para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Polissemia pedagógica

Quais os limites do fenômeno CAPOEIRA?Acredito que não há limites, mas  uma infinidade de possibilidades e perspectivas em qualquer prática que se dispunha boa intencionalidade. As áreas do conhecimento se debruçam tentando explicá-la motivando capoeiristas e educadores na busca de sua história, de seus mestres, de sua origem.

 Longe de reducionismos e visão romântica sobre sua formação, o que aconteceu nesse país foi uma amálgama, um caldeirão fervente com diferentes etnias trazidas pelo navio negreiro que aqui encontraram estratégias de comunicação e sobrevivência, entre elas a capoeira. Parafraseando o título da obra de Mestre Gladson  "CAPOEIRA- do engenho à universidade" pode-se ter uma noção da trajetória de evolução e resistência dessa nobre arte de gingar.

 Embora mantenha uma das suas características como luta, o embate atualmente é outro: a luta é contra instituições do Estado que querem mandar na capoeira; preconceito velado; discriminação pela arte brasileira; permeio mercadológico e gigolôs da capoeira. Atualmente, muitos capoeiristas estão inseridos no nicho educacional, por vezes prevalece um discurso vazio sem fundamento; uma "pedagogização" na sua prática em nome do tão batido termo "lúdico".

 Diante de tantas possibilidades de informação ofertadas pela web, o "conhecimento" dos tão disseminados "educadores de capoeira" distancia-se de sua prática pela falta de aprofundamento e reflexividade, especificamente sobre a infância. Fato é que poucos querem discutir conteúdo!Bem, também é verdade que são poucas as escolas de educação infantil que desejam que a capoeira seja mais que uma "aulinha" para ofertar à seu público.

Observa-se ainda a "brinquedoteca ambulante" com o fim único fazer a criança brincar sem clareza nos objetivos com a instituição escolar, ou seja, uma aula de capoeira sem planejamento. Sem nenhuma reflexão,  fundamento, aporte teórico; sem entendimento mínimo da infância lançam-se em apresentar o mundo para a criança (o movimento pelo movimento) com boa intenção, no entanto sem consciência e aprofundamento desta responsabilidade.

Ora, vivemos numa sociedade capitalista e precisamos correr atrás do dinheiro para nossa sobrevivência.Mas no âmago de pegar muitos lugares para dar aula de capoeira pode-se também tangenciar (estar próximo, relacionar-se) para o debate, o conhecimento, a pausa para a reflexão. A capoeira é complexa e rica na sua polissemia para apenas dar "uma aulinha" por aí. E, no caso de compreender e trabalhar com a infância... a coisa é mais séria ainda!!!Não basta somente gostar de criança.