"...Desde o início da sua caminhada até os dias finais da "formatura" como um rito de passagem, um aluno percorrerá uma longa distância, passando muitas vezes pelos estágios de "jogar no escuro", " jogar na água" e " jogar no claro". Deste ponto em diante ele deverá se libertar das técnicas e se abrir para a criatividade, trocar a ênfase na eficiência pela experiência vivencial trocar os movimentos estudados pelos espontâneos. Deverá aprender a jogar a capoeira de dentro para fora , com seu coração, à moda dos contra-mestres.Após isso, os pés do capoeira estarão cansados e machucados pelas pedras do caminho, mas o seu espírito se fará predominante para ajudar-lhe à dominar o espaço e o momento com precisão, jogando com economia de movimentos e ajustando-se ao ritmo universal que a tudo rege e comanda. Se continuar estudando a capoeiragem e explorando as fronteiras absolutas de seus limites físicos; se tiver a coragem e humildade de aceitar as condições de " jogar no escuro" de novas situações, talvez este capoeirista se torne capaz de jogar com a qualidade de um mestre abençoado pelos orixás." ( Almeida,1999, pág.101).
Entenda como este "jogar no escuro" está tão perto e ao mesmo tão distante de nossas mãos ou nossos pés.Estas palavras sábias estão apontadas no livro "Água de beber, camará! um bate-papo de capoeira" do Mestre Acordeon. É uma boa leitura onde o Mestre contorna seu caminho num rico emaranhado de ambiguidades e filosofia...filosofia esta que nos previne das armadilhas da vida!!






