Com a mundialização e os processos globalizantes conduzindo práticas de muitos mestres, professores e alunos à uma "folclorização" da capoeira mundo afora, resta refletir como representar uma só identidade, como traduzir essa nobre arte diante da domesticação mercantil, entrecruzamentos, etnocentrismo, fundamentalismo que acerca a arte do berimbau? O que ocorre é a hibridação das culturas sob condições históricas e sociais específicas. Pode-se refletir que a capoeira, assim como outras culturas já não pode ser descrita como unidade estável. Porventura, ao hibridar-se as oportunidades se multiplicaram tanto para a sua divulgação, como sua pretensa valorização. Por outro lado, a arte se encontra em meio a sistemas de produção consumo e indústria cultural. Porém uma simplificada noção de hibridação nos leva crer que a capoeira se encaixa nas misturas interculturais moderna; integram e geram mestiçagens; também segregam e produzem novas desigualdades. E ainda, desterritorializa-se de saberes e costumes para hibridar-se.Falamos de fusões, sincretismos, mestiçagens para traduzir a hibridação que acontece na capoeira. Pensando bem, pode-se construir uma prática da capoeira sem fronteiras como forma de tornar esse mundo mais traduzível; é uma campo vasto onde se convive em meio às diferenças. No entanto deve-se tomar consciência que a arte da ginga ganha e perde ao hibridar-se. A busca artística da capoeira é chave da tradução, consegue ser linguagem e ser vertigem, diria Ferreira Gullar (1983).
Pense nisso!
