A velocidade da informação do mundo moderno impede a memória e experiência. A obsessão pelo novo tornou os acontecimentos fugazes, de forma que a velocidade com que as coisas e relações humanas acontecem largamente são substituídas por um momento. Sem deixar vestígios, tais acontecimentos afetam também nossa memória porque tudo que acontece no mundo cibernético é imediatamente e igualmente substituído por outro anulando nossas possibilidades de experiência. Capoeiristicamente falando, podemos readequar a linguagem da cultura da capoeira dando SENTIDO ao que SOMOS e o que NOS acontece. Para além da ciência/técnica, teoria/prática uma perspectiva nos dá uma luz: experiência/sentido. A cada dia passam muitas coisas, mas nada nos acontece. Já a experiência é o que nos acontece, nos toca, nos dá sentido. Nesta busca incensante pelo saber ( no sentido de "estar informado" e não no saber no sentido de "sabedoria") nada nos provoca a reflexão ou nos transforma. Quando assistimos um vídeo, lemos um livro ou informação ou fazemos um curso podemos dizer que sabemos coisas que antes não sabíamos, mas podemos dizer também que nada nos aconteceu, não houve mudança nem sentido em nossas atitudes. Isto chama-se vivência instantânea, pontual e fragmentada, o estímulo é dado em forma de choque!! Além disso, a experiência é cada vez mais rara , pela falta de tempo. O capoeirista moderno está eternamente insatisfeito, é consumidor voraz e insaciável de notícias e já tornou incapaz do silêncio; tudo o atravessa, o agita, mas nada lhe acontece. A falta de memória e silêncio são inimigas mortais da experiência. A mediação entre o conhecimento e a vida humana é o saber da experiência. BUENDÍA (2002) nos ajuda a refletir dizendo que "(...)se a experiência é o que nos acontece, e se o sujeito da experiência é um território de passagem, então experiência é uma paixão".
BUENDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. Universidade de Barcelona, Espanha. (2002) n°19

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