para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O som que vem de dentro.

 Existem vozes que ainda clamam pelo sentido humano de cada um de nós, motivando e iluminando os capoeiristas com a melhor palavra de Deus. O que se pode desejar mais de um professor de capoeira como eu que tem as alunas Tica e Chinchila sob o signo da palavra amorosamente trabalhada e cantada? O caso é que "essas alunas" são inexplicáveis. Nelas está o fruto mais doce produzido pela natureza e a pegada mais forte que um capoeira pode levar, ou seja, elas  estão além do que se vê!...E quando tomam o berimbau sob seu comando  e entoam as cantigas mais significativas para a roda, provocam uma legião de admiradores e não poucos olhos de recusa e até de rejeição (a inveja é coisa séria!). Prefiro pensar que a voz e as cantigas da Tica e da Chinchila é uma eterna promessa de luz; há nesse gesto prazer e necessidade, uma comunhão de sentimentos que vêm à tona para  além da roda. O som que vem de dentro é também um som que vem da paciência, e elas, mais do que ninguém sabem o peso que o ato de esperançar (como diria Paulo Freire) nunca deve ser um  ato de "esperar", foram e estão sempre em busca de...esperançar! A verdade é que seus movimentos estão aquém dos limites de asfalto e céu de cal planejados pelo homem. As coisas sensivelmente humanas estão a todo momento sendo percutidas ao som de suas vozes e assim duas porções irmãs que nunca se separam vão sendo preenchidas: vida e obra. Eu, fico de soslaio a admirá-las; vocês me tem diagonal.

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