para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

QUE CÉU ESTRELADO!

Por trás daquela face marcado pelas linhas do tempo, barba característica e timidez indisfarçável! escondia-se um olhar de ternura indescritível. Lembrava meu pai: um pouco carrancudo mas sensível ao mundo e as pessoas que o cercavam. Nas oportunidades de encontro o "Camisa Roxa" ( um dos alunos mais técnicos do Mestre BIMBA e Grão-Mestre da ABADÁ-CAPOEIRA) me falava primeiramente dos treinos e da vida, privilégio e aprendizado que somente àqueles que conseguem absorver a sabedoria dos mestres de capoeira conseguem levar para a vida toda. Pessoas como estas são seres de muita luz que vieram para este mundo dar sentido e significado nas coisas que realizamos ou não realizamos. A sua missão é nos fazer seres  humanos melhores e passarmos este ensinamento adiante. Sim. Um mestre de capoeira é aquele timoneiro que em meio às tempestades lança lastros de luz para que a embarcação chegue segura ao seu destino. O mestre Camisa Roxa o fez como ninguém. Daqui pra frente, a memória e a emoção homenageiam a argúcia e destreza do grande homem e capoeira que foi. É verdade, o mestre BIMBA foi um construtor de homens: o senhor Mestre foi um deles. Vá em paz, Camisa Roxa.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Lembranças inadiáveis

Passados trinta e poucos anos eu retorno à escola onde aprendi minhas primeiras letras. Desta vez, como estagiário da gestão pedagógica. Observo que a minha primeira escola está sucateada, negligenciada por um Estado que está preocupado em investir milhões em futebol do que na educação de seus cidadãos. A reflexão que faço agora não é o da política educacional e o que tenho a dizer é muito simples. Sãos imagens, o cheiro da sala e a amorosidade de minha primeira professora. Chamava-se Carmem. Confesso que a tenho procurado em meus sonhos, ela já não está entre nós.Mas a sala número 1 da minha primeira série permanece lá povoada de vozes!Tantas outras professoras marcaram minha vida escolar, porém nenhuma outra sobrepõe a forma humana e carinhosa desta educadora. Se o resultado daquelas mãos carinhosas que me ensinou as primeiras letras foi o meu encontro com a Pedagogia, eu a saúdo cara professora. E como é profundo a marca e a falta que o primeiro professor nos faz, pelo menos para mim. Vozes vieram à  tona nessa manhã em visita à minha sala de aula, estavam cheia de amor e ternura na sua maneira de ensinar.É,talvez eu tenha herdado tua nobre função, profe!Mas não conseguirei ser igual a você: única e sempre amável. Aqui é tempo de decepções e frustrações. No entanto, o que importa é a plena segurança de que mesmo em tempo de confusão teremos condições de acreditar no professor: nosso supremo herói. Para reiterar a minha vida deixo uma canção à mais para àquela que me ensinou o bê-á-bá. Onde houver sol, estrelas ,gramíneas, sorrisos e lágrimas brilha a loucura tão serena e positiva de um professor. Permaneço em paz e tranquilidade toda vez que minha memória me leva a outra pessoa, cuja imagem é revigorante e valorosa.Eu vos saúdo, velhas alegrias! Juntai-vos imediatamente a mim, e que possais irradiar em minha prática. Eu amava (e não sabia!) a professora que foi pra mim. Agora ELA existe dentro de mim...
Saudades da minha profe!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

INSTANTES

A fotografia como objeto da memória se afirma cada vez mais como um modo de expressão, de informação e comunicação. Nós a utilizamos para guardar a lembrança emocionada de acontecimentos íntimos e para ilustrar nossa própria história. No espírito de muita gente, a fotografia está associada à ideia de documento. Ela serve para testemunhar uma realidade, e em seguida, para lembrar a existência desta mesma realidade. O tempo tem aqui um papel fundamental, em particular, do ponto de vista histórico e emocional, quando a fotografia é testemunha de mudanças, de transformações físicas e materiais, de desaparecimento de coisas ou de morte de ente queridos. A fotografia constata e revela, sem artifício. O personagem foi captado, num momento de sua vida, pelo fotógrafo, em sua atividade. Ao "congelar" um  instante da vida, o fotógrafo, por sua vez, coloca em evidência o antes e o depois da vida de uma pessoa. 
A fotografia também nos incentiva adivinhar aquilo que está fora do cenário fotografado. E, uma das qualidades da imagem fotográfica está no poder de evocação: ela suscita naquele que observa o desejo de conhecer mais, de imaginar, de reconstituir interiormente, a partir da visão de um destes momentos (instantes), o conjunto de uma vida.



Para saber mais: Cultura Popular e Educação: salto para o futuro (org. René Marc da Costa Silva)