para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!

Quero começar agradecendo aos leitores desse blog pelo acompanhamento e permanência  na leitura dos textos exibidos  ao longo do ano. Com o objetivo de "capoeiristicar" ações práticas e de pensamento, este blog tornou-se um caleidoscópio de reflexões onde cada movimento dado com o corpo, pensamento e coração, possibilitou-nos trazer para o registro escrito parte do que sentimos no universo da capoeira. O misto de poesia e filosofia, o olhar cotidiano, bem como a lente pedagógica e sociológica transbordaram e se encarregaram de cultivar o fazer capoeirístico para além da roda. Embora muitos se esforcem para entender algumas postagens, o jogo de metáforas deve permanecer para provocar no estimado leitor a busca de significado e sentido em outras áreas do conhecimento por meio de leituras,
discussões e a superação do senso comum. Sabemos o quanto que os saberes  das coisas simples nos envolvem e ensinam. No entanto, a bandeira da profissionalização do capoeirista faz parte das discussões contemporâneas, portanto melhorar o argumento e a postura do capoeirista (Educador) faz parte desse contexto. As experiências de outras rodas e encontros de capoeira foram conteúdos para a prática e reflexões deste blog. O ano de 2012 foi intenso nesse sentido, a capoeira em Curitiba está maior e melhor em vários aspectos; estas significâncias dão sentido em  fazer capoeira, afrontam nossos desejos mais internos, quebra preconceitos e promove o crescimento de dentro para fora. Portanto, incentivo à todos que corram roda de capoeira, assumam tais desafios, monitorem constantemente sua vaidade e mantenham o entusiasmo e a paixão pelo que fazem. Estejam sempre preparados!Estudar, ler, ouvir, questionar, observar, treinar constituem o processo da preparação! Por fim, agradeço aos meus alunos e amigos pela emoção compartilhada nas rodas da vida. O milagre acontece todo dia, seja no canto de um passarinho ou vento que sopra na cara, seja no toque de um berimbau ou no corpo que simula e dissimula.
Que o Deus de cada um  ou Deuses continue iluminando o caminho de todos para o bem viver e conviver.Que venha 2013!!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Meus pés me contaram

É sério! Algumas vezes tento me resignar, estar resolvido de que todas as situações que vivenciei com a gestualidade, técnicas do corpo, expressão dos sentimentos, percepções, conduta corporal (sociologicamente falando!) foram conteúdos suficientes para preencher o capoeira. Diante de tantos anos de prática, a confirmação de inscrições corporais que circunscrevem na roda da capoeira estão inseridos em uma rede complexa de correspondências entre a condição humana e a natureza que o cerca. Portanto, a capoeira como prática social é mediador privilegiado e pivô da presença humana, o corpo está no cruzamento de todas as instâncias da cultura é  o ponto de atribuição por excelência do campo simbólico. Afinal, que corpo é esse? O corpo é um significante, ele cristaliza o imaginário social, provoca as práticas e análises que continuam explicar sua legitimidade, a provar de maneira incontestável sua realidade. As maneiras de consentir ou de negar, movimentos da face e do corpo, direcionamento do olhar, variação da distância que separa os jogadores,maneiras de tocar ou evitar o contato etc. referem-se às ações do corpo. Além disso, há as interações que implicam em códigos, em sistema de espera e reciprocidade aos quais os jogadores se sujeitam. Não importam quais as circunstâncias, mas uma certa etiqueta corporal é usada e o jogador a adota espontaneamente em função de normas implícitas que o guiam. Várias são as emboscadas que espreitam o desenvolvimento ordenado da etiqueta; conforme os interlocutores da roda, seu status e o contexto da troca, eles sabem de antemão que tipo de expressão podem adotar e, algumas vezes desajeitado, porém eficiente. No entanto eu não vi,  meus pés me contaram!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Vai profe...!

Ainda que a instituição escolar seja contraditória em seus aspectos educacionais, esta se mantém como espaço/lugar para aquisição do conhecimento científico e reflexão dos saberes. Embora alguns professores estejam reproduzindo a forma como aprenderam os conteúdos de forma tradicional e conservadora há os educadores comprometidos com sua formação no sentido de acompanhar e aperfeiçoar as ligeiras mudanças que acontece em relação ao ensino-aprendizagem dos pequenos. As estratégias pedagógicas estão mais contextualizadas, é relevante o aspecto sócio-cultural de cada criança no ensino dos conteúdos. 


                                      

Para exemplificarmos, temos a CAPOEIRA como estratégia e possibilidade de ensino. Esta arte-luta-dança  deve ser vivenciada e analisada a partir de suas próprias mudanças, de sua leitura histórica, de seus condicionantes e de seus praticantes. A capoeira na escola adquire novos contornos, novas configurações sem perder seus elementos historicamente consagrados. Segundo FALCÃO (1996,p.143) "A capoeira na escola, em suas múltiplas abrangências, deve primar por uma interdisciplinaridade criteriosa, contemplando todas as áreas com as quais apresenta interfaces". 


                                      

A exemplo de um professor que tem a sua prática a busca constante de formação, o profissional de capoeira comprometido com a valorização da capoeira enquanto prática educativa deve conhecer não somente suas técnicas e rituais, mas seu processo histórico. Assim como na escola, historicizando a capoeira é possível ter uma leitura crítica percebendo "suas contradições intrínsecas e extrínsecas" FALCÃO (1996,p.73). Atualmente o cultivo dos fundamentos da capoeira atendem as necessidades e exigências dos alunos. A conteúdo da capoeira no contexto escolar rege uma prática pedagógica que procura fugir de posturas cristalizadas. Embora esteja vinculada ao movimento humano (Educação Física), outras áreas do conhecimento estão disponibilizando a capoeira para passar conteúdos como estratégia pedagógica para gerar aprendizagem nos alunos. Portanto,  a prática da capoeira não pode "ser interpretado como um ato puramente mecânico,mas como um processo onde se interpenetram as dimensões cognitiva, sócio-afetiva e psicomotora do ser humano- o movimento de corpo inteiro" FALCÃO (1996,p.141).


   
Fonte: "A escolarização da capoeira" (José Luiz Cirqueira Falcão)