para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

domingo, 25 de março de 2012

Pelo viés da metáfora

"Capoeira é tudo que a boca come" (Mestre Pastinha). Esta consagrada frase nos coloca diante de um ato divino: diante da "comida" estamos perante um "recebimento". Isso  demonstra que além da cultura e a religião, não apenas indicam o que pode e o que não pode ser ingerido, pois estabelece prescrições e proibições, além de distinções entre o que é considerado bom e ruim, cujas classificações, apontam para hierarquias culturais e merecimento. Aqui, a narrativa da memória do gosto atem-se por meio da comida ingerida: o que a boca come expressa alegrias, tristezas, frustrações, lembranças, dúvidas e buscas, talvez um jogo contínuo de troca de confidências e aceitação. Se a capoeira é tudo que a boca come,o próprio capoeira opta por não comer tudo, pois há uma escolha, uma seleção do que é considerado comida.Isto acontece em qualquer cultura. A história dos alimentos remete a ideia das origens reais ou simbólicas das civilizações humanas. O banquete cultural é mais simbolizado pelo ritual de compartilhamento do que consumo em si, mas façamos o seguinte: jogamos tudo numa mesma panela (comida, literatura, idéias e significados). Nem é preciso cozir muito para perceber que é dessa mistura que se forma um dos campos que mais permite a manifestação dos rituais à mesa e a importância da comida na formação da identidade de um grupo. Quando se trata de comida as palavras conseguem provocar mais do que reações orgânicas. Portanto, bon appétit!!

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