Tendo a roda como palco da vida, um intrigante embate de valores e experiências pessoais torna-se um emaranhado encontro de dois capoeiras desassemelhados pelo contexto em que sempre viveram, diferentes em relação, sobretudo, ao entendimento que tem sobre a vida. O embate entre os dois capoeiras é um jogo de espelhos entre a experiência de um homem marcado pela rotina- e a experiência do outro despreocupado com o passar do tempo. Tal reflexão é sobre as venturas e desventuras do tipo que ensejam a autocompreensão ao longo da caminhada da vida: uma imagem invertida do espelho do outro, e vice-versa. Interessante nesse diálogo de corpos é a vontade inarredável que os capoeiras sentem ao se aceitarem nessa conversa (neste jogo!). De modo que, um passa a provocar e balançar o outro com suas experiências tão diversas daquelas a que o outro está, afinal, habituado. Podemos notar , como a experiência de um, transforma e balança, a concepção de mundo do outro. Os capoeiras quando jogam são interlocutores inquietos! Nesta inquietude, os capoeiras questionam sua trajetória e põe-se a perguntar pelas vias que conduzem ao futuro, este jogo de perguntas e respostas é uma relação humana que inspira a transformação subjetiva e a mudança comportamental. Sem negar uma relação mais próxima com o outro, ele , mesmo, despertou sua consciência para novidades que aquele outro lhe apresentara durante o jogo da capoeira. O texto agora descrito, nos enseja para a surpreendente experiência na arte de viver...uma crítica à "verdades inabaláveis" e a acomodação.

Quando digo que capoeira é minha filosofia de vida, é exatamente pela descrição que fizeste.
ResponderExcluirEla, a capoeira, sempre traduziu simultaneamente o que sinto/vejo nos relacionamentos diversos da vida.
Não bastasse isso
aprofundo o conhecimento de meu EU profundo.
Tão profundo que é preciso cavar para achar.
Eu reflito no outro.
O outro reflete em mim
e reconheço agora dores e medos
refletidos no espelho.
E tudo para um fim maior
que já antevejo!
Jaguatirica