O rótulo perde espaço para a noção de contemporâneo!A busca pelo novo na capoeira pode até ser salutar, mas será que existe algo tão puro a ponto de ser considerado novo?O que faço, percebo e vejo é uma reavaliação do antigo e sua roupagem nova.O rótulo anda meio gasto.Há sim um tratamento de temas atuais sem desdenhar o que já foi feito; crise de identidade, de valores novos e tecnologia rondam a aceitação da arte de gingar. É fato que a contradição da capoeira e dos capoeiristas tem tornado a arte do berimbau inacabável, sem fim. Talvez essa contradição seja parte de sua essência: são capoeiristas que dizem nada quando tentam tudo, outros dizem tudo quando se aproximam do nada;temível, habitável, enclausura mas o faz mover-se e, desloca no tempo e no espaço. Tudo com doses de sarcasmo e sentimento.É possível que deste balanço, no qual se entrecruzam técnica e desprendimento possa surgir o alimento do capoeira. Os ESCOLHIDOS vem deste equilíbrio, dando igual importância a estas duas forças. A aptidão para esse terreno se faz a longo do caminho,é simultânea no embate do capoeira com a vida em seus desejos e aspirações.Assim, em contrapontos duros ela faz a sua morada.Não adianta, a capoeira te chama por inteiro. Fugir ou ficar é um gesto de adoração ou rejeição que toca a existência por inteiro-não é exclusividade da capoeira!Mas o guerreiro ainda luta para que esta arte-luta-dança esteja sempre em tom maior.
