Além de inverter a hierarquia corporal (Reis,1997), que tal trazer uma ideia e voltar para casa com outras tantas?!Esse é nosso principal objetivo com nossas rodas de rua. Agora reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a roda de capoeira sobrevive aos tempos preservando os saberes dos Mestres que já se foram e dos que estão na luta diária. No passado já foi luta de vida ou morte, no mundo moderno a luta continua sob outra ótica: a homogeneização e desaparecimento das culturas. Permanecendo até os dias atuais, a cultura da capoeira se caracteriza pela sua ambiguidade, "eles tão lutando ou tão dançando?" perguntaria um desavisado. A arte do berimbau é o que o momento determinar, a preocupação é constante: um cachorro que atravessa a roda, um bêbado que aparece, amigos ou desafetos que encontram. No meio disso, nossa roda está entravada no meio do sistema que escraviza as pessoas num movimento de vai e vem de consumo desenfreado. Ao som do berimbau a cultura clama pelo valor da diversidade, das trocas, da sociabilidade e da simplicidade. A arte da ginga contradiz e é contraditória pois resgata valores e crenças da cultura popular e se rende aos artifícios da mídia e da política. São os sabores e dissabores que somente quem vive e produz capoeira consegue entender.Dessa maneira construímos família, criamos nosso filhos, perdemos e ganhamos sem deixar o berimbau calar.Esse campo de mandinga é uma maneira de enxergar e explicar o mundo em que vivemos!Valeu camaradas.
* O mundo de pernas para o ar- A capoeira no Brasil (Letícia Vidor de Sousa Reis)
*Mandinga: no jargão capoeirístico destreza, habilidade, manha...a alma do jogo.
E nesse campo onde a alma do jogo floresce, cabe á nós semearmos oque de bom há para colher!
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