para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

TRADUZIR-SE

Com a mundialização e os  processos globalizantes conduzindo práticas de muitos mestres, professores e alunos à uma "folclorização" da capoeira mundo afora, resta refletir como representar uma só identidade, como traduzir essa nobre arte diante da domesticação mercantil, entrecruzamentos, etnocentrismo, fundamentalismo que acerca a arte do berimbau? O que ocorre é a hibridação das culturas sob condições históricas e sociais específicas. Pode-se refletir que a capoeira, assim como outras culturas já não pode ser descrita como unidade estável. Porventura, ao hibridar-se as oportunidades se multiplicaram tanto para a  sua divulgação, como sua pretensa valorização. Por outro lado, a arte se encontra em meio a sistemas de produção consumo e indústria cultural. Porém uma simplificada  noção de hibridação nos leva crer que a capoeira se encaixa nas misturas interculturais moderna; integram e  geram mestiçagens; também segregam e produzem novas desigualdades. E ainda, desterritorializa-se de saberes e costumes para hibridar-se.Falamos de fusões, sincretismos, mestiçagens para traduzir a hibridação que acontece na capoeira. Pensando bem, pode-se construir uma prática da capoeira sem fronteiras como forma de tornar esse mundo mais traduzível; é uma campo vasto onde se convive em meio às diferenças. No entanto deve-se tomar consciência que a arte da ginga ganha e perde ao hibridar-se. A busca artística da capoeira é chave da tradução, consegue ser linguagem e ser vertigem, diria Ferreira Gullar (1983).
Pense nisso!

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