Quanta palavra para tratar de palavra.No entanto, censuram tal vadiação!A lavra das palavras é uma das maneiras mais habilidosas de prestar conta dos atos; em momentos que a ingratidão orbita nossa prática, ser inútil merece louvores. É isso, as palavras que me escapam nos momentos de infelicidade são palavras de despeito, pois em mim tudo tem que ser inteiramente certo ou inteiramente errado. É coragem que irrita-se e não se dá por vencido, pois gostamos do movimento e das mudanças: é o prazer com que me afasto da direção de minha casa. Mas é um prazer que comporta algumas preocupações penosas: "os vinhedos que o granizo devasta, as árvores e os campos que sofrem com a estiagem; a canícula e o frio rigoroso que desfazem nossos sonhos"(Horácio). Cada um sabe onde lhe aperta o sapato - quando me encontro em situação difícil- obstino-me a continuar. A prosperidade me sugere disciplina e dever; o saldo? foi tornar-me pessoa honrada na adversidade.A vida é delicada e facilmente turva onde qualquer motivo de aborrecimento nos leva a um mau humor; não resistimos a primeira impressão e nossa alma reparte entre mil inquietações. É fácil abandonar por completo; o difícil é voltar ao ponto. Deixa-me leitor, que prossiga em meus palavrórios. É preciso refletir para produzir e não há como se apressar. Envelheci de vários anos desde o primeiro post. O meu eu de agora e o meu eu de outrora são na realidade dois: não sei se estou me tornando mais sábio(seria bom envelhecer se não parássemos de melhorar). Mas creio que só avançamos quando titubeamos ou nos agitamos ao sabor de ventos fortes. Sou grato às pessoas amáveis que se dignam apreciar meus débeis esforços até aqui. Essas reconhecem as imperfeições da forma em minha atividade.Seguimos em frente...inutilmente!

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