Embora seja gritante a corporeidade na
capoeira podemos pensá-la para além das generalizações biológicas, especialmente
na escola. As vivências da capoeira são outras, com diferentes aprendizagens
que não coincidirão com a cultura corporal oficial.
A capoeira, tendo outra materialidade de
viver e sobreviver, questiona as didáticas e teorias de aprendizagem e
desenvolvimento humano incorporando outras infâncias, outras corporeidades.
Entre as infinitas formas de viver a corporeidade, a capoeira se revela
carregando linguagens, leituras de mundo e de si mesmos.
Na mesma direção, identidade e
subjetividade constroem-se por meio de processos que se realizam em seus corpos dando
significações sociais. A arte da ginga abrange o amplo e rico campo da cultura
que promove a expressão de práticas expressivas e comunicativas em que
capoeiristas externalizam pela expressão corporal. Tal manifestação se
contrapõe ao movimento considerado mecânico e neurológico.
Podemos pensar na dimensão afetiva do
movimento para articular campos de experiência educativa para além de conteúdos
estanques. Uma ação pedagógica que contemple linguagens gestual, corporal,
oral, sonoro-musical, plástica, escrita, contação de histórias podem orientar
os objetivos gerais a partir da mediação crítica e criativa dos educadores de
capoeira.
Dada a amplitude do propósito, podemos
partir dos modos de pensar, agir, falar, enfim, de significar seus mundos
sociais, especialmente as crianças. Elas têm outras finalidades para suas
narrativas e podem ampliar nossa percepção de mundo.



