Quando elas gracejam na arte do jogar capoeira e tocar berimbau nos desconcertam. De modo que seus gestos e atitudes na roda são desprovidos de ódio, de dureza, de insensibilidade. Estas ( as nossas alunas), se destacam pela sua doçura, esta virtude feminina e que alguns poderão contrapor em dizer que virtude não tem sexo (é verdade!),mas isso não dispensa de o ter, por isso que ela agrada, sobretudo, nos homens. A verdade é que nenhum homem escreverá, nem amará, nem jogará capoeira como elas. E que desastre se, " todo mundo se alinhasse aos valores masculinos" ( Todorov),seria o triunfo da guerra, ainda que fosse justa, e das idéias, ainda que fossem generosas. Faltaria o essencial, que é o amor. Mas voltemos à doçura. A coragem sem violência, a força sem dureza, um amor sem cólera é o que ela tem de feminina. A doçura se recusa a produzir ou aumentar o sofrimento do outro; é a que mais se parece com o amor. O homem só é salvo do pior, quase sempre, pela parte de feminilidade que traz em si, desta forma a doçura o acompanha. Vejam os brutamontes que não a tem. Não sei se podemos dizer o mesmo das mulheres, se elas precisam do mesmo modo de uma parte de masculinidade. " A mulher, mais perto do humano do que o homem...", dizia Rilke.
Quando o homem deixa de ser " macho pretensioso e impaciente" e não se deixa enganar pelos valores da virilidade, a doçura o acolhe. Ela, ( a capoeirista) doce mulher, mãe,menina submete-se ao real, à vida , ao devir, pois a doçura é sua acolhida, se alimenta dela e é isso que torna a humanidade mais humana, graças à qual-e só a ela! a roda de capoeira é harmoniosa e bonita: Tica, Drika, Risadinha, Chinchila, Deisi, Delicada, Cecília, Ana, Amanda e todas as mulheres da capoeira tornam a roda da vida cheia de graça e doçura.

