para um bom leitor
...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)
domingo, 26 de setembro de 2010
meu santo tá cansado...
Em se fazer paz ou guerra no embate diário, a capoeira produz o sujeito cansado da lida. E ainda que o espírito seja forte, algo está esvaziando, se perdendo. O choque impetuoso com figuras enigmáticas e antagônicas suga-lhe uma força vital tão necessária para a sobrevivência nos dias atuais. A dualidade da vida e as incertezas nos coloca em xeque, então é preciso se reafirmar sob uma outra lente, outra perspectiva, uma brecha que ainda se esconde a qual momentâneamente nos diz que não tem saída. Será? Ainda há uma lacuna a ser completada, um vazio a ser preenchido. Investiguemos o ser e o nada, pois a consequência dos anos idos e as meia-luas estão pesando, turva-se uma vez mais a caminhada sob o fio da navalha.E desta vez apresenta-se mais um desafio: o da perda da vitalidade. Já diz a cantiga "ê marinheiro aguente a maré...". Na lida, a capoeira traz à tona conflitos existenciais, novos ou arraigados no tempo.No entanto esta arte é promotora da vida, interroga a todo instante até colocar o seu próprio objeto sem rumo no sentido de provocar mudança, não radical, mas beber de outra fonte. Quando apenas apontamos o problema e não o problematizamos, ou seja, não investigamos tal fato, as coisas perdem o sentido. E a coisificação rodea tudo e à todos. E é tudo tão complexo que, a resolução de todos os nossos problemas mundanos não está somente numa das partes, mas é de se pensar o todo. Mas vamos em frente, pois o brilho de pessoas queridas me tiram o chão;é a salvação, ainda que me pesem as pernas.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
QUIPROQUÓ
Meus caros amigos, convido vocês para entrar nesta roda comigo.Quanto equívoco e situações desinteressantes têm rondado a nossa roda de capoeira neste ano de eleição. É claro que já esperávamos tudo isso, mas que a "carroça ia frente dos bois" na capoeira...haha! é demais! É o típico do discurso falacioso, vazio e incoerente...uma confusão de quem faz ou não faz pela capoeira.Tem coisas que precisam ser desconstruídas imediatamente. Alguém precisa falar para este sujeito que ele não está com a bola toda, está fora da realidade. Será que o capoeirista politiqueiro não se dá conta de que NÓS, capoeiristas de longa data sabemos quem é quem roda?! O contexto histórico das rodas por si só problematiza, denuncia e diz realmente quem joga e quem se esconde no berimbau. Políticos todos nós somos, mas não no sentido partidário.Para um bom entendedor "não fazer política já a estou fazendo".Não há a necessidade de uma apresentação formal, até porque muitos que são apresentados são os que menos entendem de capoeira.Perdemos um tempo muito rico nesta situação enganadora e cansativa. Há uma grande distância entre o discurso e a roda de capoeira, os mestres antigos alertavam este tipo de situação.Quem faz o capoeira é a roda, é inegável. E o marketing agressivo:" faça! me veja!! adicione...preciso de vocês". Tenho pena daqueles que dependem deste tipo de pessoa, imaginaram comigo?? Sugação total, até a última gota. E quando não der mais conta, coloca-se outra no lugar imediatamente. Havia um tempo negro em que, um mestre de capoeira procurava formar soldados para a sua capoeira em nosso Estado, hoje em dia não é muito diferente, só mudou a nomenclatura para: cabos eleitorais, educadores, monitores e o diabo à quatro. Fiz meu nome na capoeira frequentando as mais diversas situações de roda, poucas vezes fui apresentado.Mas lá estava eu com a cara e a coragem para ser reconhecido (jogando). Desta forma conduzo meus alunos e, todos sabem que a história do capoeira se constrói ao longo do tempo dentro da roda, nos treinos, no jogo difícil e perigoso, no berimbau bem tocado, mas dentro do fundamento da capoeira, ou seja, capoeirísticamente falando. Quero sim, chegar para a roda e ouvir falar dos mestres Bimba, Pastinha, Waldemar e tantos outros que fizeram e fazem história na arte-luta-dança, e não blá,blá,blá sobre política partidária. E como cidadão de direito deixo meu protesto em relação a esta esculhambação na capoeira. Toquem o berimbau e façam uma cantiga linda para eu poder jogar...por favor!
Qual o quê?
Quis nunca te perder, pois demora-se o instante em que mãos de tocadores de berimbau e o percurso da roda fica entre mim e você...saudamos a arte do jogo da vida! Sentimentalismo?-Não meu camará...muitas vezes é preciso voltar ao curso do rio que conduz todas as nossas experiências, é o instante que equilibra e desiquilibra feito gangorra nos dando impulsos de alegria e frio na barriga para depois da satisfação e prazer, descer e contemplar o que acontecia. Esta volta , faz seres com um grau maior de observação, interpretação e transformação do mundo,e a roda, os tocadores, cantadores e todo o contexto nunca é o mesmo quando retornamos . Apoiado na reordenação de coisas e pessoas o trajeto que fazemos é íngreme, escorregadio e com uma vazão muito forte. E ainda que eu me perca, chegarei até meu objetivo, seja pela força da correnteza, seja pelos braços d´água que desviam o caminho ou, por um filete d´água, mas por favor tenha paciência, ao passo que não se vive só uma vez. Assim estou contigo para o que der e vier...pense bem capoeirista, capoeirão, capoeirando: quis nunca te perder- qual o quê? neste instante mágico...
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