


O olhar intensivo e extensivo posto sobre os corpos das crianças, jovens e adultos nos permite indagar sobre os significados, no momento e nesta cultura. O corpo tido, por muitos como estável e universal pode servir indicador definitivo e conclusivo das identidades. Mas o corpo também escapa: ele é maleável; fala mil línguas, tem muito significados...ele engana e ilude. Um processo que, ao supor "marcas" corporais, as faz existir: inscreve, instaura diferenças representados e interpretados culturalmente. Tais marcas devem nos "falar" dos sujeitos. Assim, esperamos que elas nos indiquem, sem ambiguidade, suas identidades. A capoeira claramente emerge como resposta da própria cultura à saturação de modelos ou práticas passadas, o que implica a compreensão da dinâmica histórico-cultural das práticas corporais. Evitando a dicotomia entre corpo e mente, o foco do olhar capoeirístico deve mirar-se a questões que se manisfestam explicitamente através das práticas corporais, entre elas: preconceito, relações de gênero, papéis sexuais, violência, consumismo, drogas etc. Afinal são questões do modelo de sociedade em que vivemos, estão expostos nos sujeitos em nossa cultura, em nossos alunos, são novas formas de relação e de convívio social. Quando temos clareza de nossa prática na capoeira superamos sua "prática pela prática", buscamos sua legitimidade, diferenciamos de uma perspectiva "tarefeira", assumimos como profissionais de um saber. Para tanto, senhores educadores, os corpos estão a todo momento querendo nos dizer alguma coisa de sua dimensão humana.