O "pé do berimbau" é meu lugar preferido. Nesse rito de passagem predomina o silencioso encontro com o outro jogador e consigo mesmo onde um clique no play de memórias aponta para os primeiros traços de pés e mãos na busca incessante do primeiro jogo. É um trecho que se faz sozinho, cada um a sua maneira.Depois, o que o momento determinar.
Quem agachar emaranhado na teia da experiência buscando parceiros de jornada poderá olhar melancolicamente para trás ou com esperança para frente, fechar os olhos e simplesmente estar (parado em movimento).Sob pena de tudo seguir, a reflexão que sucede propícia visões mais claras mesmo dependendo de outro sinal ou pessoa.
Não posso reclamar, tem funcionado em mais da metade da minha existência (sorte de fazer o que me dá prazer).No "pé do berimbau" encontramos uma maneira de entender e aceitar com sabedoria caminhos melhores do que o planejado.Essa maneira de pensar exige uma atenção, fechar os olhos para ver mais longe.
Driblar incertezas e turbulências é própria da arte capoeirística, pois concentrado na expectativa do jogo pode ser tão bom quanto qualquer coisa.Se o desafio tá lá fora, o mundo também pulsa aqui dentro dessa roda.Mas hey! é uma mistura saudável...sempre haverá uma brecha no jogo!!!
No "pé do berimbau" sou discípulo que aprendo antes do sangue ferver e o cansaço bater.O barato de tudo isso é o aperfeiçoamento de si onde cada passo da caminhada é mais importante do que a chegada.
Às vezes pisca a luz do alerta: joelho>ombro...não, a dor não pode chegar no berimbau,de jeito nenhum!
Sou grato pelas horas que, desde piá, passei nas rodas de capoeira. E por não ter sabido, na ocasião, que fazia meus melhores jogos.





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