Podemos sofrer muito com a própria trajetória, renegando fases, selecionando público e/ou invariavelmente caminhar tentando domesticar a realidade (inutilmente). A realidade é imprevisível e surpreendente.
Nem tão ruim como uns veem, nem tão bom como outros garantem: aqui, na capoeira, o buraco é mais embaixo e profundo;na prática é mais complexa do que os dois lados imaginam-sem se tornar paralisante.
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| MESTRE GIGANTE-in memoriam |
O modo de se reinventar permite seguir tantas outras direções sem andar em círculos. A criança que me tornei hoje é acompanhada de seu brinquedo predileto- cabaça, arame e um pedaço de pau- preenchendo vazios e escutando silêncios. A criança que sou se diverte com pouco: 2 acordes, roda e pausa para o café.
Engraçado.
Lembranças singelas fazem parte da trajetória: a primeira cantiga de capoeira, os primeiros passos...Nostalgia?!Talvez...Em tempos velozes, anulação do sujeito, fragmentação das relações andar devagarzinho tá valendo.E que as crianças recebam melhor mundo que pudermos deixar.
A impressão que se tem é que um mundo acabou e outro começou do zero...percebe?!Mas o caminhante sempre no meio do caminho. O que pode ser relevante nesta reflexão é que o passado dialogue com o presente e que a capoeira mostre a beleza dos saberes, gestos e cantigas que, sintomaticamente, ficaram pelo caminho.
Espero nunca vir a ser insensível para ficar comparando o universo de capoeiristas que já joguei. A história fala por si mesma.O que não abro mão é de seguir uma linha evolutiva de trabalho: nunca busquei alguém parecido com quem desistia da caminhada.
Um dica de quem está mais da metade de sua existência nesta caminhada: pensar+ sentir= viver belos momentos!
=)





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