para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

CAPOEIRA INCLUSIVA

O valioso trabalho "Capoeira Inclusiva: de mãos dadas e sem se olhar", de Josimar Araujo (Instrutor Vermelho-ABADÁ-CAPOEIRA) vem mostrar através do seu estudo e prática os aspectos inclusivos pertinentes à arte da capoeira. No capítulo "Ensinar segurando as mãos", o autor chama a atenção para com a figura de Mestre Bimba, pois com toda sua personalidade forte e de Lutador tinha sensibilidade ao ensinar pegando nas mãos do aluno. Araujo (2013, p.59) entende que  "Mestre Bimba, ao pegar nas mãos do aluno,com tantas implicações em seu crescimento, faz a pessoa prioritariamente  sentir-se aceita e capaz. Nessa aproximação, a barreira do preconceito foi quebrada, a do inatingível superada, e o sentimento de não pertencente, substituído pelo eu faço parte". Paremos para pensar junto com o autor, a capoeira sempre foi inclusiva desde o tempo da escravidão. Nasciam crianças com problemas congênitos, partos de negras sem êxito causando anomalias, incompatibilidade sanguínea, acidente genético (Síndrome de Down) entre outras. O castigos brutais também causavam algum tipo de  deficiência física, mental  ou motora nos escravos. Nessa reflexão é possível que a capoeira involuntariamente oferecia um contexto de aceitação pautada na autonomia e liberdade, ou seja, a perspectiva da capoeira inclusiva era um meio de sobrevivência dos escravos deficientes. Araujo (2013) traz notícias de jornais da época relatando o perfil de escravos fugidos com algum tipo de deficiência. Vamos refletir também sobre Mestre Pastinha que era cego, Mestre Waldemar da Paixão que tinha " Mal de Parkinson", Mestre Gigante que era excluído por sua estatura baixa, todos esses exemplos de vida  a capoeira sempre incluiu destacando suas potencialidades, seja como jogador, cantador ou tocador nas rodas de capoeira . Segundo o autor da "Capoeira Inclusiva", retornando ao princípio de "pegar pelas mãos"  de Mestre Bimba a capoeira deve"(...) convergir para  aprendizagem, no mais amplo sentido, e na inclusão dos que têm algum tipo de deficiência ou dificuldade de inserção social" (p.59)
Bora entrar nessa roda!!!