Às vezes são histórias tacanhas, triviais, inúteis talvez, infantis; amontoado de cenas do cotidiano, de insatisfação, de amor, de demência, de ordem e desordem. Lixo.Lixo!Lixo? Devo escrever? Já li textos extremamente açucarados para o gosto da crítica e gostei. Ser ou não ser lixo é questão de ponto de vista! Agradeço por deixarem passar "alguma coisinha" em nome da democratização. De fato são sempre as mesmas interrogativas, cantam as mesmas "cousas" de sua época: política, censuras, sentimentos, frustrações e por aí...Entretanto posso ficar horas deleitando-se em palavras, é talvez o meu triunfo debruçar sobre os teclados ou papéis; é um dos meus estados criativos. Não é possível ficar sem...É sempre um caso de abertura, de possível, de devir. Esta experiência me arranca do mundo e me coloca novamente nele como o eterno retorno, assegurando o inevitável rompimento das verdades e das certezas. No lugar do usual, cavar e inventar realidades abertas ao vento dos acontecimentos. O texto, no instante em que é lido, torna-se soberano, edifica o seu próprio tempo. Mas, paradoxalmente, à medida que lê, afasta-se dele forjando seus próprios pensamentos, como diz Barthes: "Nunca lhe ocorreu ao ler um livro, interromper com frequência a leitura, não por desinteresse, mas ao contrário, por fluxo de idéias, excitações, associações?Numa palavra, nunca lhe ocorreu ler levantando a cabeça? É essa leitura, ao mesmo tempo inrrespeitosa, pois que corta o texto, e apaixonada, pois que a ele volta e dele se nutre, que tentei escrever" (p.26). E nesse cadinho das cousas é preciso ler de cabeça erguida.
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