para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Sem pressa e para sempre

O "pé do berimbau" é meu lugar preferido. Nesse rito de passagem predomina o silencioso encontro com o outro jogador e consigo mesmo onde  um clique no play de memórias aponta para os primeiros traços de pés e mãos na busca incessante do primeiro jogo. É um trecho que se faz sozinho, cada um a sua maneira.Depois, o que o momento determinar.


Quem agachar emaranhado na teia da experiência buscando parceiros de jornada poderá olhar melancolicamente para trás ou com esperança para frente, fechar os olhos e simplesmente estar (parado em movimento).Sob pena de tudo seguir, a reflexão que sucede propícia visões mais claras mesmo dependendo de outro sinal ou pessoa.


Não posso reclamar, tem funcionado em mais da metade da minha existência (sorte de fazer o que me dá prazer).No "pé do berimbau" encontramos uma maneira de entender e aceitar com sabedoria caminhos melhores do que o planejado.Essa maneira de pensar exige uma atenção, fechar os olhos para ver mais longe.


Driblar incertezas e turbulências é própria da arte capoeirística, pois concentrado na expectativa do jogo pode ser tão bom quanto qualquer coisa.Se o desafio tá lá fora, o mundo também pulsa aqui dentro dessa roda.Mas hey! é uma mistura saudável...sempre haverá uma brecha no jogo!!!


No "pé do berimbau" sou discípulo que aprendo antes do sangue ferver e o cansaço bater.O barato de tudo isso é o aperfeiçoamento de si onde cada passo da caminhada é mais importante do que a chegada.


Às vezes pisca a luz do alerta: joelho>ombro...não, a dor não pode chegar no berimbau,de jeito nenhum!
Sou grato pelas horas que, desde piá, passei nas rodas de capoeira. E por não ter sabido, na ocasião, que fazia meus melhores jogos.