para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 20 de setembro de 2014

Em tom maior

O rótulo perde espaço para a noção de contemporâneo!A busca pelo novo na capoeira pode até ser salutar, mas será que existe algo tão puro a ponto de ser considerado novo?O que faço, percebo e vejo é uma reavaliação do antigo e sua roupagem nova.O rótulo anda meio gasto.Há sim um tratamento de temas atuais sem desdenhar o que já foi feito; crise de identidade, de valores novos e tecnologia rondam a aceitação da arte de gingar.  É fato que a contradição da capoeira e dos capoeiristas tem tornado a arte do berimbau inacabável, sem fim. Talvez essa contradição seja parte de sua essência: são capoeiristas que dizem nada quando tentam tudo, outros dizem tudo quando se aproximam do nada;temível, habitável, enclausura mas o faz mover-se e, desloca no tempo e no espaço. Tudo com doses de sarcasmo e sentimento.É possível que deste balanço, no qual se entrecruzam técnica e desprendimento possa surgir o alimento do capoeira. Os ESCOLHIDOS vem deste equilíbrio, dando igual importância a estas duas forças. A aptidão para esse terreno se faz a longo do caminho,é simultânea no embate do capoeira com a vida em seus desejos e aspirações.Assim, em  contrapontos duros ela faz a sua  morada.Não adianta, a capoeira te chama por inteiro. Fugir ou ficar é um gesto de adoração ou rejeição que toca a existência por inteiro-não é exclusividade da capoeira!Mas o guerreiro ainda luta para que esta arte-luta-dança esteja sempre em tom maior.