Passados trinta e poucos anos eu retorno à escola onde aprendi minhas primeiras letras. Desta vez, como estagiário da gestão pedagógica. Observo que a minha primeira escola está sucateada, negligenciada por um Estado que está preocupado em investir milhões em futebol do que na educação de seus cidadãos. A reflexão que faço agora não é o da política educacional e o que tenho a dizer é muito simples. Sãos imagens, o cheiro da sala e a amorosidade de minha primeira professora. Chamava-se Carmem. Confesso que a tenho procurado em meus sonhos, ela já não está entre nós.Mas a sala número 1 da minha primeira série permanece lá povoada de vozes!Tantas outras professoras marcaram minha vida escolar, porém nenhuma outra sobrepõe a forma humana e carinhosa desta educadora. Se o resultado daquelas mãos carinhosas que me ensinou as primeiras letras foi o meu encontro com a Pedagogia, eu a saúdo cara professora. E como é profundo a marca e a falta que o primeiro professor nos faz, pelo menos para mim. Vozes vieram à tona nessa manhã em visita à minha sala de aula, estavam cheia de amor e ternura na sua maneira de ensinar.É,talvez eu tenha herdado tua nobre função, profe!Mas não conseguirei ser igual a você: única e sempre amável. Aqui é tempo de decepções e frustrações. No entanto, o que importa é a plena segurança de que mesmo em tempo de confusão teremos condições de acreditar no professor: nosso supremo herói. Para reiterar a minha vida deixo uma canção à mais para àquela que me ensinou o bê-á-bá. Onde houver sol, estrelas ,gramíneas, sorrisos e lágrimas brilha a loucura tão serena e positiva de um professor. Permaneço em paz e tranquilidade toda vez que minha memória me leva a outra pessoa, cuja imagem é revigorante e valorosa.Eu vos saúdo, velhas alegrias! Juntai-vos imediatamente a mim, e que possais irradiar em minha prática. Eu amava (e não sabia!) a professora que foi pra mim. Agora ELA existe dentro de mim...
Saudades da minha profe!

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