Ainda que a instituição escolar seja contraditória em seus aspectos educacionais, esta se mantém como espaço/lugar para aquisição do conhecimento científico e reflexão dos saberes. Embora alguns professores estejam reproduzindo a forma como aprenderam os conteúdos de forma tradicional e conservadora há os educadores comprometidos com sua formação no sentido de acompanhar e aperfeiçoar as ligeiras mudanças que acontece em relação ao ensino-aprendizagem dos pequenos. As estratégias pedagógicas estão mais contextualizadas, é relevante o aspecto sócio-cultural de cada criança no ensino dos conteúdos.
Para exemplificarmos, temos a CAPOEIRA como estratégia e possibilidade de ensino. Esta arte-luta-dança deve ser vivenciada e analisada a partir de suas próprias mudanças, de sua leitura histórica, de seus condicionantes e de seus praticantes. A capoeira na escola adquire novos contornos, novas configurações sem perder seus elementos historicamente consagrados. Segundo FALCÃO (1996,p.143) "A capoeira na escola, em suas múltiplas abrangências, deve primar por uma interdisciplinaridade criteriosa, contemplando todas as áreas com as quais apresenta interfaces".
A exemplo de um professor que tem a sua prática a busca constante de formação, o profissional de capoeira comprometido com a valorização da capoeira enquanto prática educativa deve conhecer não somente suas técnicas e rituais, mas seu processo histórico. Assim como na escola, historicizando a capoeira é possível ter uma leitura crítica percebendo "suas contradições intrínsecas e extrínsecas" FALCÃO (1996,p.73). Atualmente o cultivo dos fundamentos da capoeira atendem as necessidades e exigências dos alunos. A conteúdo da capoeira no contexto escolar rege uma prática pedagógica que procura fugir de posturas cristalizadas. Embora esteja vinculada ao movimento humano (Educação Física), outras áreas do conhecimento estão disponibilizando a capoeira para passar conteúdos como estratégia pedagógica para gerar aprendizagem nos alunos. Portanto, a prática da capoeira não pode "ser interpretado como um ato puramente mecânico,mas como um processo onde se interpenetram as dimensões cognitiva, sócio-afetiva e psicomotora do ser humano- o movimento de corpo inteiro" FALCÃO (1996,p.141).
Fonte: "A escolarização da capoeira" (José Luiz Cirqueira Falcão)
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