para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 5 de dezembro de 2015

Para finalizar.

Acho que sempre estive próximo de Mestre Camisa!
A sabedoria que me traduz.

"Não perdi tempo com quem não queria
 Mas quero ganhar tempo com quem quer"


Jogando com as palavras/Mestre Camisa. Rio de Janeiro:Abadá-Edições,2015.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pau de dar em doido !!!

Sem descansar na perna de trás nos permitimos ser torto, redondo e  reto no jogo da vida, mas sem quebrar, sejamos como... pau de goiabeira (uma boa metáfora para nosso dia!). Sem "boca de espera" podemos sapatear, balançar, encolher a barriga...entortar de novo, porém sempre avançando numa busca de sentidos. Atentamente, algo continua moldando por meio das experiências nossa visão de mundo, nossos "trejeitos" até que nos tornemos autor e ator da própria existência.





É saudável o golpe que desequilibra nossas aparentes manhas, e no processo de se "entortar" recuperamos o equilíbrio e ficamos redondo e reto de novo.Para quem é de capoeira não é mero devaneio, é papo reto; é processo identitário seguindo uma rota permanente que se depara invariavelmente com a dúvida e o acaso-IDENTIDADE. No jogo da vida, difícil mesmo é desprendermos de lugares e pessoas. Mas é fundamental o desapego para que na hora da partida doa menos.




BAUMAN, sociólogo polonês está em consonância com DOSTOIÉVSKI, escritor russo: o mundo líquido do primeiro permanece sob os auspícios do segundo onde uma sociedade sem Deus,  tudo é permitido (seja qual Deus ou deuses forem). No contexto da capoeira é bem certo que há muitas virtudes nos envolvidos, mas a maioria não emociona ou deixou de emocionar. É muito difícil perceber alguém que crie, perceba ou fabrique sua maneira de pensar.




Para nossa sorte há uma paz e sentimento nos mais velhos, nos bons e grandes Mestres que restaram por aí ( silenciosamente sondam nossos corações e mentes). Mas somente eles, os mestres de verdade fazem curvas inesperadas na velocidade que não entendemos ou não chegou a hora de entender. Talvez a rota que traçamos não seja tão boa o suficiente ou, quem sabe não tenhamos suporte físico e emocional para resistir e seguir adiante.

A aparente contradição está no torto, reto e curvo da vida. Não podemos imaginar que nessa "vida loka" contemporânea sejamos um carro sem direção, pois na hora de voltar pode restar apenas os estilhaços. Na dúvida desarme as armadilhas ao longo do caminho e faça uma canção nos descaminhos.
Seja pau de goiabeira!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"É a magia do meu berimbau, dendê !"

A escola (pública e particular) e a capoeira andam de mãos dadas para contribuir e repertoriar crianças e adolescentes nos processos de ensino e aprendizagem.No entanto,a culpabilização de professores pelo não aprendizado dos alunos tem sido a maneira mais fácil em função de crenças e costumes ao longo da história. Fato é que a  somatória das estatísticas, Escola e Sociedade  ainda não dão conta da complexidade da educação...fato é que uma nova cognição está nascendo!



A capoeira no últimos tempos têm sido uma ferramenta nas experiências educacionais, mas é equívoco pensar que ela mantém uma relação harmoniosa nas instituições de ensino. Tem gente que não gosta da capoeira, assim como muitos não gostam da escola. Embora seja rica em muitos fundamentos, a capoeira não vai dar conta de resolver muitas questões, tais como relações étnico-raciais, tolerância, cultura etc.-A capoeira é uma possibilidade!!!



Um nova maneira de organizar o pensamento está nascendo em função das novas tecnologias e do conteúdo preconizado na WEB. A capoeira está inserida neste contexto, portanto os profissionais podem fazer bom ou mal uso da ferramenta, pois sabe-se que muitos não querem discutir conteúdo na rede- a "fotinha" de um salto mortal é mais viável hehe!!!



Como um nicho de trabalho na educação, profissionais da capoeira preconizam saberes adquiridos ao longo da formação em suas escolas fazendo a ponte com o saber científico, seja qual área for. É possível que boas metodologias de ensino estejam surgindo, especialmente na educação infantil. Sob a magia do berimbau crianças, jovens e adultos tocam, cantam, dançam em um processo de identificação com a cultura brasileira. É uma pedagogia africana inserida nestas práticas: respeito ao mestre, ao canto e a dança.
Naaah!Tem exceções nesse contexto; assim como temos maus profissionais na educação também temos amadores na capoeira. Não sou o cara na educação infantil,mas já percebeu que tem muito "bundão" dando aula para criança ?!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Para os dias que se findam...




Cada fim de tarde pode ser um encontro com nós mesmos sem medo da introspecção.Pode ser sintoma de velhice que bate a porta com seus  lapsos de nostalgia e/ou a percepção de que quanto mais aprendemos sobre a vida mais incompletos e frágeis somos. As distâncias esclarecem muita coisa, afastam lapsos de memórias e dão guarida a novos empreendimentos, pois o que poderia ser já não é mais(abre-se espaço para a renovação ), mas enriquece de significados na experiência do aqui e agora.

Normal,...embora acostumemos dizer que a geração anterior era sempre melhor admitimos que havia mais mistério e magia naquele tempo.Será interessante confrontar o presente com o passado?...nahhh!É necessário nos reinventar enquanto estivermos no mercado de trabalho para compreendermos a geração que floresce. E o tempo se encarrega de refinar nossos sentidos preenchendo intervalos em um mundo cada vez mais ofegante.Nenhuma impressão deve ser a última!

Ver um capoeirista nascendo é uma lufada de esperança, afinal aprende-se capoeira jogando game sem arrastar a bunda de casa!Meu sentimento logo passa e sobrevêm a certeza de que a capoeira sempre encontrará um coração a que está destinada. Em meio a facilidades do mundo moderno contarmos com capoeiristas mais sensíveis e menos passivos, tanto melhor.Mantenha-se curioso e disposto a ver qualé!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Polissemia pedagógica

Quais os limites do fenômeno CAPOEIRA?Acredito que não há limites, mas  uma infinidade de possibilidades e perspectivas em qualquer prática que se dispunha boa intencionalidade. As áreas do conhecimento se debruçam tentando explicá-la motivando capoeiristas e educadores na busca de sua história, de seus mestres, de sua origem.

 Longe de reducionismos e visão romântica sobre sua formação, o que aconteceu nesse país foi uma amálgama, um caldeirão fervente com diferentes etnias trazidas pelo navio negreiro que aqui encontraram estratégias de comunicação e sobrevivência, entre elas a capoeira. Parafraseando o título da obra de Mestre Gladson  "CAPOEIRA- do engenho à universidade" pode-se ter uma noção da trajetória de evolução e resistência dessa nobre arte de gingar.

 Embora mantenha uma das suas características como luta, o embate atualmente é outro: a luta é contra instituições do Estado que querem mandar na capoeira; preconceito velado; discriminação pela arte brasileira; permeio mercadológico e gigolôs da capoeira. Atualmente, muitos capoeiristas estão inseridos no nicho educacional, por vezes prevalece um discurso vazio sem fundamento; uma "pedagogização" na sua prática em nome do tão batido termo "lúdico".

 Diante de tantas possibilidades de informação ofertadas pela web, o "conhecimento" dos tão disseminados "educadores de capoeira" distancia-se de sua prática pela falta de aprofundamento e reflexividade, especificamente sobre a infância. Fato é que poucos querem discutir conteúdo!Bem, também é verdade que são poucas as escolas de educação infantil que desejam que a capoeira seja mais que uma "aulinha" para ofertar à seu público.

Observa-se ainda a "brinquedoteca ambulante" com o fim único fazer a criança brincar sem clareza nos objetivos com a instituição escolar, ou seja, uma aula de capoeira sem planejamento. Sem nenhuma reflexão,  fundamento, aporte teórico; sem entendimento mínimo da infância lançam-se em apresentar o mundo para a criança (o movimento pelo movimento) com boa intenção, no entanto sem consciência e aprofundamento desta responsabilidade.

Ora, vivemos numa sociedade capitalista e precisamos correr atrás do dinheiro para nossa sobrevivência.Mas no âmago de pegar muitos lugares para dar aula de capoeira pode-se também tangenciar (estar próximo, relacionar-se) para o debate, o conhecimento, a pausa para a reflexão. A capoeira é complexa e rica na sua polissemia para apenas dar "uma aulinha" por aí. E, no caso de compreender e trabalhar com a infância... a coisa é mais séria ainda!!!Não basta somente gostar de criança.


terça-feira, 30 de junho de 2015

METAMORFOSEAR-SE...

Já foi luta de morte; é dança, arte, música, história, brinquedo...etc. Encontra-se na arte da ginga infinitas possibilidades de interação, dada a sua multiplicidade de horizontes ao som do berimbau. Enraizados na AFETIVIDADE, a corporeidade na prática da capoeira emprega mímicas, códigos,deslocamentos e  gestos manifestando uma atitude sobre o mundo e coisas que a cerca.


A vertente do corpo na comunicação evidenciam sentimentos e emoções na presença do outro, e capoeira se faz com o OUTRO; ainda que a prática da capoeira requeira voz de cantoria, jogo de olhares, ritmo e palavra são as atitudes e posturas que revelam a interação. De fato, compreender a comunicação é também compreender como a criança ou adulto , de corpo inteiro, nele participa.


Quando alguém "faz um gesto" (capoeirístico) entende-se que ele não é desprovido de sentido. É uma figura de ação que move o mundo mediante os símbolos (capoeira). Assim, nos movimentos de comunicação, os capoeiristas esquecem que as palavras e gestos produzidos inconscientemente foram modelados na relação com os demais: a educação dá forma ao corpo.


Conferindo sentido e valor às iniciativas humanas, a capacidade de decodificação no ambiente capoerístico associa-se a comunicação prenhes de significado contribuindo na formação humana dos praticantes. Em uma aula de capoeira para qualquer público o conteúdo é conferido pela voz das cantorias.Os movimentos faciais e corporais testemunham os significados.


O capoeirista habita seu corpo em consonância com as orientações  sociais e culturais que se impõem- ele metamorfosea-se conforme a razão!Mas remaneja de acordo com seu temperamento e história pessoal. Os sinais do rosto e do corpo inserem o praticante no mundo: formam o terreno de metamorfoses espetaculares sob uma gama de emoções traduzidos aos olhos dos demais.



Existe uma inteligência do corpo como existe uma corporeidade do pensamento. Percepção, intenção e ação inserem-se numa relação ambígua própria da condição humana, própria dos capoeiristas: a capoeira é , e não é!!!

domingo, 31 de maio de 2015

Pousar o olhar sobre...

Em consideração a expressão do parceiro, o olhar pode ser instância que confere ou retira valor.Jogadores de capoeira em posição assimétrica com movimentos de ataque de um lado e de esquiva do outro reúne para melhor ou para pior a sua identidade social.Por vezes, um jogo amistoso pode se entrelaçar e encerrar-se sem perder a cumplicidade do olhar. São efeitos que permanecem sensíveis ao que o momento determinar; por trás da carapuça do rótulo e uniforme procura-se reconhecer o jogador pelo que é!os olhos tocam aquilo que percebem, podem mesmo transformar sua existência. Já parou para observar o olhar enviesado do Mestre Camisa?! O olhar pode significar encontro, emoção compartilhada, alegria inconfessa nas rodas de capoeira.No entanto, existe o risco do excesso, uma virulência do olhar: "o mau-olhado", "olho-gordo", o "olhar invejoso" são forças destrutivas, é o revés da emoção e da criação. Fascínio e feitiço sobem facilmente aos olhos, o rosto é sensível às emanações positivas ou negativas vinda de coisas ou pessoas.O mesmo (olhar) tem igualmente o condão de contestar e negar- Ver é um ato perigoso!A nocividade do olhar pode ser uma ação que provoca a vulnerabilidade do jogador em seu próprio rosto, mesmo distante e fugaz atingindo seu alvo.Pense, basta que a vítima sinta o peso de um olhar inesperado para despertar a crença e explicar em seguida um infortúnio que nada permitia prever.
Humm!Acho que já passei por isso...escorreguei, caí e levantei (sem explicação), bem que as cantigas me alertavam: "quem é dono não ciúma , quem não é quer ciumar" D.P, ou "a inveja matou Caim..."D.P, "Tire a cobra do caminho meu Sinhô São Bento" D.P, etc.
Independente de sua crença, faça sua proteção!!!

*D.P. = domínio público

terça-feira, 28 de abril de 2015

A EXPRESSÃO SOCIAL DAS EMOÇÕES






Aos olhos dos companheiros ressoam manifestações corporais e afetivas espelhando um jogo de vai e vem num infinito diálogo corporal, expressados no interior de uma roda de capoeira. A experiência capoeirística  contém a emoção vinda do seu lugar de pertencimento, do seu repertório cultural.Por meio das impressões e atitudes se impõe nas relações sociais um saber afetivo que circula de acordo com suas sensibilidades pessoais. As emoções são modos de reconhecimento e poder de comunicação no conjunto da comunidade social onde o corpo é parte integrante dessa simbologia. A capoeira, rica em  códigos e símbolos que influenciam diretamente os jogadores  requer intérpretes capazes de desvelar o sentido oculto. Cada emoção sentida emana nesta trama envolvente  dois capoeiras: ora lutando, ora dançando (?) aqui eles oferecem possibilidades de interpretação a respeito daquilo que sentem e percebem. A cultura afetiva nesse contexto permanece em construção, pois cada um simula e dissimula a seu bel prazer, às vezes impõe sua coloração pessoal com sinceridade ou distância. O ritual e o comportamento na capoeira pode marcar a intensidade,  duração, gestos, expressão oral  da EMOÇÃO de acordo com o momento determinante (situação e público).

Para ler mais: As paixões ordinárias-antropologia das emoções (DAVID LE BRETON)

sábado, 28 de março de 2015

A CAPOEIRA É ASSIM...

 A capoeira é uma potencial ferramenta pedagógica que atua desde os primeiros anos de vida da criança, pois vai de encontro às características universais dos pequenos participando dos processos de ensino e aprendizagem por meio das  brincadeiras de roda, musicalidade, rodas de conversa e movimento. Tendo as crianças do berçário o primeiro contato com essa arte, nossa experiência educativa procura estimular sons, cores,texturas nos diferentes tipos de instrumentos musicais começando pelo berimbau. Com auxílio do professor é possível estimular movimentos motores simples adaptados para cada faixa etária ou, mesmo realizar movimentos básicos de maneira  lúdica pelo professor para que elas visualizem  acompanhadas de cantigas que estimule o ritmo despertando a atenção para que no processo educativo  comecem  coordenar  algum acontecimento por meio de sua naturalidade e observação. Na fase, que vai dos 0 aos 2 anos de idade configura-se como período sensório-motor Piaget (1990), a criança percebe o mundo e atua nele por meio das sensações e deslocamento do seu corpo. Segundo o teórico citado, no período que vai de 8 a 12 meses (4º subestágio) o bebê  já possui maior controle sobre a manipulação do meio externo, portanto elas desenvolvem esta capacidade à medida que vão coordenando esquemas e comportamentos previamente aprendidos para atingir seus objetivos. A musicalidade na capoeira  é encantadora e tornam as ações pedagógicas mais ricas e estimulantes. As crianças do berçário são estimuladas constantemente pelo do som do berimbau,palmas e cantigas além de explorar esse "novo brinquedo". Baseadas nas teorias de assimilação de acomodação de Piaget (2002), a educação musical se dá com o objetivo de crescimento individual da criança por meio das descobertas e conquistas dos sons no instrumento ou voz resultando na apropriação e interação do objeto com o indivíduo. Portanto, até os cinco anos de idade, as crianças vão vivenciando as diversas possibilidades da capoeira (é teatro, interpretação, artesanato, esporte...etc), aprendem brincando encontrando novos desafios de maneira lúdica e afetiva enriquecendo a experiência pela experimentação com seus pares. A arte da capoeira não tem fim, é  arte dos encantos!- "é uma arte que engloba outras artes: é o que o momento determinar" (Mestre Camisa)


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(1), (2),(3) BERCÁRIO-Escola de Educação Infantil INTERPARES

 "O nascimento da inteligência na criança" (Jean Piaget)
 "Epistemologia genética" (Jean Piaget)
                                      



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Campo de mandinga

Além de inverter a hierarquia corporal (Reis,1997), que tal trazer uma ideia e voltar para casa com outras tantas?!Esse é nosso principal objetivo com nossas rodas de rua. Agora reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a roda de capoeira sobrevive aos tempos preservando os saberes dos Mestres que já se foram e dos que estão na luta diária. No passado já foi luta de vida ou morte, no mundo moderno a luta continua sob outra ótica: a homogeneização e desaparecimento das culturas. Permanecendo até os dias atuais, a cultura da capoeira se caracteriza pela sua ambiguidade, "eles tão lutando ou tão dançando?" perguntaria um desavisado. A arte do berimbau é o que o momento determinar, a preocupação é constante: um cachorro que atravessa a roda, um bêbado que aparece, amigos ou desafetos que encontram. No meio disso, nossa roda está entravada no meio do sistema que escraviza as pessoas num movimento de vai e vem de consumo desenfreado. Ao som do berimbau a cultura clama pelo valor da diversidade, das trocas, da sociabilidade e da simplicidade. A arte da ginga contradiz e é contraditória pois resgata valores e crenças da cultura popular e se rende aos artifícios da mídia e da política. São os sabores e dissabores que somente quem vive e produz capoeira consegue entender.Dessa maneira construímos família, criamos nosso filhos, perdemos e ganhamos sem deixar o berimbau calar.Esse campo de mandinga é uma maneira de enxergar e explicar o mundo em que vivemos!Valeu camaradas.








* O mundo de pernas para o ar- A capoeira no Brasil  (Letícia Vidor de Sousa Reis)
*Mandinga: no jargão capoeirístico destreza, habilidade, manha...a alma do jogo.




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Campo pedagógico

Já passou o tempo em que o professor era o detentor do conhecimento e seus alunos, meros receptores de aulas conteudistas e mecanizadas; uma "educação bancária", que não levava em conta o conhecimento prévio do aluno;existiam ainda (ainda existem)aulas descontextualizadas que não refletia a realidade ministradas com conteúdos "depositados" sem nenhuma reflexão ou discussão, assim criticava Paulo Freire na sua Pedagogia do Oprimido. Considerando a intensa relação que a capoeira tem com a escola, ora fazendo parte do currículo ora realizando parceria com a instituição, podemos refletir a sua prática de maneira semelhante. No mundo contemporâneo o professor desce do pedestal e não detém mais o conhecimento. Agora ele (o profe) colabora na busca, motiva, está junto nas reflexões e discussões, oportuniza outras tantas possibilidades de aprendizado com o aluno. Não demoniza nem sacraliza as tecnologias, mas utiliza como importante ferramenta na construção do conhecimento.O ensinar e aprender capoeira permeia esse processo pedagógico havendo muitas possibilidades de utilizar o seu potencial (cultural, social, físico etc). Em POUCAS  metodologias que se encontram por aí é possível encontrar boas perspectivas, mas a maioria nehhh!..temos que rodar muito e fazer "vista grossa".Assim como o professor da área escolar deve estar sempre avaliando a sua prática, o profe de capoeira também pode estar atento a sua maneira de ensinar. Embora muitos insistam em práticas arcaicas em nome de uma pretensa "tradição", seu público não é mais o mesmo. Agora, os alunos são mais reflexivos, questionadores, estão mais informados e inseridos no mundo das tecnologias. Para dar conta disso, mestres e professores devem se conscientizar de que as coisas mudam e se transformam. A tradição é referência mas não é direção!é preciso estar atento às mudanças de paradigma: reinventar-se e recriar-se sempre que necessário, avaliar o caminho tomado e se preciso refazê-lo. Não é mais possível pensar uma aula de capoeira que se diz ativa e construtiva sendo que o professor quer ensinar no grito!É o desafio contemporâneo para os que leem, refletem e pensam que a EDUCAÇÃO é o melhor caminho para a mudança. Fica a dica!!!Blzzzzzzzzzzzz.





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Rema o barco remador...! (Mestre Moraes)

O capoeira-leitor pode  se revelar um enxadrista a conduzir o jogo-texto desafiando a sutileza de raciocínio com seu parceiro. Mais do que selecionar  grandes Mestres de capoeira para lhe servirem de referência nessa viajem, o capoeira-leitor se revela:  reinventa-se e  recria-se por meio da linguagens diversas, entre elas  a escrita. É bem possível que o eu-capoeirístico ao rastrear tantas outras referências além daquelas que surgem explicitamente no texto poderá lhe trazer mais perguntas do que respostas.

Faz parte da conduta artística e intelectual daquele que se disponibiliza a  aprofundar e pesquisar qualquer tema relacionado.Por certo acabará notando que a compreensão está na própria busca. Diante de uma infinidade de linguagens oportunizadas pela capoeira, precocemente estabeleci uma relação com os problemas e possibilidades na arte da ginga; a inquietação é constante e o tabuleiro (a roda) sugere mais desafios, táticas e estratégias, mais tomada de consciência.

Desde então, as palavras RECRIAR e REINVENTAR (para além das questões semânticas) permanecem emblemáticas tanto na prática quanto na teoria para compreender e conduzir a complexidade desta arte brasileira( compreender=saber fazer sob uma perspectiva piagetiana), que coisa hem!!!. Das afinidades recíprocas nascem a poesia, filosofia, sociologia, antropologia...etc.Leituras tais, que favorecem a interpretação e o entendimento da cosmologia do tema.

Mesmo que você não tenha o hábito de ler, discutir, avaliar, ainda pode se sentir fascinado ao observar a capoeira em cores, sons, em refrações...
Pois é!Já ouviu falar em arte permutatória, da probabilidade, do aleatório...nahhh!Fala aí jogador:são as possibilidades infinitas nesse jogo da vida.

Para quem é de capoeira, o contexto é campo comum de cogitações que se projeta para o futuro- a arte da ginga é caminho para outros caminhos, engloba outras artes.Por fim, nos obrigamos a repensar funções comunicativas e expressivas sem deixar o barco virar! às vezes é preciso refazer o caminho... dar um
Xeque-mate, quem sabe...sabe!

Roda ABADÁ-CAPOEIRA (Praça Osório)


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