para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 28 de abril de 2012

Fruição e prazer em uma roda de capoeira.

Prestes a completar sessenta (60) anos de idade e uns 200 anos de vida, o Mestre Sergipe nos presenteou com sua  alegria e descontração em nossa roda ontem à noite. Com requintes de elegância e muita mandinga, o  Mestre transbordou muita capoeira para todos que lá estiveram e ainda garantiu uma performance invejável do bom baiano no samba de roda. Diante disso, me passou uma grande lembrança, pois as primeiras rodas que assisti foram as rodas do Mestre Sergipe. No começo dos anos 80 me enveredava nas rodas que aconteciam às sextas-feiras no "Centro Paranaense de Capoeira Regional" que ficava na rua Pedro Ivo, centro da cidade de Curitiba. Naquele tempo vi o auge da performance do Mestre Sergipe. Presenciei grandes rodas. Eu,(um piá com seus onze anos de idade!) sentado naquela arquibancada de madeira já sentia o que hoje em dia é mais claro: a fruição e o prazer. A fruição se caracterizava na espera  em ver aquele Mestre jogar capoeira (ele sempre deixava a sua apresentação para o final da roda!), então quando ele agachava no pé do berimbau...eu respirava,rs!O sentimento na mensagem, a emoção de seus alunos em estar perto dele e a necessidade de tocar no mestre era um prazer passado até mesmo para o público que assitia as rodas, especialmente para mim. Ontem senti estas coisas renovadas, o Mestre Sergipe também está renovado. O privilégio de fazer um jogo com este e tantos outros mestres que admiro é indescritível, a fruição e o prazer é próprio de cada um, é difícil de explicar. Obrigado Mestre pelo axé.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Arame contra as nuvens

foto by TICA
Parafraseando a belíssima musica de Renato Russo "Metal contra as nuvens" temos nossa forma de desencadear nossos sentimentos e  emoções na capoeira, e cada um a interpreta e sente da melhor forma possível seja criticando ou refletindo sobre esta forma de encarar o mundo. Podemos ainda, fazer a nossa auto avaliação! Que sentido me faz a capoeira? O que me acrescenta? Preciso disso? É formativo? É saudável? São perguntas existenciais que a qualquer momento nos atormentam, mas devemos sempre colocar em questão. Diz Mestre Acordeon, famoso discípulo de Mestre Bimba "O jogo é a essência da capoeiragem assim como o existir é a essência da vida. Adestra-se o corpo e se aprende as técnicas, rituais e etiqueta da capoeira para se poder entrar e sair das rodas com dignidade.Pratica-se a musica para se estabelecer a conexão de movimento e ritmo, e se criar o clima necessário para o melhor desempenho no jogo.Estuda-se história para respeitar a herança cultural de nossa arte e se atribuir sentido e profundidade à prática. Aplica-se a sua filosofia para se enxergar as armadilhas do dia-a-dia e melhor se poder confrontar as próprias emoções, tornando o jogo da vida um contínuo processo de desenvolvimento pessoal" (1999,pg.91)
 Seja no jogo jogado ou no jogo cantado a sabedoria sempre nos alerta que a capoeira é um amontoado de instantes mágicos, um jeito de ser e estar no mundo em plena conexão com a natureza.Felizmente com o berimbau empunhado também somos "...metal,raio,relâmpago e trovão!"
Trecho do livro "Água de beber,camará!", de Bira "Acordeon" de Almeida.