para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Entre as estrelas.

Lá se foi. Já não está mais entre nós. A capoeira perde mais um do seus representantes da essência da capoeira Angola: Mestre Bigodinho. O mundo da capoeira fez grandes mestres da vida e do jogo em si; tanta sabedoria e destreza da roda mostrou ao  mundo grandes pessoas que serão sempre referência no jogo da capoeira. Assim como Mestre Bigodinho, tantos outros têm a bagagem e o conhecimento que a vida lhes apresentou através de um tempo que permanece em nosso imaginário e que são sustentados pelos contos e causos desses grandiosos mestres. Infelizmente, alguns estão beirando aos oitenta anos de idade e não tem uma ajuda financeira ou seguridade social por parte do Estado; não tem seu conhecimento valorizado e até são vítimas de charlatões da capoeira. Ainda persiste um descaso com os "velhos mestres", eles estão à margem do intenso mundo da capoeira que se apresenta: a capoeira passa por um bom momento de valorização e reconhecimento no Brasil e no mundo. É preciso fazer o resgate histórico e valorizar os mestres antigos que ainda estão vivos. Como sabemos, além de Mestre Bimba e Mestre Pastinha muitos morreram na miséria sem nenhum amparo do Estado e dos próprios capoeiristas. Toda vez que perdemos um mestre antigo  deparamos com um futuro incerto:o que vem pela frente?Os mestres de verdade é difícil de encontrar e a roda de capoeira vai se tornando mais órfã! Conheci Mestre Bigodinho em precário estado de saúde; contava sim, com a ajuda de Mestre Lua Rasta que angariava algum dinheiro para garantir um pouco mais de dignidade ao MESTRE. Mas beirando tenra idade e com sérios problemas de saúde e financeiros, o mestre se foi. É Mestre, o sinhô deve estar cantando suas ladainhas e improvisando seu colorido samba de roda que tanto gostava de fazer por essas bandas. Foi reencontrar seu mestre Waldemar e tantas estrelas que tem por lá.
Axé Mestre!
                      tudo na vida se passa,
                      tudo na vida é passar!

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