para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Campo de mandinga

Além de inverter a hierarquia corporal (Reis,1997), que tal trazer uma ideia e voltar para casa com outras tantas?!Esse é nosso principal objetivo com nossas rodas de rua. Agora reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a roda de capoeira sobrevive aos tempos preservando os saberes dos Mestres que já se foram e dos que estão na luta diária. No passado já foi luta de vida ou morte, no mundo moderno a luta continua sob outra ótica: a homogeneização e desaparecimento das culturas. Permanecendo até os dias atuais, a cultura da capoeira se caracteriza pela sua ambiguidade, "eles tão lutando ou tão dançando?" perguntaria um desavisado. A arte do berimbau é o que o momento determinar, a preocupação é constante: um cachorro que atravessa a roda, um bêbado que aparece, amigos ou desafetos que encontram. No meio disso, nossa roda está entravada no meio do sistema que escraviza as pessoas num movimento de vai e vem de consumo desenfreado. Ao som do berimbau a cultura clama pelo valor da diversidade, das trocas, da sociabilidade e da simplicidade. A arte da ginga contradiz e é contraditória pois resgata valores e crenças da cultura popular e se rende aos artifícios da mídia e da política. São os sabores e dissabores que somente quem vive e produz capoeira consegue entender.Dessa maneira construímos família, criamos nosso filhos, perdemos e ganhamos sem deixar o berimbau calar.Esse campo de mandinga é uma maneira de enxergar e explicar o mundo em que vivemos!Valeu camaradas.








* O mundo de pernas para o ar- A capoeira no Brasil  (Letícia Vidor de Sousa Reis)
*Mandinga: no jargão capoeirístico destreza, habilidade, manha...a alma do jogo.




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Campo pedagógico

Já passou o tempo em que o professor era o detentor do conhecimento e seus alunos, meros receptores de aulas conteudistas e mecanizadas; uma "educação bancária", que não levava em conta o conhecimento prévio do aluno;existiam ainda (ainda existem)aulas descontextualizadas que não refletia a realidade ministradas com conteúdos "depositados" sem nenhuma reflexão ou discussão, assim criticava Paulo Freire na sua Pedagogia do Oprimido. Considerando a intensa relação que a capoeira tem com a escola, ora fazendo parte do currículo ora realizando parceria com a instituição, podemos refletir a sua prática de maneira semelhante. No mundo contemporâneo o professor desce do pedestal e não detém mais o conhecimento. Agora ele (o profe) colabora na busca, motiva, está junto nas reflexões e discussões, oportuniza outras tantas possibilidades de aprendizado com o aluno. Não demoniza nem sacraliza as tecnologias, mas utiliza como importante ferramenta na construção do conhecimento.O ensinar e aprender capoeira permeia esse processo pedagógico havendo muitas possibilidades de utilizar o seu potencial (cultural, social, físico etc). Em POUCAS  metodologias que se encontram por aí é possível encontrar boas perspectivas, mas a maioria nehhh!..temos que rodar muito e fazer "vista grossa".Assim como o professor da área escolar deve estar sempre avaliando a sua prática, o profe de capoeira também pode estar atento a sua maneira de ensinar. Embora muitos insistam em práticas arcaicas em nome de uma pretensa "tradição", seu público não é mais o mesmo. Agora, os alunos são mais reflexivos, questionadores, estão mais informados e inseridos no mundo das tecnologias. Para dar conta disso, mestres e professores devem se conscientizar de que as coisas mudam e se transformam. A tradição é referência mas não é direção!é preciso estar atento às mudanças de paradigma: reinventar-se e recriar-se sempre que necessário, avaliar o caminho tomado e se preciso refazê-lo. Não é mais possível pensar uma aula de capoeira que se diz ativa e construtiva sendo que o professor quer ensinar no grito!É o desafio contemporâneo para os que leem, refletem e pensam que a EDUCAÇÃO é o melhor caminho para a mudança. Fica a dica!!!Blzzzzzzzzzzzz.