para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 25 de dezembro de 2010

os bons morrem jovens.

Apenas faço o papel de escritor ou coisa parecida! Não sei falar da lágrima que agora cai de mim, nem conseguiria...Minha alma está partida em mil pedaços.

                                                              WILSON,
vc vai me fazer uma falta!
esteja em um lugar melhor que esse, irmão querido
fique com Deus.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

agora sim!!!

Após cair em uma prova final de Sociologia da Educação, sob uma espectativa de "vestibular", sobrevivi à mais uma pegada. Realmente foi um ano difícil, cheio de percalços e obstáculos que precisavam ser superados, na vida e na capoeira. Graças à Deus nunca estive sozinho, contei  com o apoio de "anjos da guarda" velando pela minha proteção. São pessoas que não se explica, as sente! Pessoas anônimas e da família ( e todos capoeiristas) que se doam sem receber nada em troca. Que Deus ilumine o caminho de vcs! Aos que estão chegando neste universo da capoeira desejo boa sorte, pois a renovação é necessária para que eu possa superar a ausência daqueles que não estão entre nós.E para alguns que não entenderam e desitiram da caminhada, a distância é recomendável. Quero deixar meu mais sincero agradecimento aos alunos Chinchila, Delicada e Sagui pela dedicação nos treinos e o companheirismo nas rodas e eventos que aconteceram nesse ano ( foi a ano de vcs!). Penso que juntos unimos arte e vida nessa história da capoeira; as experiências que vcs tiveram foi marcante para o crescimento pessoal de cada um: o amadurecimento fez de vcs pessoas de brilho! Finalmente, utilizo das belíssimas cantigas da capoeira para dar meu recado:
                                  " éééé meu mestre me disse assim
                                   menino não precisa preocupar
                                   a vida que se leva é essa mesma
                                   e a capoeira
                                   não deixa nada faltar
                                                                         (BOA VOZ).

obrigado pelo carinho de todos os alunos, BOAS FESTAS!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poesia do Brasil

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?
                                             (Ferreira Gullar)

obs: Deisi, grato pelo presente!!
       Boas Festas!

domingo, 19 de dezembro de 2010

ao leitor-cúmplice!!

O que foi dito até agora estava eivado de expressões inesperadas, carregado de exigências dirigidas a um leitor que aceite desafios. Assim é meu dia-dia, continua sendo...! Claramente entendi as dificuldades de enquadramento a uma forma de enxergar o mundo, todos tem o seu ritmo e tempo de entender, e, capoeiristicamente falando: não é tão fácil assim, a capoeira é dinâmica até mesmo nas palavras, ela é e não é! (entendeu?). Entre falas que entrecortam o texto, é traçado uma preparação para adentrar a uma capoeira de enlaces profundos, debaixo de uma fisionomia externa, longe do que todos estão acostumados a ver. É sua síntese cultural própria. A capoeira é e vai continuar sendo uma reunião de noções primitivas e contemporâneas que se justapõem formando um mosaico a ser lido como este texto. Neste percurso fica a tentativa de misturar seres míticos, poéticos e mágicos, bem como diferentes falares brasileiros, como o erudito e o popular misturados a vocábulos africanos e indígenas. Eis o nosso caldeirão fervente, essencial à formação da identidade brasileira. E nessa viajem, buscamos por elementos nacionais entranhados no mais profundo inconsciente coletivo como onças, sacis, lendas, e feitos dos grandes mestres. São representantes do imaginário social brasileiro e a capoeira não deixa nada faltar. O final deste texto sugere uma continuidade, uma forma de permanente busca do "homem-completo". As caracteristicas empreendidas até esse momento proclama harmonizar os contrários. Ao parafrasear a cantiga de 'BOA VOZ", digo que o "calado é vencedor porque o veneno que sai pela boca é mais mortal que aquele que entrou".
Obrigado leitor pelo desafio da Leitura.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

edifiquemos nosso próprio tempo!!

Desta forma confiaremos mais em nossos desígnios, pois a promessa de dias melhores nos cerca a todo instante. Nesta quarta-feira que se passou, a roda do mês deu seu recado. Atendemos seu chamado depois de tomarmos um fôlego para que pudéssemos pensá-la e  fazê-la sob outros olhares. É verdade, é preciso repensar a prática, refazê-la e edificar todo o contexto novamente.Talvez seja coisa de professor: começar tudo de novo até que alguma coisa dê resultado, se não for assim, o trabalho deve ser refeito. Vale a pena!! E nesse país, lugar onde o professor é marginalizado, desvalorizado e maltratado na sua profissão, seus alunos são a sua ressalva, o seu alento, sua dignidade. Numa roda de capoeira os alunos são ponta de lança de seu professor, é a manutenção do jogo, é o seu sustento.O espírito de companheirismo nos persegue e faz nossos pensamentos e sentimentos distanciar de uma atrofia que interfere no humanismo  das pessoas.O caldeirão que ferve é o da diversidade, do respeito, das cores, gostos e jeitos que cada indivíduo traz das suas experiências para a roda de capoeira. Caros alunos, desconstruamos a dualidade e a normatividade das coisas, vamos além das possibilidades e edifiquemos nosso próprio tempo.

domingo, 28 de novembro de 2010

os amigos moram ao lado

Conheci este camarada da maneira mais difícil na roda de capoeira: fazendo um jogo perigoso...trocando "porrada". Mas diz o ditado que "há males que vêm para o bem", e, daquele dia em diante passamos a nos respeitar, valorizar a capoeira de cada um. Ele, tem um grande jogo de capoeira: não é um capoeira pula-pula; ele tem fundamento, estilo, visão e uma maneira de jogar como poucos por aí, e continua evoluindo.... Hoje em dia o professor "URSO" é um capoeirão das rodas, além disso pude comprovar o seu alto grau de humanidade e preocupação com o andamento do evento de seu mestre, ontem no Centro de Convenções de Curitiba. Eu me identifico com este "cara" porque nossas histórias na capoeira são parecidas: momentos de tristeza e decepção, porém a luta, os amigos, a família, o mestre não o deixou parar com a capoeira. Todo este caldeirão de sentimentos faz parte da vida de muitos capoeiristas que fazem sua história a muito custo. As formaturas que existem na capoeira são importantes, seria bom que não perdêssemos nenhuma, pois as histórias de vida de cada capoeirista que se forma nessa roda da vida é fenomenal. É isso aí camarada URSO, concordo com as palavras dos mestres: se você parar, a roda de capoeira fica mais vazia de qualidade, destreza e de um capoeirista de mão cheia. Você conseguiu vencer mais uma, pela sua força física, intelectual e principalmente espiritual nas rodas de capoeira. Parabéns pela nova graduação, estamos juntos nessa caminhada. Quando precisar é só me chamar! e obrigado pela amizade sincera.

sábado, 13 de novembro de 2010

Depois de nós!!

Analisando todo o caminho percorrido até aqui, a capoeira me traz um balanço geral:  três (3) gerações de capoeiristas passaram por minhas mãos e meus pés. Levo em conta o tempo (5 anos) para graduar um aluno (corda-laranja) e o contexto histórico das gerações que sucederam nos locais onde trabalho, em especial as academias Hot Center (15 nos de trabalho) e  Corpus (12 anos de trabalho). Nestes lugares, trabalho até hoje. Naquele tempo, éramos todos principiantes no ensino da arte; a capoeira, ainda carregada de preconceitos começava adentrar nas poucas academias de Curitiba. No entanto foi uma grande novidade, mesmo sem darmos conta de que a capoeira era tida de forma reducionista como uma "modalidade de ginástica", tínhamos em mãos um grande instrumento de educação e interação para todo o tipo de pessoa. Desta forma foram chegando os alunos, desconfiados ou sem intenção muitos ficaram por longos anos ao meu lado, outros nem tanto. É a prática da vida, ganhar ou perder faz parte do itinerário. Ensinei muitos à gingar, construí amizades que são eternas. Cada geração é marcada por um compasso, tem sua especificidade, tem um modo de agir e pensar. É com este aprendizado que continuo me estruturando como pessoa; algumas imagens, pessoas, momentos são vibrações que hora ou outra remetem à saudade. Mas chegamos até aqui, e pretendo estar sempre em consonância com o tempo e as pessoas a medida que vou caminhando, e, pensando bem, os ventos sopram em outras direções. Sob outros olhares a história  se refaz com a nova geração que está  chegando; juntos preparamos o terreno para perpetuar novos saberes, olhares, atitudes...mas jamais será como antes!! como será...depois de nós?

sábado, 6 de novembro de 2010

cadinho de cada cousa

Às vezes são histórias tacanhas, triviais, inúteis talvez, infantis; amontoado de cenas do cotidiano, de insatisfação, de amor, de demência, de ordem e desordem. Lixo.Lixo!Lixo? Devo escrever? Já li textos extremamente açucarados para o gosto da crítica e gostei. Ser ou não ser lixo é questão de ponto de vista! Agradeço por deixarem passar "alguma coisinha" em nome da democratização. De fato são sempre as mesmas interrogativas, cantam as mesmas "cousas" de sua época: política, censuras, sentimentos, frustrações e por aí...Entretanto posso ficar horas deleitando-se em palavras, é talvez o meu triunfo debruçar sobre os teclados ou papéis; é um dos meus estados criativos. Não é possível ficar sem...É sempre um caso de abertura, de possível, de devir. Esta experiência me arranca do mundo e me coloca novamente nele como o eterno retorno, assegurando o inevitável rompimento das verdades e das certezas. No lugar do usual, cavar e inventar realidades abertas ao vento dos acontecimentos. O texto, no instante em que é lido, torna-se soberano, edifica o seu próprio tempo. Mas, paradoxalmente, à medida que lê, afasta-se dele forjando seus próprios pensamentos, como diz Barthes: "Nunca lhe ocorreu ao ler um livro, interromper com frequência a leitura, não por desinteresse, mas ao contrário, por fluxo de idéias, excitações, associações?Numa palavra, nunca lhe ocorreu ler levantando a cabeça? É essa leitura, ao mesmo tempo inrrespeitosa, pois que corta o texto, e apaixonada, pois que a ele volta e dele se nutre, que tentei escrever" (p.26). E nesse cadinho das cousas é preciso ler de cabeça erguida.

a compreensão do erro como possibilidade de acerto

A existência de um ambiente de confiança entre educador e educando para que ousem trazer seus não-saberes pode e deve ser vivido na prática da capoeira. Isto se dá pela postura de fazer perguntas, o que não é prática comum entre nós.Na verdade, o que acontece com muitos de nós é justamente o contrário: nos tornamos especialistas em dar respostas. E quando perguntamos, é somente para confirmar nosso saber e conferir o saber do outro; assim o ato de perguntar se dá de forma isolada. As perguntas surgem em momentos de dúvida, de reconhecimento, de readequação de nosso discurso. Aprendo a perguntar mediante o aprendizado de aprender a falar; está ancorado em outras vivências. O ato de perguntar é a possibilidade de criar, ao mesmo tempo entrelaçar os fios de tecido da minha/nossa prática na capoeira. Penso que, aquele que educa/ensina, vive na prática a compreensão do erro como possibilidade de acerto. Então, será que quando damos respostas prontas e mastigadas aos nossos alunos não estamos anunciando/denunciando que não queremos que eles entrem em contato com os nossos não saberes? Fica a indagação...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

me lembro um dia

Talvez um dia de cada vez...no auge de minha inquietude procuro resquícios e "possibilidades mais" para se pensar o que mais sei fazer nessa vida: jogar capoeira. É um vício de treinar! não existe feriado ou tempo ruim; faz-se de chinelo, de sapato ou descalço; na lama, no barranco,no mato. Tudo isso porque o tempo insiste, este sim nos atormenta, alertando sobre nossa finitude, mas ao mesmo tempo nos prepara e transforma para o infinito. No mundo da capoeira é assim, o uno deve se dar conta do múltiplo dialogando com o passado, presente e futuro; é a vontade de fugir do reducionismo; a capoeira busca pensar o que todos vivem com todo o tipo de experiência: o jogo falado, jogado, treinado, balanceado dá conta de tudo. Meus alunos compõem esta história; acho que já tenho alguns discípulos nessa maneira de pensar. Estes entendem bem essa sede que cede aos encantos do berimbau; valentes reprovam no canto de olho e passam rasteira no calendário apertado. Nesta altura da vida, descobri que choro de olhos fechados por conviver com as belas pessoas; as menos belas e decepcionantes  também  provocam a lágrima seca. Foi, e está sendo assim, o escritor recorre à própria memória para relembrar o dia em que a capoeira oferecia um lugar seguro para a gente interpretar nossos cantos, como se fosse um palco. Ela ainda oferece, basta estar com os olhos sedentos de curiosidade, feito crianças, atentos às histórias que se contam por aí.

domingo, 3 de outubro de 2010

Summertime

Parou para sentir o que sentia. E sentiu tudo de uma vez. Agora as cortinas estavam abertas: é a jaguatirica da capoeira que se apresenta para o mundo, hurra!! A luz que vinha de fora, podia agora entrar pela sala  e iluminá-la do centro ao fundo e lá está ela a debruçar-se ao som percutido de seu berimbau que dizia-lhe: sempre estive por aqui!! Esta mulher, serena com um tom leve qualquer é minha aluna; melhor dizer somos aprendentes e ensinantes. Temos coisas em comum na difícil arte de ensinar e aprender. A capoeira chegou para ela na hora certa, nem antes nem depois! A luz da arte jogada e percutida encostou-se nela, depois a atravessou e aninhou-se a ela como para esquentá-la. Será prazer isso? E eu aqui achando que é felicidade?Ah, tanto faz, os dois moram bem perto. Talvez a jaguatirica (Deisi) mantinha-se tão reta na sua forma de pensar e agir a vida que não imaginava que era curva, que era linha redonda, que era barriga, que era círculo do começo ao fim...A CAPOEIRA. Estava mesmo abrindo as cortinas para a jaguatirica, espreguiçava-se nesta hora...tinha vida o mundo afora. " a hora é essa, a hora é essa..." cantava ao som de seu instrumento monocórdio. Silêncio. É o que vive esta mulher. Silêncio de batidas no peito, atabaque e caxixis. E o corpo chegando aonde se deseja. Desejos sem medidas ainda permanecem e insistem em pernadas que sobem e descem, vão e vêm despreocupadas com o tempo. O seu silêncio não era solidão, era só um vazio bem cheio de ser. Sabia que tinha histórias para contar: não é que tinha entendido a capoeira! A jaguatirica que ronda entre ipês, cantigas, berimbaus, atabaques, e porquês  sorri e fecha os olhos  " ela tem direito à doze segundos". Para a Deisi, a capoeira é e sempre será.
Parabéns pelo seu níver...felicidades sempre.

domingo, 26 de setembro de 2010

meu santo tá cansado...

Em se fazer paz ou guerra  no embate diário, a capoeira produz  o sujeito cansado da lida. E ainda que o espírito seja forte, algo está esvaziando, se perdendo. O choque impetuoso com figuras enigmáticas e antagônicas suga-lhe uma força vital  tão necessária para a sobrevivência nos dias atuais. A dualidade da vida e as incertezas nos coloca em xeque, então é preciso se reafirmar sob uma outra lente, outra perspectiva, uma brecha que ainda se esconde a qual momentâneamente nos diz que não tem saída. Será? Ainda há uma lacuna a ser completada, um vazio a ser preenchido. Investiguemos o ser e o nada, pois a consequência dos anos idos e as meia-luas estão pesando, turva-se uma vez mais a caminhada sob o fio da navalha.E desta vez apresenta-se mais um desafio: o da perda da vitalidade. Já diz a cantiga "ê marinheiro aguente a maré...". Na lida, a capoeira traz à tona conflitos existenciais, novos ou arraigados no tempo.No entanto esta arte é promotora da vida, interroga a todo instante até colocar o seu próprio objeto sem rumo no sentido de  provocar  mudança, não radical, mas beber de outra fonte. Quando apenas apontamos o problema e não o problematizamos, ou seja, não investigamos tal fato, as coisas perdem o sentido. E a coisificação rodea tudo e à todos.  E é tudo tão complexo que, a resolução de todos os nossos problemas mundanos não está somente numa das partes, mas é de se pensar o todo. Mas vamos em frente, pois o brilho de pessoas queridas me tiram o chão;é a salvação, ainda que me pesem as pernas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

QUIPROQUÓ

Meus caros amigos, convido vocês para entrar nesta roda comigo.Quanto equívoco e situações desinteressantes têm rondado a nossa roda de capoeira neste ano de eleição. É claro que já esperávamos tudo isso, mas que a "carroça ia frente dos bois" na capoeira...haha! é demais! É o típico do discurso falacioso, vazio e incoerente...uma confusão de quem faz ou não faz pela capoeira.Tem coisas que precisam ser desconstruídas imediatamente. Alguém precisa falar para este sujeito que ele não está com a bola toda, está fora da realidade. Será que o capoeirista politiqueiro não se dá conta de que NÓS, capoeiristas de longa data sabemos quem é quem roda?! O contexto histórico das rodas por si só problematiza, denuncia e diz realmente quem joga e quem se esconde no berimbau. Políticos todos nós somos, mas não no sentido partidário.Para um bom entendedor "não fazer política já a estou fazendo".Não há a necessidade de uma apresentação formal, até porque muitos que são apresentados são os que menos entendem de capoeira.Perdemos um tempo muito rico nesta situação enganadora e cansativa. Há uma grande distância entre o discurso e a roda de capoeira, os mestres antigos  alertavam este tipo de situação.Quem faz o capoeira é a roda, é inegável. E o marketing agressivo:" faça! me veja!! adicione...preciso de vocês". Tenho pena daqueles que dependem deste tipo de pessoa, imaginaram comigo?? Sugação total, até a última gota. E quando não der mais conta, coloca-se outra no lugar imediatamente. Havia um tempo negro em que, um mestre de capoeira procurava formar soldados para a sua capoeira em nosso Estado, hoje em dia não é muito diferente, só mudou a nomenclatura para: cabos eleitorais, educadores, monitores e o diabo à quatro. Fiz meu nome na capoeira frequentando as mais diversas situações de roda, poucas vezes fui apresentado.Mas lá estava eu com a cara e a coragem para ser reconhecido (jogando). Desta forma conduzo meus alunos e, todos sabem que a história do capoeira se constrói ao longo do tempo dentro da roda, nos treinos, no jogo difícil e perigoso, no berimbau bem tocado, mas dentro do fundamento da capoeira, ou seja, capoeirísticamente falando. Quero sim, chegar para a  roda e ouvir falar dos mestres Bimba, Pastinha, Waldemar e tantos outros que fizeram e fazem história na arte-luta-dança, e não blá,blá,blá sobre política partidária. E como cidadão de direito deixo meu protesto em relação a esta esculhambação na capoeira. Toquem o berimbau e façam uma cantiga linda para eu poder jogar...por favor!

Qual o quê?

Quis nunca te perder, pois demora-se o instante em que  mãos de tocadores de berimbau e o percurso da roda fica entre mim e você...saudamos a arte do jogo da vida! Sentimentalismo?-Não meu camará...muitas vezes é preciso voltar ao curso do rio que conduz todas as nossas experiências, é o instante que equilibra e desiquilibra feito gangorra nos dando impulsos de alegria e frio na barriga para depois da satisfação e prazer, descer e contemplar o que acontecia. Esta volta , faz seres com um grau maior de observação, interpretação e transformação do mundo,e a roda, os tocadores, cantadores e todo o contexto nunca é o mesmo quando retornamos . Apoiado na reordenação de coisas e pessoas o trajeto que fazemos é íngreme, escorregadio e com uma vazão muito forte. E  ainda que eu me perca, chegarei até meu objetivo, seja pela força da correnteza, seja pelos braços d´água que desviam o caminho ou, por um filete d´água, mas por favor tenha paciência, ao passo que não se vive só uma vez. Assim estou contigo para o que der e vier...pense bem capoeirista, capoeirão, capoeirando: quis nunca te perder- qual o quê? neste instante mágico...

domingo, 22 de agosto de 2010

RETRAÇOS

Coisa difícil é segurar a Rafaela por alguns instantes...oh mulher expansiva e inquieta!!! Desde que eu a conheço foi sempre assim e assim alçou vôos para o mundo. Por essa expansividade, tudo a sua volta é pouco, ela quer sempre mais. Mulher de ação, bonita, comunicativa envereda por tudo e todos: a coletividade, o social é seu lema. E na capoeira não foi diferente, aproveitou muito, fez história ao nosso lado nos anos em que a capoeira precisava ser repaginada, e a Rafa doou todo o seu tempo possível para a causa, pois experenciou os melhores momentos do mundo da capoeira.
Desconheço algum momento em que nossa amizade balançou, na minha memória esta presente toda a tragetória desta pessoa maravilhosa que um dia encontrei na capoeira. Hoje em dia nossas vidas são completamente diferentes, mas continuo retraçando momentos felizes que minha eterna aluna deixou.
Parafraseando Dr. Decânio ( e que ela conhece muito bem): a Rafa também mora na raíz mais escondida do meu coração.
Parabéns pelo seu dia, Feliz Aniversário!!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

II RODA DE ESTUDOS-UFPR

Mestre Luiz Renato, sociólogo e mestre de capoeira "de mão cheia", quando compõe uma mesa de discussão nos deixa boquiabertos com uma exposição impecável. Seu conhecimento sobre políticas públicas para a capoeira e toda a problemática que envolve este assunto torna-se claro, acessivel e interessante até mesmo ao capoeirista mais desinteressado. De forma serena e esclarecedora, sua maestria na condução do debate provoca a desconstrução de vários temas em que o capoeirista está arraigado, entre eles " o reconhecimento da profissão de mestre ou professor de capoeira".
Para ele,especialista em leis, este assunto deve se encerrar, pois o reconhecimento da profissão pelo Estado em nada muda a situação e a visibilidade do capoeirista, pois estaríamos criando um " monstro" contra nós mesmos.Segundo Mestre Luiz Renato, várias profissões foram reconhecidas no país mas em nada mudou o seu status. A alternativa para a capoeira seria sua constante qualificação, é a ordem do momento para todo o tipo de profissão. Há muitos cursos de qualificação envolvendo os capoeiristas para a sua profissionalização. Os tempos mudaram , o capoeirista precisa falar outras linguagens, inclusive a acadêmica, sugere o Mestre.
Através dos slides, Mestre Luiz Renato provoca a interpretação das  leis de maneira minuciosa, pois " elas estão cheia de armadilhas", diz ele. Assim,numa excelente aula em que não podíamos se quer piscar os olhos (com o deslize de perder algum detalhe), este grande capoeirista (mestre da arte) nos faz um grande favor: o de acordar o capoeirista para o seus direitos e deveres de cidadão e presença no mundo.
Obrigado Mestre  pela excepcional aula!!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Virtude feminina


Quando elas gracejam na arte do jogar capoeira e tocar berimbau nos desconcertam. De modo que seus gestos e atitudes na roda são desprovidos de ódio, de dureza, de insensibilidade. Estas ( as nossas alunas), se destacam pela sua doçura, esta virtude feminina e que alguns poderão contrapor em dizer que virtude não tem sexo (é verdade!),mas isso não dispensa de o ter, por isso que ela agrada, sobretudo, nos homens. A verdade é que nenhum homem escreverá, nem amará, nem jogará capoeira como elas. E que desastre se, " todo mundo se alinhasse aos valores masculinos" ( Todorov),seria o triunfo da guerra, ainda que fosse justa, e das idéias, ainda que fossem generosas. Faltaria o essencial, que é o amor. Mas voltemos à doçura. A coragem sem violência, a força sem dureza, um amor sem cólera é o que ela tem de feminina. A doçura se recusa a produzir ou aumentar o sofrimento do outro; é a que mais se parece com o amor. O homem só é salvo do pior, quase sempre, pela parte de feminilidade que traz em si, desta forma a doçura o acompanha. Vejam os brutamontes que não a tem. Não sei se podemos dizer o mesmo das mulheres, se elas precisam do mesmo modo de uma parte de masculinidade. " A mulher, mais perto do humano do que o homem...", dizia Rilke.
Quando o homem deixa de ser " macho pretensioso e impaciente" e não se deixa enganar pelos valores da virilidade, a doçura o acolhe. Ela, ( a capoeirista) doce mulher, mãe,menina submete-se ao real, à vida , ao devir, pois a doçura é sua acolhida, se alimenta dela e é isso que torna a humanidade mais humana, graças à qual-e só a ela! a roda de capoeira é harmoniosa e bonita: Tica, Drika, Risadinha, Chinchila, Deisi, Delicada, Cecília, Ana, Amanda e todas as mulheres da capoeira tornam a roda da vida cheia de graça e doçura.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Pois é...

Que sorte a nossa quando podemos superar e depois rir de situações embaraçosas e difíceis do nosso cotidiano capoeirístico. Às vezes a dor física que, num momento de distração pode comprometer para sempre os movimentos da capoeira . De outra forma, são as dores da alma que nos tira o chão e ficamos sem rumo...por um bom tempo! Somos extremamente limitados para entender estas situações. E por um momento de distração, abrimos a janela do acaso e logo a rasteira da capoeira ou  da vida (que é mais dolorida) nos tira o terreno que até então era tão seguro. É o sinal para recuarmos e fazer uma avaliação, é momento para refazer, e até mesmo parar. Sim, brincamos muito com a vida sem darmos conta do limite existente, então é preciso estar atento aos sinais e respeitar o aviso. Sabemos que existência também ensinou ao homem encontrar meios de resistir dores ( do corpo e da alma), seja na experiência adquirida, seja com a ajuda das próprias pessoas com suas especialidades. Ao homem ficou a inteligência para encontrar meios de resistência e superação melhores hoje em dia. A capoeira também está por aí para fazer da vida um prazer, e mesmo que os movimentos físicos e as relações que nela ( a capoeira) extrapolam é necessário parar, reavaliar, refletir sem esperar pelo aviso. Pois é...precisamos de um puxão de orelha de vez em quando.

domingo, 18 de julho de 2010

um eco de alegria à alegria sentida

Segundo André Comte-Sponville, a gratidão é a mais agradável das virtudes,não é, no entanto, a mais fácil. A gratidão é um mistério, não pelo prazer que temos com ela, mas com o obstáculo que com ela vencemos. Quantas vezes agradecemos sem mesmo ter consciência do que isso significa, ou, agradecer por mera formalidade ou ato físico. Em sentirmos bem quando colocamos generosidade nas atitudes é superarmos o egoísmo, "...a gratidão nada tem a dar, além do prazer de ter recebido". O egoísmo é incapaz disso, pois só conhece suas próprias satisfações, pelas quais zela como um avaro por seu cofre. A ingratidão não é a incapacidade de receber, mas incapacidade de retribuir. De outra forma, a capoeira é a generosidade mais profunda: está sempre contribuindo, somando, incrementando sem pedir algo em troca. E o seu protagonista ( o capoeira), inspira a virtude da gratidão através de seu canto e dança. Ele encarna a alegria num sorriso ou passo da ginga em reconhecimento por tudo, sim, por gratidão a tudo que tem construído até esse momento. Os capoeiristas absorvem alegria como outros absorvem a luz, é neste estado sublime que as perdas e ganhos são necessariamente somados à construção humana. E essa alegria, por mim sentida, interior ou reflexiva tem uma causa externa, que é o universo de Deus, da natureza, da capoeira, das pessoas. E sou grato por isso. Entretanto, não confundamos gratidão com retribuição de cortesias. Como quer que seja, o amor quer bem ao amado, pelo menos se tem amor à gratidão. E em todos os momentos vividos na capoeira existe uma gratidão, uma alegria da memória, esse amor do passado- não o sofrimento do que não é mais, nem o pesar pelo que não foi, mas a lembrança alegre do que foi. A gratidão é o segredo da amizade, não pelo sentimento de uma dívida, pois nada se deve aos amigos, mas por superabundância de alegria em comum. Aos mestres e amigos que já se foram e àqueles que estão por perto, minha eterna gratidão pela ALEGRIA SENTIDA!

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre jequitibás e eucaliptos

Dentro da hierarquia do Grupo Kauande existe a  corda-roxa, que dá o significado de PROFESSOR de capoeira nesta instituição. Pode-se entender essa condição de várias formas: direcionar,organizar ou guiar para chegar a um fim, não sei qual! talvez dar um reconhecimento ao aluno que tanto defendeu a arte, alguma espécie de motivação. E na pior das hipóteses, um adestramento de pessoas que estão inseridos na casa,cada um no seu devido lugar não mais que uma função.  Rubem Alves nos dá uma boa reflexão para analisar tal questão: a relação entre o que é ser professor, e o que é ser educador.
Façamos a analogia sobre eucaliptos e jequitibás: os eucaliptos, essa raça sem vergonha que cresce depressa para substituir as velhas árvores seculares que ninguém viu crescer nem plantar. Para alguns gostos , fica até mais bonito: todos enfileirados, em posição de sentido, preparados para o corte. E para o lucro. Estes são professores que habitam um mundo diferente: são entidades descartáveis, são funções; é uma entidade gerenciada, administrada, está nas mãos dos interesses do sistema.
 Nesta análise podemos imaginar o quanto existe de limitação quando ficamos amarrados a uma espécie de corda, graduação ou rótulo que poucos entendem: é uma sigla para fins institucionais. É PRECISO IR ALÉM, a graduação é uma espécie de mapa.No entanto existe árvores que é diferente de todos, que sentiu coisas que ninguém sentiu, ou seja, existem capoeiristas que viu e sentiu o que ninguém jamais pode imaginar. E os educadores são como as velhas árvores: possuem uma face, um nome, uma "estória" a ser contada.
 Para estes, o seu habitat é a relação com seus alunos, que se estabelece a dois alimentando esperanças. O ritmo do educador não segue o ritmo do mundo da instituição; a sua interioridade faz a diferença.É uma vocação, jamais imposição ou função!! Mas o mundo mudou, as florestas foram abatidas. Em seu lugar, eucaliptos. E algumas pessoas têm a ilusão de poderem ser educadores e não sabem que o controle passou das mãos das pessoas para a lógica das instituições (grupos). Para Rubem Alves à formação do educador é necessário reaprender a falar, a palavra é seu instrumento, mesmo quando seu trabalho inclui os pés. Todos seus gestos são acompanhados pela palavra.
Deixemos o alerta aos futuros capoeiristas para que não fiquem em função de rótulos, siglas onde a pessoa passou a ser definida pela produção: sua identidade é engolida pela função de professor, reduzindo-se a funções amarradas dominado por grupos, empresas e pelo Estado!Há um ser humano por trás das amarras da corda. Aos capoeiristas deseja-se que despertem sim para uma vocação: a de educador sem dúvida exige fé e coragem. Este, para o autor "é fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos" e para nós este é um jequitibá.

# Conversas com quem gosta de ensinar-(Rubem Alves)

terça-feira, 6 de julho de 2010

BESOURO...é zum,zum, zum

"...capoeira é coisa de se aprender de cada vez um pouco, até o fim de nossos dias, é arte de bicho, de planta, de pedra , sim. Mas não aprendi nada disso com luneta, régua, mapa, não. Foi tudo no respeito, na reverência, na cadência, com tento apenas no que fosse pé pisando certo nos errantes do mundo. Capoeira é a vadiação , a roda. É ser o bicho, um besouro, um camaleão que mamou na mula e tem pé pesado, ginga mole, dolência, e a preguiça a que qualquer um tem direito. Ora se." ( FEIJOADA NO PARAÍSO- Marco Carvalho)

QUE TAL LER?!

when i look at the world

Quando bem vivida, a existência mostra seu momento mágico onde pessoas, coisas, olhares e natureza tem um sentido fora do comum. E como sempre assisto a tudo e percebo em volta o estado de completude em que as pessoas felizes se encontram. Muitas vezes me calo e fico só observando que os anos foram me ensinando que o silêncio na maioria das vezes é " a ensurdecedora voz da verdade", e quantas verdades até então não eram compreendidas. Capoeirísticamente falando, devo este estado de espírito às pessoas que passam, convivem ou passaram por mim deixando uma efervescência de sentimentos de todo tipo, e assim vou conduzindo a vida. Viver constante em meio a este universo é driblar o cansaço e saber que, quando se pensa saber tudo, ainda não se sabe nada. O trabalho continua, sob outros olhares e nuances, com outras pessoas em outros lugares. Nesta estrada aprendi que aquele que vive, domina, prevalece, é constante ator dos atos vividos. As pessoas são cheias de imperfeições, mas da mesma forma são fascinantes, basta enxergar além do que se vê: a convivência é a técnica. E  tudo isso que vos digo vêm de uma força maior que move as pessoas para perto de mim, é um Deus que tem todos os nomes possíveis. Talvez seja um Deus que embriaga, que é cheiroso e inebriante; talvez um Deus que deixa marcas. Mas a verdade é que tenho fome e sede...de Deus!!  ESTE QUE ME FAZ OLHAR PARA O MUNDO.
Obrigado ao Cigano e alunos queridos pelos impagáveis momentos!!

domingo, 27 de junho de 2010

impressões da roda IV

 Técnicamente e fisicamente sabemos que a capoeira faz muito bem, com seus ganhos sobre performance e agilidade motora em suas mais variadas formas de treinamento específico ou não, depende também de uma busca pessoal do próprio capoeirista, a que objetivos deseja atingir, a que ou a quem se destina jogar e treinar ....capoeira. Somemos a isso as emoções, a individualidade, o jeito de ser de cada um e os sentimentos que arrolam quando estamos a" sós" ou em coletividade na roda de capoeira. Hoje me dou conta de uma coisa que chamo de Currriculum emocional: faz parte da existência do capoeira, era algo que no começo não tinha relevância para mim, alguma coisa faltava no capoeira que tanto gingava. Mas o tempo vai dando conta de mostrar que a formação humana é de extrema importância para o bem comum, seja qual for o instrumento que você utilize para que isso se efetive, em nosso caso a capoeira. Para muitas atitudes ou comportamentos fazemos vista grossa porque nessa demora o próprio indivíduo perde a noção do que está falando ou fazendo, no entanto devemos agregá-lo e mostrar-lhe que algo lhe falta e trazê-lo para a realidade dos fatos ou das coisas. Temos jogado muita capoeira com essa nova geração que desponta sob outros olhares, é hora de mudar novamente, as possibilidades aumentaram e o desejo de humanização é latente e necessária para que possamos entender que as coisas que amamos e gostamos de fazer não seja baseado numa relação de troca de mercadoria, mas sim em completudo com meu próximo.Afinal capoeira se faz com o outro e não contra o outro. Muitos sobreviventes dos tempos difíceis da capoeira curitibana estiveram na roda do Muffato para comprovarem que não é so a destreza técnica e física que constrói o capoeira, mas também o seu currículo de emoções, na soma de gestos de respeito e reconhecimento, cada qual a seu jeito
Aos alunos Sagui,Mosca, Jeitoso,Chinchila,Cadeado,Barata,Sanfona,Delicada...obrigado pela companhia na maratona que houve esta semana, juntos  fazemos nossa parte na formação humana e nosso Curriculum emocional torna-se a cada passo dado consistente. Valeu o cansaço!!
                                                         estamos jogando!!

terça-feira, 22 de junho de 2010

riso largo ou cara amarrada?

Há muitos fatos verdadeiros, muitas vezes por mim presenciado que faz refletir e convidá-lo para jogar esta roda comigo.  Através deste blog, faço meu exercício de escrita nos momentos de folga, (neste momento estou sem sono e são quase uma (1) da manhã e daqui a pouco tenho que levantar e sair para a UFPR!...mas vamos lá), eu quero escrever.
Indiretamente ensino, às vezes camuflando verdades e lições que alguns alunos não ouvem, não veêm, não absorvem...mas que fica subentendido, acho eu! Nestas andanças minhas, a roda de capoeira afora me fez sempre enxergar o capoeira de "riso largo", este sim é bom de encontrar, de jogar, é a soma de partes distintas entre vários estilos de capoeira. No entanto me pego pensando se talvez eu tenha a quilometragem necessária para entender o tal do capoeira de "cara amarrada", é a contradição da capoeira, é incompletude. Dizem por aí que é perigoso, não fala, é cheio de músculos e joga como ninguém...é o cão!  Realmente já topei com este tipo por aí, e penso que não adiantou ter jogado duro devolvendo à ele o mesmo olhar de brucutú, não valeu a pena!me perdi, levantei, avaliei e segui outro caminho. O problema do valentão está lá atrás, por onde andou e quem lhe formou, geralmente é um arquétipo de capoeira acéfalo, cheio de problemas e quer sempre ganhar na força física; é um autêntico narciso, joga só. Gingar não ginga mais, seus pontapés parecem que quer acertar a platéia. Eu ainda não tenho a quilometragem de capoeira dos grandes mestres, mas o quanto caminhei até aqui me faz concluir que para o "cara amarrada" , BIMBA e PASTINHA lhes falta.E também falta-lhe humildade, sabedoria, destreza, conhecimento e sensibilidade,ficar mais capoeirista enfim.
Num dia desses, de madrugada ( noite de insônia), li sobre a última lição que mestre Itapoã aprendeu de seu mestre o "Bimba": ...a palavra dada não precisa de assinatura, ela fala por si só, é para ser cumprida.
Tenho tentado colocar em prática esta lição, algumas vezes me dou mal, mas mestre Bimba dizia que a decepção também faz parte do jogo,
                                                        tô jogando!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CURSO-BÁSICO: entre a cena e o papel

Comecemos por indagação: até onde queremos chegar com a prática do Curso-Básico?
Reviro papéis, fotos, vídeos, falas, erros, acertos e logo me permito responder que a prática destes anos todos nesta história sugere que o evento continue remando: longa vida para o Curso. Esta  cena se repete  todo ano na busca constante de  outros olhares sobre a capoeira. Há cinco anos estamos realizando esta tarefa; e podemos avaliar que o CURSO está tomando corpo na sua idéia e originalidade. A prática deste tipo de encontro fortalece a capoeira e  amplia a visão dos capoeiristas, seu objetivo se volta para um treino Básico forte, no intuito de melhorar a técnica e postura de movimentos. Sugere também outros métodos, tendências,e várias possibilidades com materiais voltadas para o lúdico e a técnica. Do papel saiu muitas idéias para a nossa prática e a medida que os capoeiristas procuram entender a importância deste tipo de proposta, a capoeira segue em frente. A arte ganha notoriedade na medida que se organiza, pesquisa e planeja sobre o assunto: este é o futuro da capoeira!E aquele que caminha com a evolução, relaciona com outras áreas e traz para a conversa todos que desejam fazer trocas de conhecimento em função do jogo da capoeira estará dentro do pensamento de Mestre Bimba.
No entanto, ao promovermos um evento como este nos tornamos alvo de desconfinça e falácias. Em contrapartida estamos ancorados por pessoas com alto grau de competência e visão.Lidar com pessoas, aceitar críticas, agradar a quem não se agrada, nunca foi fácil, são fardos que acostumamos carregar: o tempo e a experiência  dá a sabedoria necessária para atuar neste tipo de situação e o fardo vai mais ficando mais leve.
Para o leitor,e também para quem se interesse por capoeira tudo isso parece muito salutar: nestas palavras o alerta é  para o que existe de bisonho e esquisito, de insuficiência intelectual e prática na capoeira. Infelizmente, a nossa arte de gingar é massacrada pela rotina de professores sem noção,mestres da noite para o dia, e atualmente, o afamado Educador de capoeira que não se aprimora e vive sua prática  pouco criativa e sempre autofágica ( ainda existem professores  que se devoram em  lutas pequenas pelo poder ainda menor, tudo disfarçado em incompatibilidade teórica e técnica) ,assim a capoeira vai mal. Não é isso que queremos!
O CURSO-BÁSICO tem um belo sentido: não vai resolver os problemas da capoeira, mas quem o faz sai mais forte e motivado para encará-los de maneira a suportar tais adversidades e superá-los. A capoeira é uma atividade que toca no espírito das pessoas, portanto esta tarefa está sempre na mãos daqueles que proporcionam interação entre elas...desta forma a capoeira faz sentido.
Sim, aceito um copo d´àgua, obrigado!!rs
AGRADEÇO À TODOS QUE ESTIVERAM NO CURSO BÁSICO-2010.

sábado, 5 de junho de 2010

Meu amigo: o capoeira

O capoeira que eu imagino é aquele que faz de cada presença na roda a sua promessa de pernada posterior.Ele sempre termina o treino ou jogo com o sentimento de recomeço. Às vezes a roda teima ser uma indagação, a menos que ela ( a roda) suplante as tensões e atenções por aquilo que não se espera, aquilo que a capoeira tem de mais rico: a surpresa.
O capoeira que eu imagino é aquele que por mais adversa que seja uma roda, um jogo ou um momento, a capoeira impõe no bom sentido uma atenção e um interesse especial, pois para esse capoeira a vida seria menos do que ela é, sem  a capoeira. Ele quer ser a roda, e no seu bojo dizer sobretudo o que não quis dizer; e fazer da ginga ao menos parte do seu modo de ser.
O capoeira que eu imagino joga nas situações mais conhecidas por ele sempre com os olhos da primeira vez. A medida que joga perto do outro ele amplia, alarga, expande seu ego e ganha mais espaço para acolher e hospedar mais gente dentro dele e igualmente se tornar cada vez mais solidário, depois de cada jogo brincado.
O capoeira que eu imagino precede e pressupõe a história do capoeira antes de jogar. Ele nunca teve ou terá um mestre predileto- ele pode sim ter a predileção por um único mestre.Eventualmente ou por necessidade de sobrevivência, busca o conhecimento utilitário dos livros, mas em tempo algum abre mão da prática e presença na roda como uma das experiências mais felizes.
Para este capoeira que eu imagino existe um livro escrito especialmente para ele, igual a um amor predestinado, ainda que este encontro viva somente no imaginário de quem lê ( ou joga) como quem ama e ama como quem lê...joga!
O capoeira que eu imagino é o personagem principal da história mais incrível que alguém jamais escreveu. E a capoeira em algum ponto limiar em que viver é uma promessa, ela existe para fazer viver mais, ao menos um pouco mais ou eternamente, o que é matéria viva e não pode nunca morrer.
O capoeira que eu imagino vive dentro de nós!
                                       (baseado na prosa de Jorge Miguel Marinho)

Quem sou eu sem capoeira, quem sou eu?

Cada um tem a vida que pode levar! A minha é movimentada e conduzida pelo som do berimbau, pelo jogo da capoeira. É o dobrão, quando encostado no aço (assim diziam os antigos capoeiras)que transfere uma vibração que encanta até quem não quer se encantar. Afinal, como pode um instrumento de uma corda só, ditar o caminho e a vida das pessoas? É uma ligação ancestral que nos remete aos grandes pretos africanos que tinham na sua palavra o mais forte desígnio na condução de suas tribos. É o respeito ao mais velho; é a palavra que basta para que tudo se esclareça. Nesse sentido  conduzimos o dia-dia da roda de capoeira para que novas gerações tenham o conhecimento e preservem os preceitos dos grandes mestres que deram a vida pela arte de gingar e tocar berimbau. Nós, que a todo momento nos esforçamos para quebrar  preconceitos, discriminações e paradigmas representamos uma coletividade, esta que é diversa e adversa; nós que temos a capoeira como profissão temos uma forma de enxergar a vida e ganhar o sustento. A capoeira na sua maneira de ser  reforça nossa existência a todo momento fazendo seguir em frente, mesmo diante das dificuldades.
Mas alguém pode perguntar: essa capoeira não tem problemas é tudo certinho?? sim , tem seus problemas, seus desafios como qualquer coisa na vida. No entanto, ao ter problemas ou ser desafiado a capoeira ensina, conduz, prepara o capoeirista na sua forma de ser e estar no mundo.
Assim é nossa vida:uma bagagem de experiências e vivências movidas pela ginga; é meu mundo capoeirístico movido a leituras mil das pessoas e da roda: é uma maneira de enxergar o mundo! E nessas andanças algumas coisas vamos deixando para trás, que não me serve mais!!O tempo passa e vamos nos fazendo como pessoa e trabalhando com dignidade como qualquer outra atividade.

se vc olhar para o céu
e prestar bem atenção
Mestre Bimba vive hoje
no meio da constelação
                                  (Mestrando Charm-Sabiá)

sábado, 29 de maio de 2010

impressões da roda III

Se é um vício esse negócio de roda de capoeira, não sei!! Só posso dizer que a roda tem um sentido de cura para diversos males da condição humana...desde fisiológico até as dores da alma! éh sim, é verdade verdadeira!
O som do berimbau  procura por nós, a vibração do aço nos retém, envolve e vai até a raiz mais profunda do coração.E  mesmo que estejamos nos maiores apuros que a vida  reserva, a boa roda de capoeira clama por nós...nos chama. Este chamado pode ser corriqueiro, urgente, formal. A capoeira é uma linguagem universal, atende até os mais desavisados. Esta fonte de saberes é inesgotável, a surpresa é sua sina.
Sabe aqueles momentos em que nos pegamos mergulhados numa solidão e achamos que não temos saída??pois é...a capoeira ensina que sempre existe uma saída: quantas vezes o capoeira teve que improvisar, desarmar, desconcertar uma situação difícil! Ele dá um salto, entra-saindo, sobe- descendo, e de novo  se safa!! e o danado ainda sai sorrindo.
Para muitos capoeiras que conheço  roda é como comer, beber, respirar: uma necessidade fisiológica,imprescindível para a sobrevivência! Os capoeiras que comem e bebem a capoeira são ilimitados, eles resistem até a última fagulha de resistência física, jogam nas mais diversas situações. E quando pensamos que estão fadigados e tudo acabou, vem a surpresa: ainda resta uma força que somente ele tinha guardado para o momento final da roda. Eles vivem a capoeira intensamente todo dia , toda hora e todo o momento. A sintonia de corpo e alma conduzida pelo som do berimbau é o alimento e o combustível desses camaradas.
Parabéns aos alunos que ontem estiveram se alimentando da roda no Muffato. Em especial a boa fase da Tica, Chinchila, Jeitoso e Sagui que continuam comendo e bebendo desta fonte!
 iê a capoeira!
 iê é àgua de beber, camará!

sábado, 22 de maio de 2010

carta ao Mestre Bimba!!


Caro Mestre Bimba!!
 Quem vos escreve é um rapaz atrevido,e venho por meio desta carta expor um pouco de minhas angústias e anseios acerca da vida...da capoeira. O atrevimento é chamar vosmicê para uma conversa ao pé do ouvido sem nem mesmo me conhecer...No entanto tenho imaginado, sentido a sua presença nas minhas ações na capoeira. E neste sentido tenho dialogado com o senhor a respeito da roda...da Regional de Bimba!
No mundo que vivo ainda sou posto a prova na capoeira que pratico e vivencio, apesar de estar numa sociedade da informação as pessoas colocam em xeque seu conhecimento, suas convicções. Mas dentro desses desafios me transporto nos tempos de BIMBA, o criador da Regional! assim visualizo, o quanto o senhor Mestre sofreu e lutou para que a sua capoeira convencesse e sua sabedoria ganhasse o mundo. As minhas rodas têm tido uma grande inspiração, as cantigas que contam sua passagem por aqui têm me dado força para continuar e lutar pela arte. Talvez a angústia que eu sinta é em favor de algum sentimento de decepção, mas volto rápido, pois imagino que este seja um dos maiores desafios de quem ensina e conduz.
Tenho anseios inumeráveis, desejo uma capoeira evoluída, mas cheia de fundamentos e sem me preocupar com o sucesso; desejo uma vida saudável com muita capoeira para jogar...acho que todos querem isso também. Pois é Mestre, o mundo evoluiu, a capoeira também. Alguns deturpam a sua Regional, outros a levam como uma religião, uma filosofia, uma profissão. Era um risco...ainda é!! Ser capoeira ainda causa estranhamento nas pessoas, mas vosmicê lutou para convencer que é possível lançar-se à uma vida movida pelo som do berimbau.
Éhh Mestre!!! o senhor andou tocando a sua Banguela por aqui quando eu estava jogando...comecei a sentir meu corpo mais leve, amortecido!! parei, olhei em volta...mas não encontrei! vosmicê foi mostrar sua Regional para outras bandas.

        sim sinhô meu camarada
        quando eu entrá vc entra
        quando eu saí vc sai
        passar bem ou passar mal
        tudo na vida é passar!!
        vorta do mundo...
        tudo na vida é passar!!

sábado, 8 de maio de 2010

escudeiros de plantão

Quando o frio curitibano resolve dar seu recado em parceria com a chuva em nosso treino de sábado( pela manhã!) na Academia Corpus concluo que: tenho mais que bons alunos...tenho grandes amigos na capoeira. Num dia como hoje, que está muito frio acompanhado de chuva, qual é o motivo para levantar bem cedo e sair para treinar capoeira ( de verdade)? Sabemos que a arte move montanhas, mas é preciso um "quê" de quem deseja treinar, uma vontade própria de sua criação, da cultura. Éh! as pessoas que foram aparecendo na capoeira ficaram mais um pouco para conferir o que vêm depois do ponta pé dado,e digo que nos tornamos uma família.Sim, a capoeira tem mais para oferecer além da parte física,torna-se uma extensão familiar,está ligada à subjetividade, às pessoas...plenamente ao coração!
E lá estão eles, não tem dia ruim para esses camaradas. São os escudeiros de plantão para o que der e vier, todos os sábados é assim: um treino marcado pela docilidade da Chinchila, a técnica do Barata, a maturidade do Sagui, a disposição do Cadeado, a ingenuidade do Lagarto e o devaneio e loucura do Cigano e Perigoso que em pouco tempo me deixarão de cabelos brancos!
Essas pessoas fazem parte de outra geração na roda da capoeira, nos ajudam a dar mais um passo na evolução da nossa arte-luta-dança. Renovam e fazem refletir sobre nossa prática.
Quem quiser entender esse diferencial na prática é só chegar para o treino, não tenha dúvida que vc vai encontrar bons escudeiros da roda de capoeira.
Obrigado pela amizade que se renova toda vez que nos encontramos! valeu pela manhã de treino meus camaradas.

sábado, 1 de maio de 2010

impressões da roda II

Ali no espaço Muffato está acontecendo uma boa roda de capoeira toda a última sexta-feira do mês.
As impressões que este tipo de roda causa em nós que estamos envolvidos com a capoeira a tantos anos ainda surpreende: ainda tem desafios mas dá satisfação. É impossível, depois de vinte e tantos anos, mensurar o número de rodas de capoeira que estas " pernas" trilharam...AHH! se minhas pernas falassem!! e permanece a sede de jogar, jogar e jogar.
A diversidade é um dos aspectos importantes, pois os Grupos de outros locais entram nesta dança universal fazendo que os ingredientes de uma boa roda torne o "caldeirão efervescente". As trocas são muito boas, a individualidade prevalece onde cada capoeirista ali presente, diante de uma profusão de sentimentos, faz sua entrega aos preceitos da arte-luta-dança.
Diante de tantos anos na capoeira, vivendo-a intensamente, percebi que, neste rito de passagem onde impera a coletividade  os sentimentos vêm a tona. E mesmo que a gente consiga canalizar forças ou fazer da roda um escape, estamos todos vulneráveis. É neste exato momento que uma carga de valores, responsabilidades e sentimentos ditam as regras do jogo: para a maioria é uma ressocialização. Assim que o tempo passa é preciso assumir outra postura, outros valores, trocar a roupa, mudar de cor. E isso causa angústia, dor.
É isso mesmo, quem ficou procura e tenta mudar; outros desistiram da caminhada.Sim,a capoeira é pra todo mundo, mas nem todo o mundo é pra capoeira.Talvez a roda de capoeira faça sua seleção natural.
Aos alunos Tica,Jeitoso,Sagui,Mosca,Chinchila,Cadeado,Sanfona,Cigano e Delicada obrigado pela companhia na roda ontem. Abraço à todos!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

RODA DO MÊS III

Logo que os instrumentos da capoeira começam aparecer é o sinal para que uma boa roda comece e induza à um encontro sempre esperado para agraciar,contemplar e curtir todo o seu aspecto cultural: todos poderão jogar, cantar , tocar, divertir; e no compasso da ginga é importante que a individualidade prevaleça.O bojo de uma roda de capoeira é isso mesmo: um caldeirão efervescente de pessoas de todas as classes e origens, aonde o embate preferido é o diálogo de corpos destes camaradas.
A linguagem da capoeira tende, deve, proclama ser universal. Os capoeiristas que ali estão devem se perceber e valorizar toda a ancestralidade da arte-luta-dança: é carregada de experiência, perdas e ganhos.Mas a capoeira ensina, através do seu contexto que o mundo dá volta na volta que o mundo dá! É um exercício constante esse, de perguntas e respostas.
Assim é a roda de capoeira...e o Axé deu umas voltas ontem em nossa roda!
agradeço a todos que lá estiveram para dar a sua colaboração; abrigado Educadora Drika pela soma e esforço com seus alunos, abraço!

sábado, 17 de abril de 2010

ATO I- estabilidade e instabilidade

NA CAPOEIRA:
Se era inteligente, não sabia. Às vezes o que ele fazia ou dizia despertava nos adultos um olhar satisfeito, ou talvez de reprovação. A sua inteligência dependia da instabilidade daquelas pessoas e assim a sensação de que algo lhe escapava. Procurando imitar a si mesmo, fazia coisas dentro daquele mundo no sentido de provocar olhares embasbacados, cada adulto olharia rapidamente o outro "como nós sorriríamos agora, se não fôssemos educadores", um sorriso claramente suprimido dos lábios, um sorriso indicado com os olhos.
Mas ao tentar repetir uma frase de sucesso, era recebido pela distração dos outros. A chave dos sentidos não estava com ninguém, quando homem coçando aquele cavanhaque, foi advinhando sem nehuma desilusão.Paciente e curioso.
DE NOVO NA CAPOEIRA:
A instabilidade dos adultos lhe nomeou de " bem comportado" , "dócil". Até que um dia recebeu a notícia de que a formatura na capoeira estava perto. "FORMATURA", isso dá margem a alguma regalia, sei lá!. Tudo aquilo que ele era teria um valor garantido?...seria julgado como inteligente??
DE NOVO NA CAPOEIRA II:
Ele era minucioso e calmo em relação a confusão. Descobriu que arbitrariamente podia ser um palhaço, por exemplo. Era uma criança precoce, era superior à instabilidade alheia e à própria instabilidade.Então sua fria observação sobre àquelas pessoas todas envolvidas naquele rito de passagem lhe provocou uma decisão: brincou de não ser julgado, neste dia não seria nada, simplesmente não seria.
DE NOVO NA CAPOEIRA III:
Quando ele se deu conta, era um formado no mundo da capoeira.Sob os olhares daquela platéia ele se adaptou com curiosidade àquela sensação.
Era a capoeira pedindo realização; pois sempre foi capoeira sem a prévia formação.
Era um capoeira, a posteriori, pedindo a concepção.
VOLTANDO DA CAPOEIRA:
Neste dia ele descobriu uma das mais raras formas de estabilidade: a estabilidade do desejo irrealizável, e pela primeira vez teve amor pela paixão. Talvez tenha sido a partir de então que pegou um hábito para o resto da vida: toda vez que uma confusão aumentava, ele provocava um movimento mudo das pessoas em volta da roda na tentativa de apoderar-se da chave de sua "inteligência".
                                                                       FIM


sábado, 10 de abril de 2010

...entre as estrelas!!!

Um de nossos "curitibocas" mais queridos calou-se...Que VIDA GOZADA, cada um vai pro seu lugar!!
hem!!! cadê o IVO?? não se sabe mais...
Deve estar jogando conversa fora com Paulo Leminski e tirando a maior onda da gente por aqui!!
...tá bom IVO, então nos encontraremos como star bebendo whisky no Roxi Bar.
 Aqui transcrevo a letra de uma das músicas mais belas, resultado da parceria de Ivo Rodrigues(Blindagem) e Paulo Leminski:
                                                                    NÃO POSSO VER
                                                Não posso ver
                                                Fico logo vermelho
                                                Querendo chorar
                                                Não, não posso ver sangue
                                                Fico logo vermelho
                                                Querendo chupar

                                                Não posso ver
                                                Água, poço,rio,mar
                                                Eu já começo
                                                A tirar  roupa
                                                Louco pra mergulhar
                                              
                                                Não posso ver
                                                Ninguém
                                                Que eu já quero,
                                                Que eu já quero
                                                Namorar
                                                Não, não posso ver
                                                Você
                                                Que eu já quero,
                                                Que eu já quero...
                                               
                                               
www.bandablindagem.com.br                                               

ARE YOU READY GUYS?

Como é bom  fazer  coisas que gostamos, ainda mais quando temos algo em comum com outras pessoas, seja na música, teatro,literatura,cinema etc. Neste caso, a amizade vai além,ultrapassa fronteiras, descobre outros caminhos e pessoas interessantes; é buscarmos outra formas de convivência e socialização além da roda de capoeira .Assim conhecemos melhor nossos alunos, prevalece uma certa intimidade, nos desprendemos para que a conversa fale mais ao pé do ouvido.E na medida que isso acontece, passamos a entender o outro, valorizá-lo mais,enxergar coisas que antes não víamos.E é claro,as pessoas têm gostos diferentes, e quando começamos a somar suas apreciações e concepções de mundo,interagimos e passamos a admirá-los, pois a diversidade é bem vinda e positiva.
Entendo que, as relações de conversa que se estabelecem dentro e fora do nosso meio (a capoeira) com nossos alunos, promove a diversidade e a parceria e  vai nos colocar melhor diante desse mundo que anda tão complicado.
                                             Are you ready guys?????

quinta-feira, 8 de abril de 2010

roda do mês II

Ontem à noite nos reunimos para dar continuidade à Roda do Mês que acontece toda última quarta-feira (sujeito a mudança de data). A academia Hot Center, onde temos um trabalho que já tem seus quinze anos,tem sido o ponto de encontro de meus alunos todos estes anos.
E apesar do frio curitibano dar seu recado, os alunos estiveram presentes para mais esta etapa.Nesta roda é possível fazer os ajustes que ainda faltam para os capoeiristas,e através das conversas podemos desenvolver e esclarecer os bastidores de uma roda de capoeira: seus fundamentos, história, ritmo e treinos.
Reforçamos mais o ritmo e o jogo de benguela,no primeiro destacamos a necessidade de aumentar o repertório de cantigas e transitar por todos os instrumentos que compõem a roda; no segundo enfatizamos a experiência, a observação e o fundamento para fazer este tipo de jogo.
É assim que conduzimos a Roda do Mês, com espírito, companheirismo e muito ensinamento para que se preserve os fundamentos de nossa arte-luta e dança.
Para nós, o aluno nunca perde a viajem quando vem para a roda!! abraço à todos que ontem foram em busca do AXÉ.

domingo, 4 de abril de 2010

OS AMIGOS SÃO PARA SEMPRE...


valeu pelo "GÁS" neste sábado (Mosca,Cadeado,Barata e Lagarto).

Na capoeira dificilmente estaremos sozinhos na caminhada, esta se faz com o outro, em função do outro. O aluno é o resultado do esforço e do trabalho conquistado; mas para se fazer um aluno leva tempo e dedicação e ter em mente uma esperança de que este aluno siga e permaneça o mais longe e tempo que puder vivendo e produzindo capoeira.
Para que isso aconteça é necessário se entregar de corpo e alma; deve fazer dessa arte um grande aprendizado por meio dos desafios que lhes são impostos, deve aprender com seus alunos. Assim vamos fazendo história compostas de alegrias e tristezas, perdas e ganhos...assim é a vida!,a manutenção do companheirismo tem que fazer todo dia por meio do diálogo aberto e sincero. O trabalho do professor de capoeira se completa quando tem o reconhecimento da comunidade e o respeito de seus alunos. E aqueles que lhe acompanham nos momentos de alegria e decepção aprendem juntos que a vida é um grande ensinamento em que nos apoiamos no outro para que a queda não seja tão doída e as conquistas sejam de todos.Assim é o valor da amizade, assim são meus alunos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CURSO BÁSICO para 2010!!

A data para o CURSO BÁSICO deste ano está marcado para 12 e 13 de JUNHO, em breve mais informações.