para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ensaio para uma boa compreensão

Em meio a tempestades chegamos até aqui. Não devemos lançar lamentos sobre o saldo negativo das ações, pois aprender a perder é tão significativo quanto aprender a ganhar. A aceitação dos desafios que por hora a vida nos apresenta já torna qualquer enfrentamento menos assustador e, o saldo positivo é a constituição de um  ser humano melhor-a superação e a cura; persistência é uma forma de gratidão pela abundância da capoeira que realiza minha inclusão nas "aventuranças" do Universo. O melhor aprendizado está em olharmos para nós mesmos procurando descartar a vitimização, comodismo e desculpas para não arregaçar as mangas e seguir em frente. Serenidade e gratidão nos fazem fortes; mais do que professor, sou eternamente aprendiz da capoeira- essa arte de LUZ- que me prende ao pé da alma e me fez ser quem sou. Capoeira "é tudo que a boca come.." (Mestre Pastinha), é  combinação de acontecimentos de maneira única:conquistas, perdas, escolhas,fracassos, erros e acertos; é orgulho de muitas decisões tomadas; arrependimentos de outras. O inevitável tempo se encarrega de nos  amadurecer diante dos desafios.Para alguns é processo doloroso, para outros nem tanto mas é preciso acontecer. Amadurecer é uma maneira propositada da vida que nos ensina simultaneamente as coisas simples e coisas difíceis de aprender. O ano que está terminando deixa um legado,foi um período para lidar com sentimentos intensos:  bons e ruins. Nessa maré vamos  aprendendo que não é deselegante perder (deselegante é desistir de recomeçar), e que recuar, em alguns momentos não é embaraço algum;é tempo de aceitação pela desistência recorrente; para o sábio o inusitado não mais assusta!. É processo de enriquecimento da consciência sem esquecer nossas raízes-Aprender mesmo não é instintivo, natural, fácil- Viramos mais uma página daquilo que não se acaba. E que a vida faça o resto!
Boas Festas!!!
mudar de cor é a essência do camaleão

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O FIM É PURO RITMO

 A natureza da filosofia nos condiciona inspecionar os pilares de nossa casa. É uma metáfora que nos ensina como construir e realizar nossa morada. Protegermos  do dano e da ameaça daquilo que não faz sentido é um resguardo doméstico; uma inspeção que nunca termina. Ciente de nossos limites caminhamos sem medo sob um chão provisório, em um incensante recomeço.Nos inventamos e reinventamos para que possamos arquitetar um novo modo de habitação em meio a vida confusa e caótica. Nossa morada é um mundo aberto ritmado pelo desassossego onde surgem novas perguntas.A sabedoria (que se faz com o tempo) vai nos dando tábuas para novas invenções e material para novas arquiteturas. O mar revolto está passando, se sobrevivemos é porque foi nos dado a chance de encontrar novos domicílios, ainda que provisórios e limitados. É o fim para novos começos.É um saber existencial!É puro ritmo...






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

PALAVRÓRIO ?!

Quanta palavra para tratar de palavra.No entanto, censuram tal vadiação!A lavra das palavras  é uma das maneiras mais habilidosas de prestar conta dos atos; em momentos que a ingratidão orbita nossa prática, ser inútil merece louvores. É isso, as palavras que me escapam nos momentos de infelicidade são palavras de despeito, pois em mim tudo tem que ser inteiramente certo ou inteiramente errado. É coragem que irrita-se e não se dá por vencido, pois gostamos do movimento e das mudanças: é o prazer com que me afasto da direção de minha casa. Mas é um prazer que comporta algumas preocupações penosas: "os vinhedos que o granizo devasta, as árvores e os campos que sofrem com a estiagem; a canícula e o frio rigoroso que desfazem nossos sonhos"(Horácio). Cada um sabe onde lhe aperta o sapato - quando me encontro em situação difícil- obstino-me a continuar. A prosperidade me sugere disciplina e dever; o saldo? foi tornar-me pessoa honrada na adversidade.A vida é delicada e facilmente turva onde qualquer motivo de aborrecimento nos leva a um mau humor; não resistimos a primeira impressão e nossa alma reparte entre mil inquietações. É fácil abandonar por completo; o difícil é voltar ao ponto. Deixa-me leitor, que prossiga em meus palavrórios. É preciso refletir para produzir e não há como se apressar. Envelheci de vários anos desde o primeiro post. O meu eu de agora e o meu eu de outrora são na realidade dois: não sei se estou me tornando mais sábio(seria bom envelhecer se não parássemos de melhorar). Mas creio que só avançamos quando titubeamos ou nos agitamos ao sabor de ventos fortes. Sou grato às pessoas amáveis que se dignam apreciar meus débeis esforços até aqui. Essas reconhecem as imperfeições da forma em minha atividade.Seguimos em frente...inutilmente!

sábado, 20 de setembro de 2014

Em tom maior

O rótulo perde espaço para a noção de contemporâneo!A busca pelo novo na capoeira pode até ser salutar, mas será que existe algo tão puro a ponto de ser considerado novo?O que faço, percebo e vejo é uma reavaliação do antigo e sua roupagem nova.O rótulo anda meio gasto.Há sim um tratamento de temas atuais sem desdenhar o que já foi feito; crise de identidade, de valores novos e tecnologia rondam a aceitação da arte de gingar.  É fato que a contradição da capoeira e dos capoeiristas tem tornado a arte do berimbau inacabável, sem fim. Talvez essa contradição seja parte de sua essência: são capoeiristas que dizem nada quando tentam tudo, outros dizem tudo quando se aproximam do nada;temível, habitável, enclausura mas o faz mover-se e, desloca no tempo e no espaço. Tudo com doses de sarcasmo e sentimento.É possível que deste balanço, no qual se entrecruzam técnica e desprendimento possa surgir o alimento do capoeira. Os ESCOLHIDOS vem deste equilíbrio, dando igual importância a estas duas forças. A aptidão para esse terreno se faz a longo do caminho,é simultânea no embate do capoeira com a vida em seus desejos e aspirações.Assim, em  contrapontos duros ela faz a sua  morada.Não adianta, a capoeira te chama por inteiro. Fugir ou ficar é um gesto de adoração ou rejeição que toca a existência por inteiro-não é exclusividade da capoeira!Mas o guerreiro ainda luta para que esta arte-luta-dança esteja sempre em tom maior.

sábado, 16 de agosto de 2014

ANDANÇAS

Está cada dia mais difícil encontrar uma roda de capoeira em que podemos ouvir e apreciar as histórias dos mestres, cujos feitos e  andanças nos motivaram chegar até aqui. As rodas de capoeira cresceram na cidade de  Curitiba, no entanto, os fundamentos da nobre arte  se perdem por conta de jargões politiqueiros e regras desconexas envolvida por um "batuque" enganador. É visível uma roda que se deixa envolver por política partidária e ideológica massacrando a cultura da capoeira. A política da boa vizinhança é camuflada pelo jogo de interesses e favores; ressuscitam "mortos vivos" e colocam no altar os desmerecidos da capoeira. Agora é período em que jargão político vira coro de capoeira. Os elementos essenciais  desaparecem: a rasteira, toque de berimbau , cantigas que ensinam e a conversa contextualizada fica aquém da conversa fiada. Toca-se berimbau por tocar, joga-se por jogar!!!Mestre Bimba e Mestre Pastinha e suas histórias nem pensar. Tudo é permitido na capoeira, diria Liberac em palestra na UFPR!Porém, prefiro a palavra no "fio do bigode", o jogo bem jogado, berimbau bem tocado e as trocas verdadeiras entre os segmentos de capoeira. Prefiro uma capoeira que não é mentirosa. Esse trânsito é que gera aprendizagem, motiva, faz mergulhar na essência dos verdadeiros mestres de capoeira e sua história. E ainda, faz política sem ser partidária e ideológica. Não é preciso dizer para o capoeirista que ele não se constrói sozinho, ele o sabe muito bem. A capoeira se faz com o outro, em função de alguém.É preciso ser honesto com a capoeira e quem vive dela...e como a gente sofre por ser HONESTO.

domingo, 6 de julho de 2014

III RODA DE ESTUDOS

Na capoeira tanto já se falou sobre sabedoria, conhecimento, prática, etc . É verdade!essa nobre arte é rica na sua diversidade, nas suas interações, na sua cultura...É campo de estudos, de divergências, contradições e muita alegria. No entanto, percebê-la na sua cosmologia ainda é para poucos, pois a maioria se limita apenas sobre o aspecto prático da capoeira, consistindo assim num repertório pobre a respeito da arte do berimbau. Para conscientizar e estimular os capoeiristas da cidade de Curitiba a fazer um mergulho nessas reflexões realiza-se a Roda de Estudos, já na sua terceira edição.Sabemos que a capoeira de modo geral passa por uma outra dimensão:  a estreita relação com a educação e formação humana permeia a prática da maioria dos capoeiristas que fazem dela seu estilo de vida. Talvez a capoeira esteja melhor porém com mais exigência. É fato que a vaga de "jogador de capoeira" já foi preenchida, é preciso fazer um pouco mais, ser capoeirista!diria Mestre Cobra Mansa na sua sabedoria. Ainda que muitos capoeiristas tenham seus direitos adquiridos ao longo de sua história nas rodas, uma dica paira precisa na voz dos grandes mestres de capoeira: é imprescindível mais leitura, escrita e participação em eventos como a Roda de Estudos para aprimorar seus conhecimentos (o ambiente favorece a precisão). As discussões são instigantes e provocadoras, as pesquisas não param e  mitos são derrubados diante de oficinas e mesas redondas de palestrantes das mais diversas áreas de conhecimento.São ferramentas para ter um repertório rico e criativo, pois o ouvinte fica reticente e livre para projetar sua capoeira à uma prática feliz. Fica a dica!Talvez assim é possível tirar alguns capoeiristas da acomodação, ou seja, da preguiça e falta de compromisso!!!
Agradecemos ao Miguel Novicki e sua equipe por oportunizar mais uma rica experiência aos capoeiristas que lá estiveram para engrandecer a nossa arte.



















terça-feira, 10 de junho de 2014

Existir:seja como for (Carlos Drummond de Andrade)

Aqueles que estiveram presentes façam valer nossos desejos, possam aplaudir, insistir.Afinal,  foi escolha pessoal.
Agradecido,
Um morador da capoeira.



quinta-feira, 5 de junho de 2014

Uma crônica

Porventura procurava o local destinado. Ao desembarcar da linha Emiliano Perneta segui rumo ao local desconhecido, porém pelo lado oposto (caminho incerto). Resolvi parar e perguntar. Naquela manhã ensolarada pelo sol de outono quando todos dormem e descansam pela luta diária de trabalho encontro uma alma feminina.Pergunto-lhe pelo local desejado; com um olhar infantil e espontâneo alerta-me dizendo que estou no caminho errado. Percebo que ela tem um sotaque latino (paraguaia, boliviana talvez?). Também não me permiti perguntar sobre sua origem. Aquela simplicidade afastava qualquer curiosidade ou indagação que surgisse. A sua inocência refletia numa conversa sem desconfiança, sem receio da abordagem de um desconhecido, seria como nos conhecêssemos a muito tempo!Agora ela me diz vai passar pelo caminho que desejo encontrar. Aproveito a companhia ( algo muito raro nos dias de hoje). No caminho conta-me que está levando café para seu pai, pois ele saiu "cedinho para o trabalho". Fico embevecido com essa atitude (a filha que está preocupada com o pai que foi para a luta diária sem comer). Pergunto-lhe pelo estudo já que estou procurando a escola onde se deve realizar o evento que procuro. Naquele sotaque afirma que trabalha durante o dia  e gostaria de voltar estudar a noite, mas seu pai a proíbe porque é perigoso. Sim, a conversa foi rápida mas de um grande significado para mim, nem ao menos soube seu nome ( não se fazia necessário!) .Será que era uma anjo  que me acompanhara?A verdade é que a simplicidade ainda nos emociona e encanta.

17-05-2014   9:15am
PINHAIS

terça-feira, 20 de maio de 2014

Calma e vagar

Posso dizer que nenhuma das edições do CURSO BÁSICO teve o objetivo de impor verdades ou absolutizar práticas ou metodologias , nem tampouco configurou-se como um evento panfletário: o curso reflete um ponto de vista sobre a capoeira, suas demandas, tendências e perspectivas. Não sem algum esforço (físico e intelectual), a proposta do evento propunha a conscientização  por algumas certezas (minhas!) mastigadas ao longo desses oito anos, os alunos mergulharam numa perspectiva de trabalho que traduz visões mal fadadas em profissionalismo e motivação para os praticantes. Houve sim perdas e ganhos,mas é inegável os frutos que gerou e continua gerando por meio de um trabalho intensivo de pesquisa , laboratório e reflexões sobre as atividades cotidianas da minha arte/ofício- a capoeira. Esse trabalho é bem conhecido por quem é próximo a mim.Gosto das pessoas que dedica enorme energia ao refinamento do seu dom, o curso tem a característica de mostrar aos praticantes que delicadeza e força, disciplina e liberdade captam sutis sinais que continuam no ar sob a leitura da roda. Com o tempo, a gente vai aprendendo ler os sinais e reagir de forma certa e certeira de maneira a fazer que alunos e graduados saiam da acomodação e vivam mais a capoeira. Diante dessas certezas , muitos ficam no meio do caminho e ler os sinais (que estão no ar)  mostra  que estranho mesmo não é o aluno desistir da capoeira...Estranho é o professor desistir do aluno.
...bora mais uma vez juntos para o CURSO BÁSICO-2014!!!Até lá...


segunda-feira, 21 de abril de 2014

TRADUZIR-SE

Com a mundialização e os  processos globalizantes conduzindo práticas de muitos mestres, professores e alunos à uma "folclorização" da capoeira mundo afora, resta refletir como representar uma só identidade, como traduzir essa nobre arte diante da domesticação mercantil, entrecruzamentos, etnocentrismo, fundamentalismo que acerca a arte do berimbau? O que ocorre é a hibridação das culturas sob condições históricas e sociais específicas. Pode-se refletir que a capoeira, assim como outras culturas já não pode ser descrita como unidade estável. Porventura, ao hibridar-se as oportunidades se multiplicaram tanto para a  sua divulgação, como sua pretensa valorização. Por outro lado, a arte se encontra em meio a sistemas de produção consumo e indústria cultural. Porém uma simplificada  noção de hibridação nos leva crer que a capoeira se encaixa nas misturas interculturais moderna; integram e  geram mestiçagens; também segregam e produzem novas desigualdades. E ainda, desterritorializa-se de saberes e costumes para hibridar-se.Falamos de fusões, sincretismos, mestiçagens para traduzir a hibridação que acontece na capoeira. Pensando bem, pode-se construir uma prática da capoeira sem fronteiras como forma de tornar esse mundo mais traduzível; é uma campo vasto onde se convive em meio às diferenças. No entanto deve-se tomar consciência que a arte da ginga ganha e perde ao hibridar-se. A busca artística da capoeira é chave da tradução, consegue ser linguagem e ser vertigem, diria Ferreira Gullar (1983).
Pense nisso!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ethos

Há quem diga que o fim de todo capoeira é
terminar  jogando "uma angolinha" ou fazer um "joguinho" -exemplo típico daqueles que vivem de aparência ou passado esquecendo que a capoeira evolui e com ela seus métodos, concepções para a longevidade para os praticantes . Tal discurso é balela e conversa fiada, pois a roda de capoeira tem grandes exemplos de mestres que tornaram a sua vida de capoeira tão útil e saudável e foram bem longe do que era pensavam, por exemplo Mestre João Pequeno. Esse tipo de explanação é típico de forças negativas que encostaram seu "bode" em suas respectivas escolas deixando que  o tempo tome conta e perpetue uma falsa moral e reconhecimento.Ou seja, não vivem nem produzem mais capoeira, se quer avançaram a cultura dessa arte...Sim, bato nessa tecla:vivem de aparência.É bem verdade que isso é o gosto amargo da capoeira: enquanto os capoeiras "anônimos" produzem e vivem a capoeira de janeiro a dezembro ralando, treinando , investindo e dedicando parte de sua vida no zelo, uma minoria aparece apenas na hora do "filé mignon":gostam de ser exaltados, vivem de passado e resmungam em nome de uma falsa tradição. Estes  são os que jogam "uma angolinha" e se tornaram  velhos pançudos tocadores de berimbau".São típicas vozes cansadas que "um dia" fizeram alguma coisa para a capoeira e se esconderam nessa sombra sem tomar conta que, o tempo passou e que  a arte de gingar exige CONTINUIDADE;os que  permanecem evoluindo com a arte seguem lapidando a aura capoeirística: entendem que não nasceram prontos!!!Cabe aqui o resgate do senso de justiça e reconhecimento para os capoeiristas que ajudam na renovação da arte. É natural que muitos vão parando no meio do caminho dando vez para os que estão chegando e notoriedade para os que permanecem na labuta-a renovação é vital para o ser humano!Infelizmente a superficialidade de pessoas que passam pela capoeira talvez seja a razão dessa crítica. Refiro-me àqueles que gritaram alto na capoeira, mas cansaram rápido.Na prática da capoeira bom mesmo é aquele que consegue equilibrar rigor e flexibilidade. Quando comecei entender capoeira e ler a respeito, aprendi que muita tensão engessa o corpo e muita flexibilidade o deixa impreciso. Isso vale para as coisas da vida, consequentemente para os capoeiristas em geral. Felizmente o universo conspirou a meu favor. O destino falou e a bússola apontou para a minha morada, meu lugar de convivência, de abrigo, aquilo que me dá identidade e  torna o que sou. A capoeira é meu ethos.Aqui é SÃO BENTO GRANDE: trabalha-se o essencial (religiosidade, amorosidade, solidariedade, felicidade, lealdade etc) e o fundamental (conhecimento, hierarquia, trabalho, tecnologia, carreira, dinheiro) que permite proteger o essencial. O fundamental é ferramenta, à vezes pode ser deixado de lado para pensar o essencial. Que tal?!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Aquarentado

Ha!ha!ha!

No caminho da acad(í)mia  misturavam-se cenas com e sem importância; um misto de trabalho, amigos , família e até coisas sobrenaturais, tudo sob o imaginário capoeirístico (pra variar). De tanto brincar de pedalar, em algumas esquinas foram deixados pensamentos e pessoas para trás. O tempo é outro, dizia para si enquanto o LIGEIRINHO cortava o trânsito na tentativa de chegar ao seu destino no horário . 

A sina daquele sujeito era brincar com as palavras e fazer a leitura do mundo por meio de códigos, pichações,cartazes, vozes e buzinas. Em vão procurava prever qual direção ele tomaria, pois eram tantas vielas, ruas e caminhos tortuosos para escolher... Pensava a seu modo, "o mundo mudou ou mudou eu?". Pedalava sentindo a brisa estonteante cortar-lhe a face, por vezes dando uma sensação de liberdade.

 Mais tarde um grupo de alunos esperavam por sua presença, pois o sujeito da bicicleta proclamou que viveria sempre à noite desejando que seus alunos fizessem magia nesse estilo, mas longe dele, longe daquele local!No entanto, naquele espaço físico mesclavam-se sonhos e realidades. Não sabia se era anoitecer ou amanhecer.

 Não sabia nem como se desencontraram ou se encontraram pela última vez.Ela (quem?) era só vontade de ser...de ter!Ventiladores a todo vapor, começaram as sequências estudadas, seus pés estavam rápidos e sagazes, porém havia movimentos que não podiam ser desvendados.Com o tempo, o sujeito percebeu que alguns não entenderam a magia e desistiram da caminhada.Não houve despedidas, somente o silêncio latejando no fim de noite. E quantas e quantas vezes o receio de sofrer como já se sofreu. Resolveu continuar pedalando.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

RODA DE RUA

Realizar uma roda de capoeira na rua  exige responsabilidade, conhecimento e experiência. A liderança é imprescindível nesse contexto, pois orquestrar o ritmo em sintonia com um jogo duro, balançado ou apresentado está nas mãos e nos pés daquele que vive a capoeira e sua complexidade. Não adianta ir para a rua e tocar berimbau; tem que ter fundamento, convicção e consciência do está fazendo... experiência de vida. Esses saberes são  ferramentas de comando que condicionam ensinar e aprender interagindo dentro e fora da roda. O comando está onde bate o coração da roda. É naquele que tem o berimbau gunga em suas mãos: o verdadeiro mestre  orquestrando um encontro de camaradas, amigos que não se veem a muito tempo, dois desafetos que se encontram, um cachorro ou bêbado que entra no meio da roda. É a dinâmica e energia da capoeira em uma rica interação com a rua e seus personagens!Para finalizar, temos a musicalidade  para que os capoeiras extrapolem seus movimentos e sintam-se desafiados a qualquer tipo de superação que a vida de cada um apresenta. Sim, a musicalidade faz refletir, incorporar, interiorizar, protestar e contar histórias. A busca do axé não é gritaria no coro mal respondido, tampouco instrumento mal tocado.Também não significa aceleração de um toque de berimbau ou requebrado desengonçado que vai fazer surgir o axé. A musicalidade na capoeira precisa ser interiorizada, ter sentimento. Envolve conhecimento dos toques e dos grandes mestres de ontem e de hoje; é um saber ancestral e moderno no seu desígnio. Camaradas!A capoeira é antes de tudo do que foi dito, ESTADO DE ESPÍRITO.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

2014 !!!

Acredito que o grande aprendizado do ano que se encerrou foi acostumar com as ausências e compreender as perdas. São aprendizados tão necessários à vida que se leva e, que nos exercita realizar mergulhos profundos na alma buscando a compreensão de que tudo vem  e vai: aparece com um raio de luz, desaparece sem deixar rastros. A cada ano que se inicia surge a esperança renovada, pois sobrevivemos em tempos bons e ruins cujas tempestades ora nos acalmaram, ora nos sacudiram tirando nosso chão.Somos colocados novamente na estrada da vida; precisamos nos renovar,trilhar por outros caminhos ao encontro de  pessoas que nos impulsione e encoraje com pensamentos e práticas positivas.
Desejo em 2014 que o som do berimbau seja altissonante, fortalecendo corações e engrandecendo almas;desejo que os capoeiristas sejam carregados pela poesia e filosofia para que a vida tenha mais leveza; desejo sim que a pernada do capoeirista seja mais pesada na luta contra o preconceito e discriminação que permeiam a cultura africana e afrodescendente.
Aos Mestres e amigos que terminaram sua missão, continuem a nos guiar.E a capoeira seja sempre nosso lastro de luz contra as armadilhas da vida. É tempo de renovação!!!
 é hora, é hora camará!