De fato a aprendizagem na capoeira é mediada por fatores diversos, não podendo ser atribuída exclusivamente às capacidades cognitivas do aluno, o sucesso ou insucesso neste processo. Nesse sentido, tem se considerado a importância de investigar tanto a dimensão cognitiva quanto afetivo-motivacional no seu desempenho. O processo ensino-aprendizagem na capoeira é hoje entendido como uma construção que envolve um papel ativo por parte do aluno. Nesta perspectiva, torna-se imprescindível que o aluno desenvolva capacidade de estabelecer as próprias metas, planejar e monitorar seus esforços na direção de um melhor desempenho. De modo geral, uma estratégia de aprendizagem envolve diversos recursos utilizados pelos alunos ao aprender um novo conteúdo, ou desenvolver determinadas habilidades. A classificação mais empregada atualmente é aquela que distingue as estratégias cognitivas (se referem a comportamentos que propiciem que a informação seja armazenada mais eficientemente, ex: elaboração, ensaio, organização) e metacognitivas (constituem procedimentos que o indivíduo usa para planejar, monitorar e regular seu próprio pensamento). Mas o que motiva os alunos utilizá-las? Sabemos que uma coisa é possuir capacidade, potencial e outra coisa é conseguir aplicá-las com fundamento em face de dificuldades, fatores estressantes ou interesses paralelos. As escolhas, a persistência e o desempenho dos indivíduos podem ser explicados por suas crenças sobre quão podem se sair em determinada tarefa, bem como a quantidade de valor atribuído à atividade proposta. O valor da tal tarefa possui três componentes, a saber: utilidade, importância e interesse, ou seja, uma aula de capoeira precisa ter fundamento. O valor da tarefa é apontado como fonte de motivação, pois se não se percebe a utilidade do que se deve aprender, o interesse e o esforço tendem a diminuir à medida que o capoeirista se pergunta para que serve saber o que se pretende que aprenda. Diante do que foi exposto, fica também a justificativa e o desafio de formar um profissional da capoeira para orquestrar uma atividade tão complexa.
para um bom leitor
...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)
sábado, 15 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
AFETIVIDADES
É através dos afetos que o ser humano se relaciona e vai além de sua individualidade e finitude. Apesar de o desenvolvimento humano ser um processo individual e único, ele necessita do outro para que ocorra, perante a estimulação mútua de sentimentos, afetos e experiências. Na capoeira, somente jogamos bem na relação com o outro, quando fazemos com o outro. O jogo caracteriza-se pela interatividade entre os processos de mudanças e continuidade ao longo das várias fases do ciclo vital. E se o jogo é difícil, negociamos. É importante lembrar que a passagem do tempo é um elemento de mudança. Contudo, é pela presença de certas características se manterem estáveis (como uma relação de afeto estável e contínua) pode ser considerado o principal elemento para a superação da mudança. Mudar causa angústia e o cérebro muitas vezes resiste tal mudança. No entanto, o ser humano é um elemento ativo, com capacidade de intervir no seu meio e alterar as circunstâncias. A capoeira é um processo criativo constante, existe o estímulo para a transformação.Nessa perspectiva devemos defender a qualidade de desenvolvimento que será fortemente influenciada pela capacidade relacional e os afetos que nela predominam. Mestre Camisa resume o que escrevi acima quando nos fala da ginga "...quando gingo e olho nos olhos, vejo você em mim". Esta mensagem traduz a forma e os acontecimentos vividos e avaliados pelos capoeiristas, ou seja, os afetos e sensações a ela associados. É através da afetividade que o capoeirista se reconhece e, assim, pode se relacionar e ligar-se aos outros.
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