para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

terça-feira, 26 de março de 2013

Entre dois capoeiras!

Tendo a roda como palco da vida, um intrigante embate de valores e experiências pessoais torna-se um emaranhado encontro de dois capoeiras desassemelhados pelo contexto em que sempre viveram, diferentes em relação, sobretudo, ao entendimento que tem sobre a vida. O embate entre os dois capoeiras é um jogo de espelhos entre a experiência de um homem marcado pela rotina- e a experiência do outro despreocupado com o passar do tempo. Tal reflexão é sobre as venturas e desventuras do tipo que ensejam  a autocompreensão ao longo da caminhada da vida: uma imagem invertida do espelho do outro, e vice-versa. Interessante nesse diálogo de corpos é a vontade inarredável que os capoeiras sentem ao se aceitarem nessa conversa (neste jogo!). De modo que, um passa a provocar e balançar o outro com suas experiências tão diversas daquelas a que o outro está, afinal, habituado. Podemos notar , como a experiência de um, transforma e balança, a concepção de mundo do outro. Os capoeiras quando jogam são interlocutores inquietos! Nesta inquietude, os capoeiras questionam sua trajetória e põe-se a perguntar pelas vias que conduzem ao futuro, este jogo de perguntas e respostas é uma relação humana que inspira a transformação subjetiva e a mudança comportamental. Sem negar uma relação mais próxima com o outro, ele , mesmo, despertou sua consciência para novidades que aquele outro lhe apresentara durante o jogo da capoeira. O texto agora descrito, nos enseja para a surpreendente experiência na arte de viver...uma crítica à "verdades inabaláveis" e a acomodação.

domingo, 17 de março de 2013

Mestre Bimba: o mito sagrado da capoeira

Neste capítulo do livro de Hélio Campos (2009), o autor sinaliza a construção simbólica que fazemos da figura de Mestre Bimba. O mito, que perfazemos sobre o grande criador da Luta Regional Baiana se apresenta como uma realidade imediata configurando-se em imagens. Segundo Campos (2009, pg.175), o mito "(...)é um modo de dar sentido a um mundo sem sentido". E ainda " Os mitos são como as vigas de uma casa: invisíveis a uma visão exterior, são a estrutura que mantém a casa de pé para que as pessoas possam morar nela". Na incensante busca de criar mitos, asseveramos potencialidades espirituais captando mensagens dos símbolos. Mestre Bimba como um mito dá sentido de identidade pessoal, visão de futuro, realizou a sua Regional  suplantando suas dificuldades, limitações e  pouca instrução. O criador da Regional é percebido pela consciência, dependendo do ponto de vista da consciência que o contempla. No entanto se há vida, tal símbolo que analisamos tem a capacidade de transformar e modificar as emoções,sentimentos e coisas.

quarta-feira, 13 de março de 2013

A Regional de BIMBA, um fascínio

Segundo Campos (2009) o Mestre Bimba é um mito para todos que exercem liderança na roda capoeira. Portanto, se o temos como símbolo da Capoeira Regional falamos de sonhos,conquistas, crenças, amores,paixões que se foram,alegrias vividas,dores guardadas,tristezas sofridas,segredos da alma... Para mim, o Mestre Bimba é percebido pela consciência, evoca uma continuidade, às vezes misteriosamente na arte da capoeirar. Não é o único meio de trajeto em minha prática, nem também a única solução de um problema. Mas quando consigo explicar algo através de analogias, a primeira evocação que surge é o símbolo do criador da Regional. Dependendo da condição espiritual de cada um, o símbolo referenciado funciona como um mediador, uma ponte. Mestre Bimba se destacou pelo grande construtor de homens na vida de cada um de seus alunos.O reflexo disso na capoeira que jogamos atualmente tem um significado arraigado: o estado emocional de cada praticante independente da duração e intensidade. BIMBA, como força impulsionadora é um símbolo para nossas vidas.

Fonte: Capoeira Regional: a escola de Mestre Bimba- Héllio Campos (Mestre Xaréu)- Salvador: EDUFBA,2009.
           

quinta-feira, 7 de março de 2013

Tão cheia de graça!

O olhar de contemplação é o que devemos dedicar à todas as mulheres, especialmente nossas capoeiristas. Temos o privilegio de ter em nossa roda de capoeira a força feminina que transpõe barreiras, quebra paradigmas, vence na dificuldade. AHHH!...as mulheres capoeiras!Na roda de capoeira há mesmo um céu; um cenário com lua e estrelas que provoca, desconcerta.Paisagem ao entendimento e aos olhos. Jogar capoeira com elas tem significação e descoberta, tem aventura pessoal e estética. E ninguém chega até essas  capoeiristas com fome e sede desregrada. Há que se namorar primeiro a capa, a lombada, as cores, a forma, as imagens, os tipos, o conteúdo!Bobagem ficar engenhando e enovelando nós de logomarca, melhor proceder à compreensão, à leitura das meninas-mulheres. Portanto o amor delas é primeiro. Primeiro a mãe e seu filho. Primeiro o calor dos corpos e corações. Primeiro o desejo, primeiro o prazer. Primeiro a carícia que aplaca, primeiro o gesto que protege ou alimenta, primeiro a voz que tranquiliza, primeiro esta evidência: uma mãe que amamenta; depois esta surpresa: um homem sem violência. Da mais culta à mais pueril, da mais anciã à mais rebenta revelam o manancial humano, todas cheias de graça.