NA CAPOEIRA:
Se era inteligente, não sabia. Às vezes o que ele fazia ou dizia despertava nos adultos um olhar satisfeito, ou talvez de reprovação. A sua inteligência dependia da instabilidade daquelas pessoas e assim a sensação de que algo lhe escapava. Procurando imitar a si mesmo, fazia coisas dentro daquele mundo no sentido de provocar olhares embasbacados, cada adulto olharia rapidamente o outro "como nós sorriríamos agora, se não fôssemos educadores", um sorriso claramente suprimido dos lábios, um sorriso indicado com os olhos.
Mas ao tentar repetir uma frase de sucesso, era recebido pela distração dos outros. A chave dos sentidos não estava com ninguém, quando homem coçando aquele cavanhaque, foi advinhando sem nehuma desilusão.Paciente e curioso.
DE NOVO NA CAPOEIRA:
A instabilidade dos adultos lhe nomeou de " bem comportado" , "dócil". Até que um dia recebeu a notícia de que a formatura na capoeira estava perto. "FORMATURA", isso dá margem a alguma regalia, sei lá!. Tudo aquilo que ele era teria um valor garantido?...seria julgado como inteligente??
DE NOVO NA CAPOEIRA II:
Ele era minucioso e calmo em relação a confusão. Descobriu que arbitrariamente podia ser um palhaço, por exemplo. Era uma criança precoce, era superior à instabilidade alheia e à própria instabilidade.Então sua fria observação sobre àquelas pessoas todas envolvidas naquele rito de passagem lhe provocou uma decisão: brincou de não ser julgado, neste dia não seria nada, simplesmente não seria.
DE NOVO NA CAPOEIRA III:
Quando ele se deu conta, era um formado no mundo da capoeira.Sob os olhares daquela platéia ele se adaptou com curiosidade àquela sensação.
Era a capoeira pedindo realização; pois sempre foi capoeira sem a prévia formação.
Era um capoeira, a posteriori, pedindo a concepção.
VOLTANDO DA CAPOEIRA:
Neste dia ele descobriu uma das mais raras formas de estabilidade: a estabilidade do desejo irrealizável, e pela primeira vez teve amor pela paixão. Talvez tenha sido a partir de então que pegou um hábito para o resto da vida: toda vez que uma confusão aumentava, ele provocava um movimento mudo das pessoas em volta da roda na tentativa de apoderar-se da chave de sua "inteligência".
FIM

Ah que bacana! Me conta um conto...um conto do conto!! Genial!!!
ResponderExcluirQuem dera todos possuíssem a sua chave da inteligência, e entendessem que a estabilidade por vezes é ameaçadora, como descreve Clarice, e que a instabilidade tem um que de vantagem,porque nos dá a possibilidade da correção.
A capoeira nos coloca nestas dimensões...e precisamos saber lidar com as incertezas!!!