forma um dos campos que mais permite a manifestação dos rituais à mesa e a importância da comida na formação da identidade de um grupo. Quando se trata de comida as palavras conseguem provocar mais do que reações orgânicas. Portanto, bon appétit!!
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