Todas as rodas de capoeira trazem dentro delas coisas completamente imperceptíveis ou óbvias. Algumas a gente aprende o que não deve ser feito, outras é a extensão do seu modo de pensar. Transito por todas as matizes, mas ainda fico inculcado com aqueles que não acompanham o movimento e o cenário da capoeira atual. A roda que me complementa é aquela em que as "pernadas" tem função, ordem, embelezamento,e principalmente FUNDAMENTO. (sem a intenção da rima, é claro!). Nesse sentido, diversas rodas têm sido uma excepcional aula de liderança, identidade e postura na capoeira. Infelizmente o contrário também acontece: existem rodas por aí em que a capoeira é sufocada pela falta de visão, comando...uma folclorização da arte da ginga. Encanta-me o tipo de roda onde o conhecimento está aberto a várias possibilidades sem deixar cair a riqueza de seus fundamentos, mas com um olhar para o horizonte onde a capoeira pode absorver maneiras e demandas até então não exploradas pelos capoeiristas. Há diferenças naqueles que jogam conforme a razão quanto àqueles que não mudam e não vão mudar a maneira de enxergar a capoeira: os primeiros são camaleões, jogam conforme o toque e a cantiga; já os segundos jogam de forma equivocada e desconectada com os toques e o andamento da roda. Penso que o bom capoeirista pertence a seu tempo. Este, negocia suas estratégias e encara a vida com jogo de cintura, pois é também seu meio de vida; àquele da horas vagas não tem compromisso, segue para a roda como para uma "pelada" com os "amigos" nos finais de semana- não está nem aí se chute saiu bom ou não!. Gosto de trabalhar com a capoeira, é um caso de amor com a arte. Se não fosse tão óbvio, não sei como seria uma capoeira que não pudesse se construir, reformar, fazer, refazer. Enfim cuido desse jardim, procuro sentido, sigo o chamado do sim da capoeira. A diferença é o que há nos mestres que comandam a sua roda com o olhar inquiridor, provocativo, desafiador ao mais alto nível de capoeira. O bom mestre sabe fazê-lo, com consistência e muito fundamento.
As longas distâncias atravessadas
ResponderExcluirencontram-se nas rodas
fisica ou poéticamente
a capoeira está em mim
mais que eu nela
Meus poros vertem vontades
que o corpo não alcança
O coração que me trouxe
e os músculos tentam traduzir em movimentos
o que a alma compreende.
Canção, jogo
Salve.
Só discordo numa coisa, Rato:
com intenção da rima sim. Sempre!
Gostei demais da parte que diz que "o bom capoeirista pertence a seu tempo". Isso vai de encontro à um pensamento que não se prende ao passado, mas avança em função dele.
ResponderExcluirE para a belíssima poesia da Deisi, me permito fazer um trocadilho para complementar o meu comentário:
O tempo está mais em mim, do que eu nele!
Portanto, é ele, o tempo, quem determina o pensar e o agir...se a gente não acompanha sua passagem, seremos incapazes de nos reinventar e claro...INOVAR!