para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ethos

Há quem diga que o fim de todo capoeira é
terminar  jogando "uma angolinha" ou fazer um "joguinho" -exemplo típico daqueles que vivem de aparência ou passado esquecendo que a capoeira evolui e com ela seus métodos, concepções para a longevidade para os praticantes . Tal discurso é balela e conversa fiada, pois a roda de capoeira tem grandes exemplos de mestres que tornaram a sua vida de capoeira tão útil e saudável e foram bem longe do que era pensavam, por exemplo Mestre João Pequeno. Esse tipo de explanação é típico de forças negativas que encostaram seu "bode" em suas respectivas escolas deixando que  o tempo tome conta e perpetue uma falsa moral e reconhecimento.Ou seja, não vivem nem produzem mais capoeira, se quer avançaram a cultura dessa arte...Sim, bato nessa tecla:vivem de aparência.É bem verdade que isso é o gosto amargo da capoeira: enquanto os capoeiras "anônimos" produzem e vivem a capoeira de janeiro a dezembro ralando, treinando , investindo e dedicando parte de sua vida no zelo, uma minoria aparece apenas na hora do "filé mignon":gostam de ser exaltados, vivem de passado e resmungam em nome de uma falsa tradição. Estes  são os que jogam "uma angolinha" e se tornaram  velhos pançudos tocadores de berimbau".São típicas vozes cansadas que "um dia" fizeram alguma coisa para a capoeira e se esconderam nessa sombra sem tomar conta que, o tempo passou e que  a arte de gingar exige CONTINUIDADE;os que  permanecem evoluindo com a arte seguem lapidando a aura capoeirística: entendem que não nasceram prontos!!!Cabe aqui o resgate do senso de justiça e reconhecimento para os capoeiristas que ajudam na renovação da arte. É natural que muitos vão parando no meio do caminho dando vez para os que estão chegando e notoriedade para os que permanecem na labuta-a renovação é vital para o ser humano!Infelizmente a superficialidade de pessoas que passam pela capoeira talvez seja a razão dessa crítica. Refiro-me àqueles que gritaram alto na capoeira, mas cansaram rápido.Na prática da capoeira bom mesmo é aquele que consegue equilibrar rigor e flexibilidade. Quando comecei entender capoeira e ler a respeito, aprendi que muita tensão engessa o corpo e muita flexibilidade o deixa impreciso. Isso vale para as coisas da vida, consequentemente para os capoeiristas em geral. Felizmente o universo conspirou a meu favor. O destino falou e a bússola apontou para a minha morada, meu lugar de convivência, de abrigo, aquilo que me dá identidade e  torna o que sou. A capoeira é meu ethos.Aqui é SÃO BENTO GRANDE: trabalha-se o essencial (religiosidade, amorosidade, solidariedade, felicidade, lealdade etc) e o fundamental (conhecimento, hierarquia, trabalho, tecnologia, carreira, dinheiro) que permite proteger o essencial. O fundamental é ferramenta, à vezes pode ser deixado de lado para pensar o essencial. Que tal?!

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