para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O CORPO SOCIAL

Embora seja gritante a corporeidade na capoeira podemos pensá-la para além das generalizações biológicas, especialmente na escola. As vivências da capoeira são outras, com diferentes aprendizagens que não coincidirão com a cultura corporal oficial.



A capoeira, tendo outra materialidade de viver e sobreviver, questiona as didáticas e teorias de aprendizagem e desenvolvimento humano incorporando outras infâncias, outras corporeidades. Entre as infinitas formas de viver a corporeidade, a capoeira se revela carregando linguagens, leituras de mundo e de si mesmos. 


Na mesma direção, identidade e subjetividade constroem-se por meio de processos que se realizam em seus corpos dando significações sociais. A arte da ginga abrange o amplo e rico campo da cultura que promove a expressão de práticas expressivas e comunicativas em que capoeiristas externalizam pela expressão corporal. Tal manifestação se contrapõe ao movimento considerado mecânico e neurológico.


Podemos pensar na dimensão afetiva do movimento para articular campos de experiência educativa para além de conteúdos estanques. Uma ação pedagógica que contemple linguagens gestual, corporal, oral, sonoro-musical, plástica, escrita, contação de histórias podem orientar os objetivos gerais a partir da mediação crítica e criativa dos educadores de capoeira.





Dada a amplitude do propósito, podemos partir dos modos de pensar, agir, falar, enfim, de significar seus mundos sociais, especialmente as crianças. Elas têm outras finalidades para suas narrativas e podem ampliar nossa percepção de mundo.

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